Cuca Jorge



Uso crescente de moinhos
e dosadores deslancha
novos projetos de
nacionalização e expansão
 dos fabricantes

Rose de Moraes

O aquecimento da economia em 2007 e as perspectivas traçadas daqui por diante estão mais propícios aos investimentos no mercado de periféricos. A lei da oferta e da procura mais equilibrada permitiu a vários setores da transformação pôr em prática o lema de que nada se perde no setor plástico e tudo pode ser transformado, basta conhecer um pouco mais as eficientes tecnologias disponíveis para moagem, dosagem e trituração.

As vendas de moinhos dedicados a injetoras e sopradoras, principalmente os modelos de baixa rotação, ajudaram a manter em boa forma a saúde financeira das empresas e acaloraram o ânimo dos fabricantes de equipamentos para prosseguirem rumo à concretização de novos projetos em máquinas, além de investimentos em fábricas e nacionalizações.

A Piovan do Brasil, filial da matriz com sede na Itália, anunciou a continuidade dos investimentos em nacionalizações, uma de suas prioridades no país, e sua intenção de dar início, em breve, a uma nova etapa de fabricação local de várias linhas de periféricos, incluindo dosadores, sistemas para refrigeração, extrusão e sistemas para processamento do PET.

Além de aumentar a oferta local com tecnologias européias mais avançadas, a nacionalização gradualmente irá propiciar, segundo observou Ricardo Prado, diretor-comercial da Piovan do Brasil, custos mais acessíveis e menores prazos de entrega às encomendas feitas na região.

Atualmente, não são apenas as taxas de importação, em torno de 14%, que oneram a compra de equipamentos vindos do exterior. Custos relativos ao transporte, seguro e locação de contêineres podem elevar em até 30% o preço dos equipamentos, sem contar com as despesas obrigatórias de ICMS e IPI.

A indústria nacional de periféricos também se prepara para colher no futuro o que vem semeando ano após ano. Um dos melhores exemplos vem da Rone. A empresa acaba de concluir um investimento no valor de R$ 2 milhões, destinado à compra de terreno e à construção já concluída da nova fábrica de 4mil m², em Carapicuíba-SP, totalmente

Cuca Jorge

Prado planeja cortar custos e prazos com nacionalização

voltada à produção de moinhos, especialidade que abraçou há 26 anos. “A capacidade de produção na nova unidade pode chegar a setenta unidades/mês, ou seja, o dobro da demanda atual atendida pela Rone, mas estamos nos preparando para alcançar níveis mais elevados de crescimento não só no mercado interno, como também planejando aumentar nossas exportações”, informou o diretor Ronaldo Cerri.

Outra empresa que revela a preocupação de ampliar a oferta com tecnologias avançadas e a custos mais acessíveis ao mercado local é a Automaq, de Diadema-SP. Além de parceira nas vendas de moinhos de baixa rotação fabricados pela alemã Zerma em território chinês, a Automaq atualmente busca novas parcerias com fornecedores internacionais para trazer ao país centrais de moagem de alta rotação (entre 550 r.p.m. até 1.300 r.p.m.), a preços bem mais convidativos.

Unanimidade – O desempenho alcançado nas vendas no último ano, segundo todos os executivos e empresários ouvidos, foi realmente muito positivo e surgiu de todas as frentes de comercialização de periféricos. “As vendas de moinhos e dosadores foram muito boas em 2007, 35% maiores em comparação com o ano anterior, principalmente após a Brasilplast, onde pudemos fazer muitos contatos, cotações e atender a inúmeros pedidos”, comemorou Caio Prado, diretor-comercial da Automaq.

Os maiores volumes de vendas se concretizaram entre os transformadores do setor automotivo, principalmente para atender às necessidades do setor de injeção de peças técnicas. “A instalação de moinhos ao lado das máquinas em circuito fechado no setor de injeção de peças técnicas para a indústria automotiva está se consagrando por gerar significativa economia, pois muitos materiais empregados são higroscópicos, como é o caso de náilons, policarbonatos, ABS, poliacetais e PMMA, que necessitariam de secagem caso não pudessem contar com as funcionalidades dos moinhos. Além disso, os transformadores também conseguem evitar perdas e desperdícios gerados pelas pilhas de galhos formadas no chão das fábricas, sem contar com a provável contaminação desses materiais antes do seu reaproveitamento”, considerou Caio Prado.

“Em 2007, contamos com um mercado aquecido e com muita procura por moinhos para injeção e sopro, especialmente envolvendo modelos de baixa rotação, dispostos ao lado das máquinas, e que operam em ciclo fechado, sem gerar desperdícios ou contaminações”, observou Ricardo Prado, da Piovan do Brasil.

Um dos equipamentos mais bem-sucedidos em vendas no ano passado em todos os países da América Latina, considerado o carro-chefe em seu segmento, foi o moinho de baixa rotação (424 r.p.m.), com rotor aberto e sistema de corte em tesoura. Nacionalizado desde 2005 pela Piovan do Brasil, esse equipamento possui bocal de alimentação com largura de 20 cm e comprimento de 30 cm, e oferece como diferencial um volante de inércia de 48 quilos, o que permite aplicações ao lado das máquinas de transformação, sem gerar picos de amperagem, apresentando, portanto, reduzido consumo de energia. “Vale lembrar que o volante de inércia já vem acoplado ao moinho e não se trata de sistema opcional”, explicou o diretor.

