|
|

Vitopel injeta US$ 50 mi
em nova fábrica de BOPP
Disposta
a intensificar o seu poder de fogo para enfrentar os desafios impostos pela
nova realidade competitiva mundial, a Vitopel, maior fabricante de filmes de
polipropileno biorientado (BOPP) da América Latina e terceira maior do
mundo, toca projetos ambiciosos de crescimento. Como primeiro passo, seus
controladores levaram para a cadeira da presidência o executivo José Ricardo
Roriz Coelho, profissional com 25 anos de atuação no setor petroquímico e
ex-presidente da Suzano Petroquímica e atual presidente do Sindicato da
Indústria de Resinas Plásticas (Siresp), reeleito para o triênio 2007/2010.
Em suas mãos, confiaram planos de implementar nova fase de crescimento e
consolidação. A intenção é aproximar-se da líder mundial no ramo (a
americana ExxonMobil).
O passo em direção a esses objetivos começa ainda neste ano, com a injeção
de US$ 50 milhões na construção de uma nova fábrica, de 45 mil toneladas
anuais. Com esse empreendimento, a capacidade produtiva da Vitopel vai
beirar as 200 mil toneladas anuais, o que a colocará muito próxima da
primeira do ranking mundial.
A empresa totaliza atualmente 150 mil toneladas anuais e conta com nove
linhas de produção de filmes flexíveis, distribuídas em três unidades
industriais: uma em Totoral, na Argentina, e duas no Brasil. Naquele país, a
fábrica dispõe de três linhas e capacidade média de 32 mil toneladas anuais.
As outras duas se situam em Mauá-SP, que triplicou sua produção em 2001 com
a instalação de uma nova linha, atingindo 43 mil toneladas/ano, e em
Votorantim-SP (ex-Votocel, adquirida do grupo Votorantim, em 2005), onde sua
produção atinge 75 mil toneladas/ano. “Essa unidade conta com a linha mais
veloz do mundo”, ressalta Roriz.
|
De sua produção, 64% segue para os segmentos de embalagens, 20% para
rótulos e etiquetas, e o restante para os setores de gráfica e de
comunicação visual. Os filmes de BOPP têm atingido elevados índices de
crescimento nos últimos anos, entre outros motivos, porque agregam
valor ao produto final. São encontrados nas embalagens para balas e
doces, sorvetes, chocolates, biscoitos, sopa desidratada, suco em pó,
snacks, rótulos, laminação de papéis, entre diversos outros itens.
Um diferencial da produtora é possuir a única planta piloto e centro
de pesquisa e desenvolvimento de filmes de BOPP da América Latina, o
que lhe propicia avanços constantes e soluções em filmes flexíveis
para as mais diversas demandas do mercado. |
   |
|
Filmes se transformam em embalagens e rótulos |
Os projetos de crescimento da empresa também contemplam a aplicação de US$ 5
milhões na compra de uma nova linha de produção para filmes metalizados,
outro mercado em franca ascensão, na opinião de Roriz. Segundo ele, essa
tecnologia reverte em produtos mais resistentes, com menor espessura e maior
barreira, sinônimo de melhor conservação dos alimentos.
Essas características constituem, a propósito, as principais tendências
mundiais no mercado de embalagens, na visão do empreendedor. “O setor está
para embalagens mais leves, finas e com maior performance; além de
transparência, fundamental para a visualização dos produtos, e barreira,
condição preponderante para a conservação dos alimentos.”
Os planos incluem expandir também o portfólio. Roriz revela a intenção de
incrementar a produção com novos materiais como termoencolhíveis, filmes
stretch, co-extrudados para carnes e embutidos, além de outros
desenvolvimentos em maturação, a fim de conquistar novos mercados. “É
inadmissível que 100% do mercado de carne embalada seja abastecido com filme
importado”, diz o presidente, que enxerga o Brasil como futuro maior
produtor de grãos e pecuária do mundo e vislumbra negócios promissores para
as embalagens de alto valor agregado na exportação desses produtos.
