Inovação tecnológica e arrojo empresarial abrem mercado latino-americano para máquinas e insumos do ciclo de embalagens

Texto de Hilton Libos e fotos de Cuca Jorge

nova tendência de coligar várias feiras de setores de negócios relacionados entre si em uma só exposição, realizada ao mesmo tempo e espaço, funcionou bem como apelo de atração dos fabricantes de máquinas, equipamentos e insumos no aglomerado de empresas do ciclo produtivo da embalagem durante a 1ª Semana Internacional da Embalagem, Impressão e Logística (Brasilpack 2008).

A verdadeira multifeira englobou desde empresas de desenho gráfico até matérias-primas e equipamentos para a produção e impressão de embalagens, outdoors, estampas, adesivos e etiquetas, atraindo mais de 43 mil visitantes ao Parque de Exposições do Anhembi, em São Paulo-SP, entre 10 e 14 de março. “Praticamente ninguém estava lá a passeio, mas a negócio”, avaliou Evaristo Nascimento, diretor da empresa organizadora do evento, a Reed Exhibitions/Alcântara Machado.

Para Nascimento, a quantificação de público tem um determinado grau de importância na avaliação dos fatores que induziram o evento ao sucesso, mas a qualificação desse público vale mais: “Pudemos observar um público profissional qualificado e realmente interessado em fazer negócios”, afirmou. “A presença de público, além de maciça, foi importante para se verificar concretamente o nível de interação da atividade do mercado de embalagem com os cenários de uma economia em alta”, acrescentou o diretor.

Indicadores quentes, otimismo no ar –Na abertura da Brasilpack 2008, não apenas os organizadores da exposição, mas também as lideranças do aglomerado de empresas que compõem o círculo da produção de embalagem demonstravam seu franco otimismo, ao deduzir que os indicadores de crescimento do setor tendem a acompanhar proporcionalmente a expectativa de crescimento do PIB, em torno de 5% em 2008.

Gradualmente, nos últimos tempos, o setor experimentou um ciclo de avanços sucessivos, que levou o segmento de embalagens a praticamente dobrar de dimensões na última quadra. A expectativa é de manutenção desse quadro. No ano passado, quando se registrou a maior taxa de crescimento do setor desde 2004, sua ampliação foi de 2,1% com um movimento financeiro equivalente a 1,4% do PIB nacional (R$ 32,5 bilhões), de acordo com os registros da Associação Brasileira de Embalagem (Abre). Nesse mesmo período, o total das exportações somou US$ 479 milhões e o setor de plásticos concentrou a participação de 27,51% no bolo das vendas externas, representando um crescimento de 27,22% em relação a 2006; em 2007, as importações aumentaram 26,35%. O mercado tende a se manter aquecido – até mesmo por causa da influência positiva de novos investimentos e do aumento da demanda –, o que levou os dirigentes empresariais a estabelecerem uma projeção de crescimento do setor de embalagens de aproximadamente 2,5% com uma receita de R$ 34 bilhões, no balanço de 2008.

No segmento de bens de capital para embalagens, as projeções da divisão de estatística da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) para 2008 são de sustentação do crescimento desta fatia na mesma média de aproximadamente 10% verificada em 2007. Conforme a Abimaq, o desenvolvimento do mercado externo para máquinas, equipamentos e acessórios à indústria de plásticos e borrachas nos últimos três anos poderá se manter em expansão, com possibilidade de aumentar 12,4% em 2008 – principalmente com o apoio das encomendas de extrusoras, máquinas e outros aparelhos para a cadeia de transformação de plásticos, itens que tiveram melhor desempenho no total de 54% das vendas de bens de capital em 2007.

Os dirigentes do ramo de impressão de embalagens manifestaram a sua confiança com os demais elos da cadeia produtiva de embalagens. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf), Mário César Camargo, antecipou o crescimento do setor gráfico em até 5,5% durante 2008. A análise de Camargo leva em consideração o mesmo ritmo de retomada dos investimentos em 2007, principalmente nas áreas de flexografia e impressão de embalagens, responsáveis pelo aumento das exportações e importações de produtos gráficos no período. Segundo ele, o setor de embalagens apresentou o melhor desempenho de exportações da indústria gráfica em 2007. O presidente da Abigraf lança um outro dado para justificar o horizonte favorável para o setor. “Acredito que a expansão para uma economia sustentável agora deverá oferecer como novidade mais sofisticação da demanda interna por produtos gráficos.”

Inovação e avanço continental – Os efeitos finais da combinação entre renovadas estratégias de planejamento de marketing em feiras de negócios, as tendências de alta e a estabilidade econômica, mais as propostas de sustentabilidade socioambiental e inovação tecnológica de ponta embutidas em todas as etapas de produção apresentadas nos estandes, se refletiram imediatamente com a abertura das rodadas internacionais de negócios.

