“O Brasil ainda está longe de alcançar os números australianos, mas avança cada vez mais em vários setores, principalmente em caixas-d´água, componentes agrícolas e componentes para máquinas”, afirmou Alexandre Castro, gerente de contas da unidade poliolefinas da Braskem. Especialista nesse setor, ele também confirmou o mais recente crescimento de rotomoldados em aplicações para substituir metais.

Convicto de que a rotomoldagem irá crescer no Brasil nos próximos anos, ele chefia uma equipe formada por profissionais empenhados em desenvolver novas aplicações, prestar apoio e serviços de assistência técnica aos clientes e ainda contribuir para desenvolver mercados emergentes como o da construção civil.

Esse grupo empreendeu algumas visitas à Austrália para acompanhar desenvolvimentos consolidados naquele país, como cisternas de 20 mil litros até 25 mil litros, incluindo tanques para acondicionar volumes até 45 mil litros.

Segundo Castro, só o setor de fabricação de caixas-d´água rotomoldadas no Brasil consome em torno de 60% das 30 mil toneladas de polietilenos produzidas ao ano destinadas a esse processo e deve aproximar-se cada vez mais, segundo a expectativa dos técnicos, da realidade encontrada no Chile ou no México, onde o crescimento dos polietilenos foi rápido e já detém 100% do mercado de caixas-d´água rotomoldadas.

Outro bom motivo para acreditar na evolução da rotomoldagem brasileira é a retomada do setor agrícola, que poderá alcançar níveis de produção de safras comparáveis aos de 2003 e 2004, aumentando, portanto, a necessidade de fabricação de maior número de caixas de sementes, caixas para colheitadeiras, componentes para máquinas agrícolas, entre outros produtos nos quais a rotomoldagem já se consolidou.

“O que percebemos no mercado agrícola é a vontade muito grande dos fabricantes e usuários de substituir metais por polietilenos rotomoldados em vários produtos, como silos agrícolas, partes

estruturais de máquinas e bancos”, comentou Castro.

Uma das grandes novidades da Braskem para o mercado de rotomoldagem ainda está por vir, mas é prometida ainda para este ano. “Estamos finalizando os testes com uma nova resina de polietileno de média densidade linear (PEMDL), na unidade de Camaçari, na Bahia, que deverá apresentar característica de resistência ao stress-cracking muito superior à das resinas atuais, não rompendo, por exemplo, ao impacto a baixas temperaturas (-29ºC)”, afirmou. Esse nível de exigência, segundo ele, consta das normas americanas da ASTM e também fará parte da futura norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Com essa nova resina, poderiam ser rotomoldados tanques com capacidade acima de 2 mil litros. Também seriam atendidas as exigências técnicas para a produção de tanques de grandes dimensões, cisternas, tanques para químicos, tanques para fossas sépticas, peças para instalação aérea ou subterrânea, e ainda poderiam ser fabricados tanques para acondicionar 45 mil litros, tal qual os existentes na Austrália.

Castro promete para breve uma resina mais resistente ao stress-cracking

“Também estamos concentrando novos estudos em aplicações voltadas à rotomoldagem com o nosso polímero verde. De origem alcoolquímica, e tendo como fonte uma matéria-prima renovável, como o etanol, derivado da cana-de-açúcar, não teríamos limitações técnicas e conseguiríamos obter as mesmas propriedades dos polietilenos de origem petroquímica”, considerou Castro.

Tigre afia as garras – Os recursos e benefícios oferecidos pela rotomoldagem também estão se consolidando na Tigre. Sua adesão recente ao processo provavelmente ajudará a propagar a boa imagem dos rotomoldados e a influenciar positivamente todo o mercado, expandindo sua fabricação em todo o país. Essa é, pelo menos, a expectativa dos executivos e técnicos envolvidos com os novos projetos, prevendo maior número de incursões da companhia nesse processo, compartilhado cada vez mais por um número maior de empresas.

Referência nacional no consumo de plásticos como PVC e polietilenos e na tradicional produção de centenas de produtos, anos atrás, o grupo Tigre deixou frustrados muitos defensores da moldagem rotacional quando lançou a primeira linha de caixas-d’água injetadas, de alta produtividade, sem entrar no mérito da relação entre custo e benefício, principal bandeira da rotomoldagem, e que permite produções de mais baixo investimento.

Pois bem, agora, para aumentar a preocupação da concorrência e a satisfação daqueles que torcem para o crescimento do processo, a partir de março, usuários residenciais, prediais e industriais deverão encontrar no varejo de materiais para construção as primeiras caixas-d´água rotomoldadas de mil litros, com o “selo” Tigre de qualidade.

Fabricadas em Rio Claro-SP, no centro operacional de alta capacidade da companhia, e próximo às regiões de maior consumo, essas caixas-d´água constituem, na realidade, o terceiro projeto a ser concretizado de uma família de rotomoldados, antecedida por caixas-d´água de 310 litros e 500 litros, que começaram a ser produzidas no final de 2005.

