José Paulo Sant’Anna
Um mercado com elevada temperatura. Não existem dados oficiais, mas os principais fornecedores de câmaras quentes para moldes de injeção garantem nos últimos anos um crescimento em índices bem maiores aos da evolução da economia. A cada dia, ferramenteiros, transformadores e, em alguns casos, empresas dos mais variados segmentos que verticalizam a produção de peças plásticas incorporam o componente em seus moldes, deixando para trás o uso da tecnologia das câmaras frias. De acordo com representantes dessas companhias, não faltam motivos para os resultados positivos. O fator fundamental vem da parte mais “sensível” do “corpo” do homem de negócios: o bolso. É unânime a opinião de que as câmaras proporcionam a melhora do desempenho dos moldes e retorno compensador para os transformadores. A multiplicação de fornecedores nos últimos anos também tem ajudado na expansão do mercado. A concorrência estimulou a queda de preços e, em conseqüência, a popularização do uso.

Alexandre Fix, presidente da brasileira Polimold, empresa líder do mercado nacional de câmaras quentes, não esconde o entusiasmo com o amadurecimento dos clientes ocorrido nos últimos tempos. Com as informações de mercado coletadas junto à sua equipe de vendas, formada por trinta profissionais atuantes em vasta área do país, ele garante que a procura não cresce apenas entre os fabricantes de moldes sofisticados, onde a presença das câmaras quentes se tornou imprescindível. De acordo com o dirigente, a demanda também evolui entre os interessados em fabricar ferramentas com exigência tecnológica não tão rigorosa. “Ao contrário de há alguns anos, hoje os clientes sempre pretendem instalar câmaras quentes. Eles sabem calcular o retorno que elas proporcionam na produção das mais distintas peças”, avalia.
Para Fix, a venda só não se efetiva quando o orçamento calculado para a construção do molde é insuficiente ou se a peça a ser produzida terá pequenas tiragens. “O preço das câmaras quentes no Brasil se tornou competitivo nos últimos anos, não pesa tanto se considerarmos o montante necessário para se construir uma ferramenta”, comenta.

Milton Tadeu Loguércio, diretor- comercial da Fator, outra companhia nacional com participação de destaque nesse mercado, tem opinião similar. Para ele, hoje é muito mais fácil convencer o cliente da necessidade de investir na compra de uma câmara quente. “No passado, as vendas de câmaras eram restritas aos segmentos de tecnologia de ponta, caso das montadoras. Atualmente, praticamente todos conhecem as vantagens que elas proporcionam”, resume.
Apesar do momento favorável, alguns fornecedores ressaltam que o índice de utilização das câmaras quentes no Brasil ainda não é o mesmo do atingido pelos países com tecnologia mais avançada. “Nos Estados Unidos e na Europa, praticamente não existem mais moldes a funcionar sem câmara quente”, informa Evandro Cazzaro, diretor da multinacional Husky, uma das empresas do ramo que participam com destaque do mercado nacional. Por aqui, diz o executivo, como o mercado de ferramentarias é muito pulverizado, ainda existem resistências em investir na tecnologia.
Essa resistência, para os pessimistas, pode ser desanimadora. Mas para os fornecedores, tem seu lado positivo. Indica que a evolução das vendas verificada nos últimos anos ainda apresenta ótimo potencial de crescimento, à medida que a técnica continue a ser divulgada. O desafio é arregaçar as mangas e disseminar cada vez mais a conscientização das vantagens da tecnologia entre ferramenteiros e transformadores.
Vantagens – Em algumas aplicações, as câmaras quentes são consideradas indispensáveis para o bom funcionamento dos moldes. Entre elas, pode ser citada a fabricação de moldes com várias cavidades, caso das tampas para embalagens. São peças com design simples, mas que por exigirem dimensões precisas e serem feitas em linhas de elevada produção utilizam sofisticadas ferramentas.