“A nova unidade adicionará ao parque industrial da Vitopel o que há de mais
moderno em tecnologia de produção de filmes flexíveis e dará suporte à
liderança da empresa na América Latina”, declara Roriz. O consumo dessa
região cresce em ritmo acelerado. No ano passado, alcançou cerca de 11%,
ultrapassando o desempenho brasileiro, da ordem de 10%.
A Vitopel ainda estuda o local da nova fábrica, cogitado entre São Paulo,
Rio de Janeiro, Tocantins e Amazonas. Para Roriz, São Paulo seria a melhor
localização, mas a decisão será pautada pelos incentivos fiscais. “A guerra
fiscal tem desequilibrado a melhor alternativa de localização.” A carga
tributária é tamanha que a instalação em regiões mais distantes dos
fornecedores de matérias-primas e do mercado ainda compensa. O início das
operações da nova unidade é previsto para o final de 2009.
O mercado nacional responde por 60% do consumo sul-americano de embalagens
flexíveis. A demanda doméstica de BOPP gira em torno de 100 mil toneladas
anuais. Segundo o executivo, o segmento avançou 15% ao ano entre 1997 e
2001, e 9% a partir de 2002. Pelas projeções, deve ir além dos 11% neste
ano.
Na opinião do presidente da Vitopel, o cenário econômico é muito favorável
para os negócios da empresa, com a previsão de uma safra recorde e o mercado
interno aquecido. “A eleição é outro exemplo de oportunidade para maior
comercialização de filmes para comunicação visual e de uso gráfico”,
pondera.
Momento de transformação – O trocadilho vale para a indústria
brasileira da terceira geração petroquímica, incitada a seguir os movimentos
de consolidação da primeira e da segunda geração, caso pretenda acompanhar o
novo ciclo mundial da indústria do plástico, caracterizado pela altíssima
competitividade. Esse arrastão não poupa os transformadores. Grandes
produtores de petróleo, os países do Oriente Médio rumam à liderança mundial
em petroquímicos, com escalas gigantescas. Nesse contexto, a China se lança
como o centro produtivo global de transformados plásticos.
No entender de Roriz, a competência da indústria nacional do plástico
depende do fortalecimento dos três elos da cadeia. O primeiro e o segundo se
mobilizaram e empreenderam as mudanças necessárias. Falta, agora, o terceiro
tripé. Para o presidente da Vitopel, a receita para a transformação ganhar
eficiência requer os seguintes ingredientes: acesso a matérias-primas com
custos competitivos, escala de produção, investimento em inovações e em
gestão de qualidade de classe mundial, além de internacionalização.
Roriz declara sua intenção de parceria com os fabricantes locais de resinas,
tanto no Brasil como na Argentina, mas ressalva: “Nossos parceiros precisam
ter consciência e a exata dimensão de que nós precisamos ser competitivos,
caso contrário, o Brasil vai importar filmes já prontos de regiões mais
competitivas e os nossos parceiros brasileiros vão exportar resina com baixa
competitividade, porque dezenas de milhões de toneladas de novas resinas vão
ser adicionadas no mercado, em plantas a serem inauguradas ainda em 2008 no
Oriente Médio.”
A Vitopel oferece um cardápio completo de grades de polipropileno
biorientado, em espessuras diferentes e diversos tamanhos de bobinas. “Temos
praticamente todas as especificações de BOPP”, informa Roriz. As nove
linhas, na opinião dele, conferem à empresa uma vantagem: dispor de uma
ampla variedade e troca de produção facilitada.
Criada em 1988, a Vitopel é controlada pelos fundos de investimentos dos
bancos JP Morgan, Chase e CSFB. A fabricante exporta cerca de 40% de sua
produção para a América do Sul, América Central, Estados Unidos e diversos
outros países ao redor do mundo. Pelos projetos anunciados, a empresa vai
esbarrar na líder mundial, deixando a entender que o topo é o limite.
M.A.S.R.
|
|