Produzir caixas-d’água e reservatórios de maior capacidade por rotomoldagem necessariamente não implica desativar as linhas de injeção instaladas. “Nós daremos continuidade à produção pelos dois processos e caberá aos usuários finais sinalizar sua preferência por caixas-d’água injetadas ou rotomoldadas, mas de fato estamos apostando nessa tecnologia por causa do bom desempenho”, informou Paulo Gorayeb, gerente de produto da linha hidráulica da Tigre S.A. Tubos e Conexões, sediada em Joinville-SC.

Fabricadas em uma única camada de PEMDL em máquinas do tipo shuttle, as caixas rotomoldadas da Tigre oferecem um diferencial dimensional ao mercado porque apresentam baixa altura, compartilhando área de produção com os reservatórios injetados em PEAD.

Gorayeb produzirá caixas-d'água rotomoldadas e também injetadas

Durante vários anos, a Tigre abasteceu o mercado nacional e também países vizinhos com caixas-d’água injetadas em PEAD, fabricadas pelo processo “strutural foam”, que confere às peças alta resistência ao alongamento e à ruptura, além de elevada estabilidade à presença de químicos.

A injeção, contudo, começou a dividir espaço com a rotomoldagem porque propiciou à empresa aliar maior economia e qualidade em uma única solução. “Por meio da rotomoldagem, conseguimos fabricar caixas-d’água mais leves, de menor espessura e a custos mais competitivos”, informou Gorayeb.

Segundo o gerente, o grande entrave da baixa produtividade observada, no passado, nos equipamentos de rotomoldagem, em comparação com o ritmo acelerado da injeção, já não impõe tanta barreira, pela própria evolução das máquinas. “Os fabricantes de equipamentos introduziram muitas melhorias no processo nos últimos anos, permitindo a produção de rotomoldados com bom padrão de qualidade e a menor custo”, enfatizou.

A versatilidade oferecida pelo processo é outro ponto forte, capaz de convencer grandes empresas como a Tigre a dar continuidade aos investimentos feitos nesse setor. Futuros lançamentos de caixas-d’água de 750 litros e 1.500 litros, entre outras novidades, já foram programados e não deverão tardar para chegar ao mercado.

Do México para o Brasil – Dispostos a manter a maior distância possível da concorrência chinesa, José de Jesús Villanueva Urtis e Luis Roberto Martinez Carabantes, respectivamente presidente e gerente-geral da Tick Tack Toys, uma das mais tradicionais empresas de brinquedos do México, especializada em bonecas rotomoldadas com PVC, com 25 anos de atuação, escolheram o Brasil como sede do seu primeiro empreendimento fora do México. Trata-se da segunda unidade fabril da Tick Tack Toys, em Americana-SP. Com produção totalmente direcionada à rotomoldagem, a Tick Tack Toys, empresa do grupo Muñecas Jovi, pretende inicialmente produzir dois modelos de carrinhos para passeio em PEMDL para o público infantil.

“A nossa estratégia é fabricar brinquedos de maior volume para evitar a concorrência com os brinquedos chineses”, revelou Urtis, em visita à Rotomec, onde adquiriu uma nova rotomoldadora do tipo shuttle, máquina para comportar dois carros, com composições de braços porta-moldes e sistema de resfriamento para regulagem de vazão a ar/água. Na ocasião, o empresário

Polietileno linear da média densidade molda carrinho

revelou grande entusiasmo por poder dar início à produção fora do México, provavelmente a partir de maio, direcionada às crianças, e com potencial de consumo bem mais atrativo em relação àquele país, uma vez que a população brasileira é quase duas vezes mais numerosa do que a mexicana, hoje avaliada em cem milhões de habitantes.

Detentora de larga experiência na produção de carrinhos rotomoldados – é praticamente a única fabricante desse tipo de brinquedo no México –, a Tick Tack Toys, com apenas quatro anos de atuação, tem se destacado no fornecimento ao mercado mexicano de 200 mil unidades ao ano para importantes redes de varejo e de auto-serviço, lojas especializadas e grandes atacadistas.

“No Brasil, nossa produção estará inicialmente voltada a dois modelos de carrinhos: o modelo F1 Car, em alusão à Fórmula 1, e que vem com buzina acoplada ao volante que, ao ser acionada, reproduz o mesmo som dos escapamentos dos carros de corrida, e o modelo minicar, dimensionado para crianças até três anos de idade.”

Urtis investe na fabricação de brinquedos de maior volume

Mercados dinâmicos – Atuar no mercado de rotomoldagem de brinquedos de PVC plastisol também exige muita dedicação dos fabricantes. Eles devem estar sempre atentos à variedade de itens a ser lançada pelo menos uma vez por ano para atender o público infantil.

Com produção em grande parte voltada a atender os licenciamentos negociados com empresas nacionais bem conhecidas, como Cultura Marcas, Maurício de Souza, Mila & Co., e internacionais como Warner Bros, a Teorema, de Guarulhos-SP, além de lançar de tempos em tempos brinquedos sob sua marca própria, a Alpha Brinquedos, não deixa de enfrentar “sazonalidades”, como qualquer outro fabricante desse ramo, e, por isso, começou a abrir espaço para a diversificação das linhas, rotomoldando também PE, e oferecendo ao mercado a possibilidade de trabalhar com terceirização da produção.

 

 

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