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Rearranjo petroquímico
força também o
varejo
a promover fusões e ganhar
musculatura para competir
Texto de Simone Ferro e fotos de
Cuca Jorge |
As
recentes mudanças ocorridas no setor petroquímico nacional certamente vão
alterar o cenário da distribuição brasileira de resinas. Basta saber como as
operações dos dois fornecedores, a Braskem e a empresa provisoriamente
chamada de Companhia Petroquímica do Sudeste (CPS), refletirão no varejo a
médio e longo prazo. A primeira alteração será a redução no número de
distribuidores, arriscam os especialistas do setor, para os quais algumas
fusões ocorridas desde o ano passado já esboçam o
novo desenho da distribuição.
Em outubro, a SPP Resinas e a Clion uniram forças a fim de reduzir custos,
aumentar a eficiência operacional e aperfeiçoar o atendimento ao mercado
transformador. Em janeiro, Piramidal, Ruttino e Polimarketing deram origem à
nova Piramidal, cujas operações vão movimentar mais de 100 mil toneladas de
resinas por ano.

Estima-se ainda que a nova Piramidal terá 19% de participação no mercado
brasileiro de distribuição e 24% nos volumes do sul e sudeste do país,
conforme informações divulgadas no site da empresa. Os números garantem o
título de maior distribuidora da América Latina.
No fechamento desta edição, a família Antunes, que detinha 33% de
participação na Mais Polímeros, anunciou a compra do restante das ações e
assumiu o controle total da empresa.
A Muehlstein Internacional, há pouco, anunciou as últimas ações para
consolidar sua integração com o grupo Ravago, realizada no primeiro semestre
de 2007. A fusão criou o maior grupo de distribuição e fornecimento de
compostos do mundo, com vendas anuais de 3,6 milhões de toneladas e
faturamento acima de US$ 5,5 bilhões em 2007. A participação da América
Latina ficou em torno de 500 mil toneladas, com faturamento de US$ 840
milhões.
Entre as ações anunciadas está o alinhamento de todas as companhias do
grupo, nos vários países em que atua, em virtude dos negócios existentes e
do novo portfólio de produtos e serviços a serem oferecidos. Com isso, a
distribuição de resinas nas Américas estará sob a marca Entec, e a
Muehlstein passa a se chamar Ravago do Brasil. As mudanças ocorreram a
partir de fevereiro.
Juntas, SPP e Clion movimentaram, no ano passado, 53 mil toneladas de
resinas, entre commodities e especialidades. “Houve um crescimento de 10% em
volumes em relação a 2006”, afirma Carlos Belli, diretor-comercial, da SPP
Resinas.
A SPP, aliás, se mantém como a principal distribuidora da ex-Suzano
Petroquímica, atual Nova Petroquímica, mudança ocorrida após a aquisição da
Suzano pela Petrobras. “A tendência em qualquer setor da economia é buscar
eficiência, baixar custos e aumentar escala. Portanto, considero natural a
diminuição do número de distribuidores nos próximos anos. Apenas as empresas
com forte presença na América do Sul deverão cumprir o papel de distribuidor
petroquímico.”
Na avaliação de Belli, o setor está preparado para mudar de patamar, não só
na eficiência e escala, mas sobretudo na gestão. “Está acabando a época dos
donos de revenda e distribuidores que, de forma amadora, conquistam mercados
e clientes. Entendo que as operações deverão ser muito mais
profissionalizadas e focadas na eficiência, ética, lucratividade e
transparência, conferindo segurança para quem compra e para quem vende.”
Dessa opinião compartilha o diretor da Fortymil, Ricardo Mason, que também
aposta no redimensionamento do número de distribuidoras por bandeira. “A
petroquímica vai buscar um modelo mais eficiente de distribuição de seus
produtos. Um número muito grande de distribuidores conflita com o modelo de
gestão das próprias companhias.” Mason defende, ainda, que a reestruturação
da petroquímica reforça a tendência de uniformidade nos preços e no
abastecimento para o setor de distribuição.
O gerente-comercial da área de polímeros da Unipar Comercial, Jaime Utrera,
acredita que a reestruturação do setor petroquímico vai forçar a readequação
de algumas revendas e distribuidores. “Quem ficar de fora da distribuição
oficial vai buscar outras alternativas e nichos que sustentem a sua
operação. Essa é a nova realidade do mercado nacional.”
Mercado abastecido – A garantia de fornecimento de resinas
termoplásticas é outro ponto bastante debatido. O aumento da escala de
produção das duas companhias sustentará o aquecimento da economia nacional e
evitará problemas em virtude das paradas programadas de três centrais de
matérias-primas, de acordo com as previsões do Sindicato da Indústria de
Resinas Plásticas (Siresp). “A reestruturação da petroquímica nacional
acompanha o cenário internacional de mercado. Estamos
ingressando em uma nova era, com a operação de dois gigantescos produtores
de polipropileno e polietileno”, declara a gerente-comercial da Mais
Polímeros, Simone Bittar Daher.
Na avaliação de Simone, a ampliação da escala vai contribuir para aumentar a
competitividade do setor. “Trabalhamos lado a lado com a petroquímica,
buscando maior participação de mercado e nos preparando para as paradas, a
fim de atender a todos os clientes”, afirma. “A petroquímica brasileira se
fortaleceu muito com a reestruturação e se tornou competitiva globalmente”,
opina o diretor-comercial da Apta Resinas, Marcelo Berghahn.
O resultado, na avaliação do executivo, será a maior estabilidade no
abastecimento do mercado nacional, tanto diretamente quanto por meio dos
distribuidores. “Esperamos também o nivelamento dos preços, pois
internamente as resinas commodities ainda são mais caras em relação à
cotação internacional.”
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