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Segundo o gerente da empresa, a Tecnol não fabrica lentes corretivas. De
qualquer forma, as armações com finalidade oftalmológica saem “completas” da
fábrica. “Todas são equipadas com lentes de demonstração. Elas ajudam os
consumidores a escolher os óculos que mais os agradam na hora da compra e
também servem como padrão de formato para os fabricantes das lentes
corretivas”, explica. As lentes de demonstração são produzidas com acrílico
pelo processo de injeção.
Lentes corretivas – A produção das lentes corretivas é um capítulo à
parte dentro da indústria dos óculos, pois requerem polímeros especiais, com
propriedades ópticas especiais. As lentes quase sempre são fabricadas por
empresas especializadas, dotadas com maquinários específicos. O processo
envolve várias etapas e é conhecido como surfaçagem.
Vale lembrar que no passado o vidro reinava absoluto na fabricação de lentes
corretivas. Os polímeros existentes não apresentavam propriedades adequadas
para a aplicação. O maior problema era a propriedade óptica, que permitia
apenas a produção de lentes demasiadamente espessas e sujeitas a riscos.
No início da década de 70, chegaram ao Brasil os primeiros materiais
plásticos desenvolvidos para essa finalidade. Suas formulações permitiam a
produção de lentes com espessura similar às feitas de vidro. Como os
polímeros apresentam densidade menor, os óculos com lentes plásticas se
tornaram mais leves, proporcionando maior conforto ao usuário. O problema da
pouca resistência aos riscos foi superado com a sofisticação das formulações
e o uso de vernizes especiais.
Outras vantagens também foram decisivas para o avanço do plástico nesta
aplicação. Uma delas é sua resistência à quebra, muito superior à do vidro.
Além disso, as lentes em plástico podem ser pintadas, conferindo aos
designers mais opções estéticas na hora de desenvolver um projeto. “Com o
passar dos anos, houve grande transformação nos laboratórios especializados
em lentes corretivas. Todos investiram na aquisição e adaptação de
maquinários e processos para trabalhar com o plástico. Hoje, os polímeros
dominaram esse mercado”, informa José Barros Lira Neto, sócio da Surfnew,
empresa há vinte anos especializada em surfaçagem. Com 120 funcionários,
produz de 20 mil a 22 mil lentes corretivas por mês.
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Entre os
materiais especiais hoje mais usados para a produção de lentes, Lira
destaca, em primeiro lugar, o polímero CR39. Trata-se de uma
matéria-prima resistente a quedas e pequenos impactos, com grande
facilidade de ser pintada e boa resistência a solventes químicos, além
de contar com preço competitivo.
O policarbonato ocupa a segunda posição, por sua grande resistência a
impactos. Em compensação, é sensível a solventes químicos, casos do
álcool e da acetona. Também pode ser arranhado com facilidade e para ser
aproveitado pela indústria óptica |
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Lira:
plástico revolucionou o mercado |
requer a
aplicação de um verniz anti-riscos. Outro problema do policarbonato: é
sujeito a distorções nas cores e só aceita pintura com tintas impregnadas no
verniz protetor. Também é mais caro que o CR39.
Em terceiro lugar entre os polímeros aproveitados na produção de lentes
surge o trivex. Com resistência semelhante à do policarbonato, tem as
vantagens de não ser sensível a solventes químicos e não distorcer as cores.
Também exige a aplicação de vernizes, pois possui pouca resistência a
riscos. “Existem vários outros polímeros no mercado, casos do stilys, sola
lite e superfin. São polímeros novos e de grande qualidade, mas ainda pouco
usados e com preços elevados”, acrescenta Lira. Todos esses polímeros chegam
aos laboratórios de surfaçagem em blocos, com formatos adequados para as
futuras operações de usinagem destinadas à transformação em lentes.
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Surfaçagem – O processo de fabricação das lentes corretivas requer
uma série de operações executadas dentro de rigorosos padrões de
qualidade. Tudo começa pela escolha do bloco. “Existem mais de cem
tipos de blocos fabricados com diferentes polímeros. Para cada tipo de
lente corretiva existem blocos com propriedades ópticas mais
adequadas”, conta Lira. A escolha se dá com base no formato da armação
e considera, entre outros quesitos, o índice de refração do polímero
com o qual a lente será produzida, fator determinante da espessura da
peça, compatível com o grau de visão desejado.
Uma vez selecionado, o bloco recebe um filme aderente para proteger a
superfície. Em seguida, é colocado nele um dispositivo que permitirá
sua acoplagem a uma máquina de usinagem com comando CNC. Nessa
máquina, o bloco é desgastado até adquirir a curva correspondente à
receita oftálmica. “Ao sair da máquina, o bloco já é uma lente”,
explica Lira.
A próxima etapa, a do pré-acabamento, corresponde a um polimento
executado por um abrasivo sintético. A operação é realizada em uma
máquina de elevada velocidade, em regime de baixa temperatura – na
faixa entre 6ºC a 8ºC. A lente, então, recebe |
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uma lavagem
feita em equipamento abastecido com tanques de detergente com formulação
especial e água desmineralizada. Depois sofre um processo de secagem por
gravidade.
Em seguida, também em máquinas dotadas com comando CNC, a lente é cortada no
formato da armação. Por fim, ocorrem operações de conferência e limpeza,
aplicação de camada de verniz anti-risco e, no caso de lentes coloridas, da
pintura. “Usamos 13 cores básicas de tintas à base de anilina, que podem ser
misturadas de acordo com o tom desejado”, diz. A lente está pronta para ser
montada na armação.
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