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Determinados a expandir
o mercado de atuação,
os processadores apostam
nos polímeros especiais
Texto de Rose de Moraes e fotos de Cuca Jorge |
A
rotomoldagem cresce no campo dos polietilenos lineares e dos plásticos de
engenharia. Polietilenos reticuláveis, náilons e até policarbonato começam a
ser testados e deverão ser utilizados em componentes técnicos fabricados no
país. Caberá ao rotomoldador brasileiro apressar o passo, caso queira
inserir-se na concorrida disputa pelos melhores filões de negócios que estão
surgindo nos setores de componentes de máquinas para construção civil e de
máquinas agrícolas.
Até o final deste ano, empresas nacionais poderão se tornar fornecedoras
globais de componentes rotomoldados para a Caterpillar Inc. Antes, porém,
será preciso comprovar competência e capacitação técnica para processar
componentes com polietilenos especiais, como o cross-link, e plásticos de
engenharia, como o náilon, que já estão sendo incorporados aos novos modelos
de máquinas motoniveladoras e carregadeiras de rodas, inicialmente com
componentes importados.
“A política atual da Caterpillar é reduzir a base mundial de fornecedores,
mas é bom frisar que o rotomoldador brasileiro tem de estar apto e muito bem
estruturado para ser um fornecedor mundial”, informou Carlos Eduardo
Cappelaço, comprador do departamento de compras globais da Caterpillar
Brasil.
Considerada uma das maiores fabricantes mundiais de máquinas e equipamentos
pesados utilizados em operações de terraplenagem e escavações,
imprescindíveis na execução de obras de construção de rodovias, ferrovias,
aeroportos, usinas hidrelétricas, mineração e na agricultura, a Caterpillar
há exatamente 48 anos fincou raízes no Brasil, escolhendo o país para
realizar seu primeiro empreendimento fora dos Estados Unidos, ao iniciar a
fabricação local de máquinas.
A possibilidade de rotomoldar para a Caterpillar, porém, deverá envolver
disputa acirrada entre vários competidores locais e globais. O projeto de
desenvolvimento de componentes não-metálicos da companhia é bem abrangente e
terá largada com a escolha de fornecedores voltados à fabricação de
componentes rotomoldados. Em uma segunda fase, deverá incluir fornecedores e
transformadores de componentes injetados, soprados, em compósitos (PRFV),
entre outras tecnologias.
“Esperamos concluir o processo de seleção até o final de 2008 e estamos
trabalhando atualmente no Brasil com duas empresas rotomoldadoras, mas três
outras também se candidataram e já passaram por uma pré-seleção. Nossa
intenção é desenvolver peças com fornecedores locais, mas as empresas
brasileiras deverão comprovar capacitação técnica, contar com bons
maquinários e com certificação de qualidade, ter plano logístico
estruturado, estar em conformidade com a ISO TS (certificação exigida aos
fornecedores das indústrias automobilísticas), apresentar custos
competitivos, exigências, enfim, muito rígidas, comprovando que a empresa
está apta a ser uma fornecedora global da Caterpillar”, detalhou Cappelaço.
As primeiras máquinas a contar com componentes rotomoldados em substituição
aos metais são as carregadeiras de rodas, modelos 924 G e 938 H. Fabricadas
no parque industrial local da companhia, instalado em Piracicaba-SP, as
carregadeiras de rodas constituem máquinas muito utilizadas em operações de
valetamento, escavações e carregamento de caminhões.
Tanto a matéria-prima a ser utilizada como o processo de rotomoldagem foram
especificados pela matriz. No primeiro caso, trata-se do polietileno
cross-link, polímero com cadeias químicas de ligações cruzadas, extremamente
resistente a impactos e ao fogo, e também capaz de oferecer total
estanqueidade aos fluidos nele acondicionados. Quanto ao componente,
trata-se da nova concepção em tanques rotomoldados para combustíveis, para
acondicionar cerca de 350 litros de diesel.