A dinâmica de trabalho nessas rodadas de negócios já se desenvolvia satisfatoriamente, sob o estímulo de indicadores de crescimento da economia. O anúncio do conjunto de medidas do Banco Central de incremento ao comércio exterior – por meio da contenção às consecutivas desvalorizações do dólar americano – chegou às mesas de negociação soando como música. No final, o saldo das vendas para clientes da Costa Rica, Argentina, Chile, Peru, Colômbia e Equador (R$ 2,2 milhões) sinalizou luz verde para o manancial de negócios potenciais concentrado no mercado latino-americano.

Nesse mercado continental, agora com maiores possibilidades de acréscimo das exportações, o vice-presidente da Associação Brasileira Técnica de Flexografia (Abflexo), Carlos Ribeiro de Paiva, afirmou que o caminho para as exportações de bens de capital aos países vizinhos foi bem pavimentado. Segundo ele, durante a última quadra, o empresário da divisão de flexografia não perdeu a mira dos investimentos no desenvolvimento de novas tecnologias de alta qualidade.

“Até pouco tempo, as diferenças entre a produção tecnológica nacional e do exterior eram grandes”, lembra o dirigente empresarial. Enquanto os equipamentos nacionais eram inferiores em todos os sentidos, esclarece Paiva, os importados além do custo elevado sempre ofereciam sérios problemas de manutenção. “Atualmente, a realidade é outra: os fabricantes desenvolveram máquinas similares às produzidas na Europa e outros países. Com certeza, em termos de qualidade e competitividade, os equipamentos produzidos atualmente no país são equiparados aos de padrão europeu”, garante o vice-presidente da Abflexo.

Com isso, a flexografia superou barreiras tecnológicas e passou a competir com outros sistemas de impressão, como a rotogravura e o off-set. “Nessa competição, o diferencial mais importante a nosso favor é o surgimento da flexografia da banda estreita, que possibilita impressões de altíssimo padrão, superando o off-set”, acrescenta Paiva.

De acordo com o dirigente, os esforços para aperfeiçoar as impressoras flexográficas tinham o objetivo de diminuir o set up da máquina, aumentar a velocidade de impressão e ainda controlar os desperdícios. Desse empenho resultou a tecnologia gearless, ou seja: sem engrenagem. As engrenagens foram substituídas por um sistema de servomotores movidos em corrente alternada, com capacidade para sincronizar eletronicamente todas as funções da impressora. Com isso, o set up ocorre em aproximadamente meia hora e a tarefa pode ser alterada sem a necessidade de parar a máquina. A tecnologia gearless já é utilizada em escala mundial e, no Brasil, as primeiras unidades importadas chegaram no final de 2006 das fabricantes européias Windmoeller & Hoelscher, Uteco e Bielloni Converting. Entre as duas primeiras impressoras com a nova tecnologia construídas no Brasil está a Flexopower, que foi exposta na Brasilplast 2007.

Um outro lançamento inovador, projetado para o controle preciso das impressões de bandas estreitas na indústria de embalagens e etiquetas, foi feito durante a Brasilpack 2008 pela empresa representante dos negócios e serviços da alemã BST no Brasil, a BST Latina. É o Compact Guide. De acordo com o diretor-geral da BST Latina, Eduardo Gomes, se constitui em uma solução para controle de bandas estreitas (narrow web) em substituição aos alinhadores de banda tradicionais, porém mais preciso, de fácil instalação (tipo pug-and-play) e configuração compacta. Outra vantagem apresentada pelos representantes do Compact Guide é a economia de espaço para sua instalação, elemento crítico nas impressoras de etiquetas e máquinas de banda estreita.

Extrusoras de ponta – A maré de inovações tecnológicas na Brasilpack 2008, além de cobrir os lançamentos na área de impressão flexográfica, se espraiou pelo segmento dos meios de produção de transformação de plásticos. A co-extrusora Suprema 425 da Carnevalli com capacidade para 540 quilos/hora era um desses exemplos. O detalhe da inovação na Suprema 425 reside no duplo anel de ar nos componentes de formação da bolha (blow), para facilitar a estabilidade, o resfriamento e o controle da variação da espessura, por meio de um medidor capacitivo. Wilson Carnevalli Filho, diretor da indústria, lembrou que a tecnologia desse sistema duplo anel é recentíssima: “Ela foi apresentada na Alemanha há apenas seis meses, durante a Feira K, e já adaptamos as vantagens desse novo dispositivo em nosso principal modelo de co-extrusora de alta produção.”

No sentido contrário, desenvolvida com tecnologia nacional, a linha de co-extrusoras tubulares da Acmack/Ciola para a produção de filmes flexíveis não deixou por menos e foi apresentada com sucesso na feira de Düsseldorf, conta o diretor da empresa, Aldo Ciola. “Aqui na Brasilpack decidimos fortalecer nossos equipamentos de co-extrusão tubular em máquinas para filme de polipropileno”, completou Ciola.