Mas não foram apenas os moinhos de baixa rotação as grandes vedetes de 2007, que adentraram em 2008 encontrando à frente um novo ano de mercado provavelmente dos mais aquecidos, a considerar pelos volumes de vendas dos dois primeiros meses. Isso porque também aumenta a procura por moinhos de alto desempenho, principalmente para a moagem de peças de grandes dimensões e borras. Só a Piovan nesse setor dispõe de mais de dez diferentes séries especiais de moinhos para chapas, filmes e filamentos de extrusão, acompanhando a velocidade das extrusoras.

As séries especiais ainda incluem modelos voltados à recuperação de cabos elétricos, abrangendo moinhos com bocal de alimentação em larguras até 1 metro e sistema que separa os revestimentos plásticos dos fios de cobre e/ou alumínio. “Esses moinhos são integrados a sistemas de separação, ciclones e esteiras, equipamentos também distribuídos na América Latina pela Piovan do Brasil”, acrescentou Ricardo Prado.

Outras especialidades da Piovan muito bem-aceitas no mercado latino-americano são os moinhos para recuperar CDs e DVDs feitos de policarbonato e que apresentam algum tipo de defeito. “Nossos moinhos permitem recuperar 100% os CDs e os DVDs defeituosos antes do processo de metalização”, informou Ricardo Prado. Trata-se de moinho provido de revestimento interno especial para suportar alto

grau de abrasividade e evitar contaminações e que opera com sistemas de ar filtrado e de separação de pós e de partículas metálicas.

Setor do PET investe mais –
Os transformadores de PET, dedicados à fabricação de pré-formas ou às embalagens sopradas, também engrossaram as fileiras voltadas à compra de moinhos em 2007.

“A preocupação com a reutilização dos materiais soprados e com a reciclagem do PET vem aumentando a cada dia e vários projetos prevendo a instalação de moinhos fabricados pela Zerma e dosadores produzidos pela Automaq foram recentemente realizados”, observou Caio Prado.

No caso do PET, em especial, os benefícios gerados pela instalação de dosadores asseguram ao transformador que as porcentagens de moídos a serem adicionadas ao processo serão colocadas nas proporções previstas, evitando-se com isso variações de cor e de dosagem de aditivos nas pré-formas sopradas.

Divulgação

PET aumenta procura por dosador da Automaq

Sua instalação sobre a máquina ainda garante a homogeneidade dos materiais, permitindo que as operações mantenham a velocidade constante do parison, sem o risco de incorrer em oscilações e variações no processo.

Na transformação por sopro, o maior número de moinhos, segundo constatou a Automaq, foi requisitado no último ano para operações ao lado das máquinas, uma vez que o volume de rebarbas costuma ser grande, acarretando vários prejuízos de perda de materiais às indústrias.

“Uma das fortes tendências reveladas no setor da transformação é substituir moinhos centralizados por moinhos instalados ao lado das máquinas e com circuitos fechados, a fim de recuperar todas as rebarbas e refugos gerados, e economizar no uso de matérias-primas virgens”, considerou Caio Prado.

Outro grande diferencial dos moinhos fabricados pela Zerma em relação aos equipamentos congêneres importados é o fato de a sua produção ser realizada na China, com matérias-primas e mão-de-obra bem mais acessíveis, o que oferece ao fabricante a possibilidade de implementar projetos até mais sofisticados, contando com recursos de última geração nas áreas de usinagem e de corte a laser, mas que terão custos finais mais acessíveis, segundo analisou o diretor.

No setor de periféricos, é bem provável que a Zerma tenha sido uma das pioneiras a tomar a decisão de instalar fábrica na China em 1999, em área de 55 mil m², construída em Xangai. A principal vantagem de manter a fábrica em território chinês é poder oferecer projetos de engenharia alemães a preços extremamente competitivos, tendo como canais de distribuição dos equipamentos centros instalados na Alemanha, Reino Unido, Tailândia e Brasil.

“Atualmente, representando os moinhos Zerma, conseguimos praticar no mercado brasileiro preços 40% mais acessíveis em comparação com os preços de equipamentos que antes importávamos dos Estados Unidos. Em muitos casos, nossos preços também chegam a equivaler aos preços dos equipamentos nacionais”, afirmou Caio Prado.

De acordo com ele, os moinhos que têm encontrado maior aceitação no mercado brasileiro pertencem à série GSL. Constituída de equipamentos que possuem rotores fechados, e apresentam baixa rotação, baixo nível de ruído e baixa geração de pós, a série GSL abrange modelos com diferentes capacidades de moagem, entre 40 quilos/hora até 120 quilos/hora.

“Os moinhos da série GSL têm projeto alemão e são considerados top no mercado internacional graças ao nível de aprimoramento tecnológico alcançado pelos equipamentos que possuem motorredutor SEW, acoplado diretamente no eixo do rotor onde estão posicionadas as facas, e que conseguem conciliar o alto torque à baixa rotação (150 r.p.m.)”, informou.

Outra linha muito requisitada é a de moinhos micronizadores para a fabricação de peças rotomoldadas e produção de masterbatches. Produzida em três modelos: PM 300, PM 500 e PM 800, é capaz de micronizar desde 50 quilos/hora até 500 quilos/hora, no primeiro exemplo; entre 100 quilos/hora até 1.000 quilos/hora, no segundo; e operar na faixa desde 200 quilos/hora até l.500 quilos/hora, no terceiro.

Atualmente, segundo Caio Prado, novas práticas caracterizam as condutas técnicas adotadas pelos transformadores brasileiros. Ou seja, muitos também investem na compra de trituradores para a pré-moagem de peças de grandes dimensões.

 

 

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