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“Estamos
substituindo os tanques de combustíveis até então produzidos em aço por
tanques rotomoldados em polietileno cross-link. O novo material só não é
dobrável, mas provê características de desempenho semelhantes às do aço,
sendo compatível em termos de custos, além de oferecer a vantagem de ser
mais resistente à corrosão e apresentar estabilidade química superior à
dos polietilenos convencionais”, comparou Danilo B. Cunha, engenheiro de
produto da Caterpillar Brasil. Cappelaço lembra que o polietileno
cross-link também constitui o material mais adequado para atender a uma
característica muito importante para a Caterpillar: fabricar máquinas
com total segurança. |
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Polietileno cross-link substitui o aço em tanque de combustível |
A busca de
novos parceiros também tem por mira encontrar fornecedores de náilon, bem
como rotomoldadores aptos a operar com esse polímero, prevendo substituir o
aço na fabricação de tanques para acondicionar 60 litros de óleo hidráulico.
Os novos tanques já estão integrados às atuais versões de motoniveladoras,
máquinas de alta produtividade freqüentemente utilizadas na construção e
conservação de estradas, na agricultura e em obras de terraplenagem.
“Por enquanto, cinco empresas se candidataram e participaram da pré-seleção.
É bom esclarecer, contudo, que a Caterpillar tanto poderá escolher uma
delas, duas, três, quatro, cinco ou mesmo nenhuma, de acordo com os
critérios estabelecidos pela matriz”, informou Cappelaço, naturalmente com o
intuito de não dar falsas esperanças aos candidatos. “De todo modo” –
continuou ele – “teremos a chance de contatar fornecedores e fabricantes que
talvez possam participar de futuros desenvolvimentos.”
Os maiores desafios para os rotomoldadores locais estão voltados, nesse
momento, à produção de componentes em náilon e em polietileno cross-link,
áreas ainda pouco dominadas pelas empresas brasileiras do setor.
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Esse não
é o caso, porém, de muitas dezenas de componentes rotomoldados há mais
tempo com o uso de polietilenos lineares, como dutos de ar,
reservatórios de fluidos e componentes de painéis de controle existentes
nas cabines das máquinas. “Os componentes rotomoldados têm integrado as
versões mais modernas das máquinas e essa é uma tendência mundial de
utilização cada vez maior de componentes não-metálicos na concepção de
máquinas”, informou Cunha.
Para se ter uma idéia da importância dessa tecnologia para esse setor, o
engenheiro considerou que a rotomoldagem já ocupa o segundo lugar entre
os processos mais representativos voltados à fabricação de componentes
não-metálicos na companhia, empatando com a injeção, e só perdendo para
as aplicações em PRFV, pois em 80% dos casos, tecnicamente, ainda não
foi possível promover substituições, como nos componentes utilizados nos
compartimentos de motores. |
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Cunha:
componentes de máquinas tendem a empregar mais plástico |
Exemplo
australiano – Com consumo anual per capita de 6,8 kg de polietileno, a
Austrália se tornou território firme e fértil para o desenvolvimento da
rotomoldagem. Maior referência internacional em volume de polietilenos
rotomoldados – são 140 mil toneladas/ano, para atender pouco mais de 22
milhões de habitantes –, os australianos se contrapõem, por enquanto, aos
brasileiros, que somam 190 milhões e consomem apenas 150 gramas/habitante de
resinas para rotomoldagem. Quanto à qualidade dos materiais, os comentários
também não poderiam ser melhores. A Austrália rotomolda tanto que a
petroquímica local não consegue dar conta da demanda interna e tem de
importar resinas. Construindo fama, a Austrália recebe centenas de
visitantes rotomoldadores, oriundos de todas as partes, técnicos e
especialistas interessados em se aprofundar no manejo dessa tecnologia e
comprovar a durabilidade dos materiais lá rotomoldados que, mesmo expostos
às intempéries, alcançam vida útil superior a trinta anos.
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