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PP XPET |
Polipropileno
persegue maior
transparência
e brilho, atinge
novos segmentos
e penetra mais no
mercado do PET
Textp de Maria Aparecida de Sino Reto
e fotos de Cuca Jorge |
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A
escolha do material para a composição de uma embalagem nunca foi tão
concorrida. Graças ao aprimoramento tecnológico em todos os âmbitos da
cadeia industrial, os polímeros asseguram espaço cada vez maior em novas
aplicações, como substitutos de diversos substratos. Termoplástico dos mais
versáteis e com um dos maiores índices de crescimento nos últimos anos, o
polipropileno incorpora um dos principais exemplos dessa evolução,
disputando mercado até mesmo com outras resinas. Duas grandes perseguições
tecnológicas do PP, alta transparência e brilho, o colocam, nessa contenda,
frente a frente com o PET.
Entre várias frentes, o PP cresce a passos largos nas embalagens injetadas
de ciclos rápidos e de parede fina. Por seu amplo espectro de propriedades
físicas e mecânicas, tem composto peças submetidas a baixas temperaturas, e
também às microondas. Ainda avança na produção de tampas e copos
descartáveis, entre inúmeras outras aplicações.
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Dos motivos
de tanto sucesso, o gerente de marketing e comunicação da Nova
Petroquímica (ex-Suzano Petroquímica), Sinclair Fittipaldi, ressalta a
evolução tecnológica da resina e dos aditivos nela incorporados, como
a nanotecnologia, que promete possibilitar ao polipropileno
ultrapassar obstáculos técnicos atuais, como barreira a gases, e
entrar em segmentos até então reservados ao polietileno tereftalato (PET),
o eleito em aplicações com esse requisito. “Em transparência e brilho,
o PP está muito próximo do PET”, compara Fittipaldi.
Como principais atributos do PP, ele destaca a versatilidade e o
balanço entre |
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Fittipaldi vislumbra novos saltos tecnológicos para o PP |
rigidez e
resistência ao impacto: “Cobre amplo espectro de propriedades.” A resina
abre amplas possibilidades de formatos de embalagens e também de processos
de moldagem. Quesito muito valorizado, a transparência da resina aumentou
bastante nos últimos tempos, graças à evolução tecnológica do polímero e dos
aditivos.
Entre os três tipos de PP, os copolímeros randômicos (os outros são os
homopolímeros e os copolímeros heterofásicos) são os que conferem maior
transparência, conquistada pela adição aleatória ao propeno – monômero
básico para síntese da resina – de um segundo monômero no reator, em geral,
o eteno, o que reduz a sua cristalinidade.
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Além da
transparência superior, os copolímeros randômicos também possuem menor
temperatura de fusão e maior resistência ao impacto sob temperatura
ambiente, em comparação com os homopolímeros.
Outra característica vantajosa do PP reside em sua baixa densidade, da
ordem de 0,905 g/cm³, o que favorece a produção de peças muito leves.
Também é pouco higroscópico, tem baixa permeabilidade ao vapor d’água
e assegura elevada resistência química e à fadiga por flexão. |
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Baixa densidade do PP permite produzir peças muito leves |
As principais
propriedades do PET consistem na sua alta transparência, barreira a gases e
resistência mecânica. O processo de injeção-estiramento-sopro, ao qual a
resina é necessariamente submetida na produção das embalagens, promove uma
biorientação molecular, o que contribui para aumentar suas características
físicas e de barreira.
Por tais propriedades, o PET também se insere no rol das resinas com maiores
índices de crescimento no mercado nacional nos últimos anos. Segundo
estatísticas da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), cresceu
acima de 350%, desde 1994. Primeiro substituiu o vidro nas bebidas
carbonatadas. Depois conquistou aplicações em diferentes segmentos de
mercado e, hoje, detém 95% das embalagens de maionese, cerca de 90% das de
vinagre e 100% dos isotônicos.
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De acordo
com Fittipaldi, o PP e o PET competem entre si nas embalagens que não
exigem barreira, nas indústrias cosmético-farmacêutica, de higiene e
limpeza e também nos frascos destinados ao envase de água mineral sem
gás. “Os segmentos premium ainda pertencem ao PET”, admite. “Ambos
podem atender o mercado de água mineral, mas o PET é o que ainda
sobressai”, declara Hermes Contesini, responsável pelas relações com o
mercado da Abipet. |
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Embalagens para segmentos premium ainda pertencem ao PET |
O polipropileno,
porém, leva vantagem no caso de produtos envasados a quente. “A resistência
térmica do PP é superior à do PET. Economicamente, o PP também é mais viável
e permite a fabricação de embalagens mais leves”, opina Aparecido Albarici,
gerente técnico da América Latina da Milliken.
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Salto
alto – Graças aos aprimoramentos tecnológicos que embasam a
produção das resinas e dos aditivos, o PP e o PET conquistaram avanços
significativos em suas propriedades. Fittipaldi menciona diversas
características aperfeiçoadas no polipropileno, com destaque para o
aumento na relação rigidez e impacto, as propriedades ópticas e a
processabilidade. “O PP consegue chegar a valores de fluidez até então
não atingidos, abrindo novas fronteiras de aplicações”, ressalta. A
incorporação de aditivos especiais, o desenvolvimento da
nanotecnologia e o aprimoramento no processo de extrusão foram
fundamentais para essa evolução. |
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Albarici: resistência térmica do PP supera a do PET |
As expectativas
dele são bem positivas para este ano, com previsões de demanda forte. “As
indústrias automotiva, de cosméticos e de higiene e limpeza estão
demandantes e com inovações”, comemora Fittipaldi. Na sua opinião, a
transformação precisa se readequar aos novos patamares de competitividade.
“O desafio será observar o comportamento da consolidação da terceira
geração.”
Se depender dos produtores, o polipropileno deve ganhar impulso no processo
de injeção-estiramento-sopro, conhecido como ISBM (injection stretch blow
molding), o mesmo empregado na produção de frascos de PET. A
biorientação da resina propicia à embalagem maior transparência e
resistência mecânica.
A pioneira foi a Braskem, em 2001, com o anúncio de uma parceria com a
Milliken, produtora dos aditivos clarificantes; a Sidel (sopradoras) e a
Packpet, que fabrica as embalagens. Ao ser moldado pela tecnologia de ISBM,
o PP clarificado confere à embalagem uma aparência muito similar à
processada em PET.
Agora, a Nova Petroquímica revela projetos nessa direção. “Temos produtor de
equipamento, fornecedor de aditivo, transformador e também usuário na área
de cosméticos”, antecipa Fittipaldi, sem especificar outros detalhes.
Informa apenas que o projeto está bem encaminhado, com previsão de
lançamento nos próximos seis meses.
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