
Outro lançamento da Rhodia foi o Technyl SI de alta resistência a impactos em temperaturas negativas. O mercado alvo são os esportes radicais praticados na neve como esqui, snowboard, tanto para peças e componentes de equipamentos como vestuário, botas, luvas etc. A vantagem é que são modificações estruturais nas moléculas da poliamida 6.6 sem qualquer forma de carga, aditivos, reforços, masterbatches, entre outros produtos adicionais.
Segundo Paulo de Biagi, diretor da Rhodia para a América Latina, com núcleo operacional na Argentina, as vendas da empresa crescem 5% acima do PIB argentino. É um mercado estratégico do grupo francês. Este ano, o crescimento será ainda maior. A operação no país é 95% comercial e 5% industrial.
Da mesma forma, a Sabic Plastics, que comprou a divisão de plásticos de engenharia da General Electric pela bolada de US$ 11,6 bilhões, uma das maiores negociações da cadeia produtiva do plástico na década, fez questão de apresentar soluções em tecnologia de ponta em engenharia de materiais durante a Argenplás 2008.

Edson Simielli, diretor de marketing do grupo para a América Latina apontou o estande do Parque Rural como um local direcionado exclusivamente ao transformador de plásticos de engenharia. São produtos fabricados em Campinas-SP ou em Tartuguitas, Argentina. A Sabic importa as matérias-primas básicas dos EUA e finaliza nessas duas unidades latino-americanas as resinas especiais com toda a sorte de aditivos, cargas minerais e blendas.
Basicamente, a divisão de plásticos adquirida do grupo norte-americano ficará focada em especialidades e plásticos de alto valor agregado. A área de commodities da Sabic dificilmente será incorporada a essa unidade de negócios. Eventualmente, alguns compostos de polipropileno empregados em automóveis poderão entrar na grade de produtos. A Sabic está construindo uma planta de 2 milhões de toneladas de polipropileno na Arábia Saudita, com previsão de partida em 2009, de onde poderá trazer a resina para oferecer no mercado latino-americano. O mercado argentino se tornará um grande comprador de plásticos de engenharia a partir de 2008, conforme as previsões de Simielli. “A indústria automotiva do país está em recuperação e irá crescer mais de 10% neste ano. As principais montadoras do país como a Renault, Peugeot, Fiat e Citröen começaram a lançar modelos novos. Há uma franca substituição da frota constituída de carcaças por automóveis novos”, observou o executivo. Na ótica de Simielli, o mercado argentino sempre foi competitivo e comprador.
Quanto a lançamentos, a Sabic apresentou as resinas Velox Linha IQ e Xenoy Q, obtidas com a despolimerização das garrafas de PET, as quais retornam ao monômero para obter PBT, o polibutadieno tereftalato. O Velox Q é obtido com PBT puro. Já o Xenoy Q é um composto de PBT com policarbonato.
De acordo com Simielli, o objetivo é realmente criar um ambiente de inquietação no mercado e fazer do plástico de engenharia o grande protagonista do desenvolvimento de materiais. Em breve, aparecerão carrocerias de carros inteiras de Xenoy-Q. Outro fabricante de plásticos peso pesado presente na Argenplás foi o grupo petroquímico integrado brasileiro Braskem. O porta-voz das ações da holding brasileira em solo portenho foi o vice-presidente corporativo, Luiz de Mendonça. Mendonça apontou um crescimento de 25% neste mercado no ano passado. Com a inauguração da planta de polipropileno em Paulínia boa parte da produção será direcionada ao mercado argentino, que perde apenas para o brasileiro. “São dois mercados com potencial de crescimento de 10% ao ano cada um. Somente em polipropileno a Argentina absorve 350 mil toneladas de resinas da Braskem”, acentuou Mendonça. Ele anunciou para breve a integração total dos ativos da extinta Ipiranga Petroquímica adquirida pela holding da Bahia. “Vamos ver quem tem melhores condições de atender na Argentina, Chile e México e com quais grades de produtos para promover a melhor sinergia possível”, revelou Mendonça.
Ao longo da Argenplás, a Braskem promoveu a divulgação de sua grade de produtos, direcionados à construção civil e utilidades domésticas. Enfatizou ainda a presença da empresa no mercado de resinas para peças e componentes voltados a implementos agrícolas, equipamentos rodoviários, resinas para injeção de ciclo rápido, embalagens flexíveis para defensivos agrícolas e fertilizantes, produtos de largo consumo na forte atividade agrícola da Argentina. O grupo Dow, tradicional no mercado argentino, destacou o lançamento do composto 8818 YL-CF dirigido ao segmento de tubos e conexões e o polímero Amplify IO a ser empregado em embalagens de alimentos, além de um plástico de alto desempenho denominado Dowlex NG 2049B com foco em equipamentos de medicina, além de um polietileno de alta densidade batizado de HDPE 90057L.
Por ocasião da Argenplás 2008, a Dow Química reforçou o anúncio da formação de uma parceria com o grupo brasileiro Crystalsev para receber o eteno pela rota alcoolquímica, a fim de obter os chamados polímeros “verdes”. O diretor de vendas de plásticos da Dow para a América Latina, Fernando Gimenez, destacou que a Argenplás serviu para a celebração dos cinqüenta anos de presença do grupo na América do Sul. “Estamos aqui para trazer soluções tecnológicas e ajudar nossos clientes a crescer junto com a Dow”, sublinhou Gimenez.

A fabricante de compostos Cromex também participou da Argenplás. A Argentina é o maior mercado de exportação na América Latina da empresa. O forte da Cromex na América Latina são os masterbatches pretos e brancos, mais os aditivos. Os coloridos também entram bem nas aplicações para filmes.
Pelo menos um transformador brasileiro também se aventurou pela Argenplás 2008. A empresa Mantova, de Caxias do Sul, fabricante de tubos e mangueiras de polietileno para atividades de jateamento, aspiração e aspersão, fez parte do grupo de expositores reunidos no estande da Apex/Abimaq.
O gerente de vendas Fábio Lunkes acredita que o mercado da América Latina é interessante e um evento em solo argentino propicia um ambiente favorável para a divulgação dos produtos da Mantova, também processados em poliamida e poliuretano termoplástico. Lunkes esclareceu que a Mantova começa a adquirir experiência em exposições internacionais, pois até então só participava das feiras realizadas no Rio Grande do Sul. A empresa esteve pela primeira vez nas edições da Brasilplast e da Chileplast. “Gostamos desse tipo de contato direto com clientes e pretendemos retornar”, resumiu Lunkes.

Venda de máquinas está aquecida na Argentina
A organização da Argenplás não produziu uma contagem oficial do número de máquinas vendidas na feira, mas a julgar pela avaliação de empresários e executivos do segmento de bens de capital para transformação de termoplásticos presentes ao evento, assim como de europeus e do expressivo grupo brasileiro, o momento é de aquecimento e atualização de plantas industriais.
O empresário Hector Spaccarotella, da Rocem, não tem queixas com relação ao mercado de seu país. Negociante de injetoras importadas da Ásia, ele contabiliza 400 máquinas vendidas em dezoito anos de atividade e já comemorava aproximadamente dez equipamentos colocados no parque industrial pós-Argenplás.