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Para viabilizar
suas estratégias, a Cytec vai além do discurso e apresenta novidades em sua
linha Cyanox. Essa família de produtos possui os tradicionais fenólicos e os
tioésteres (antioxidantes secundários que junto com os fosfitos são os mais
comuns nessa categoria), mas traz como principais destaques as blendas. Um
exemplo fica por conta da Cyanox 2777, uma blenda fenólico/fosfito que
fornece alta resistência ao surgimento de cor. Outro ponto favorável se
refere ao seu excelente desempenho no que tange à proteção do polímero desde
o seu processamento até a peça já transformada, de acordo com Martins.
Da mesma família, porém mais potente, há o Cyanox XS4. Designado para fios e
cabos, fibras e tubos, entre outros, o produto se destina a todas as
aplicações em que as condições de processamento são muito extremas, nos
quesitos temperatura e cisalhamento. “É para um meio muito agressivo”,
explica Martins. Um dos pontos fortes desse antioxidante está na sua
resistência ao gás-fading – amarelecimento resultado da interação entre o
fenólico e o óxido de nitrogênio, problema recorrente enfrentado pelas
petroquímicas.

Entre os
fenólicos, o destaque da Cytec fica por conta do Cyanox 1790, um aditivo
desenvolvido para aplicações especiais. De acordo com Martins, o
antioxidante foi desenhado para altas temperaturas – atua na faixa entre
300ºC e 400ºC – e se mostra como um excelente caçador de radicais livres,
além de ter alta resistência ao gás-fading. Outra característica se refere à
sua baixa volatilidade.
Potencial – Os novos investimentos dos fabricantes de antioxidantes
não são à toa. Levantamento divulgado pela Ciba revela que a demanda global
de aditivos para plásticos, em 2006, era de 24 bilhões de dólares. Desse
total, os antioxidantes participam com 7%. Os plastificantes detêm a maior
parcela, com 41%. Esses dados são da Townsend Polymer Services & Information,
de Houston. No caso específico dos antioxidantes, estimativa de Lopes revela
que o mercado mundial desse aditivo
varia, ao ano, entre 170 mil e 200 mil toneladas.
A Songwon Industrial, da Coréia do Sul, realizou uma projeção global da
demanda de antioxidantes, entre 2005 a 2010. A previsão é de que, durante
esses cinco anos, a África, a Índia e a China se tornem as principais
responsáveis pelo incremento do mercado de antioxidantes, pois, nessas
regiões, haverá crescimento de 11,1%, 10% e 7,5%, respectivamente. O mercado
geral de aditivos para plásticos segue o mesmo rumo. O crescimento do
consumo global gira em torno de 4% ao ano, sendo que a Ásia
detém a pole position nessa arrancada. A demanda chinesa, por exemplo,
avança entre 8% e 10% ao ano, segundo dados da Townsend Polymer Services &
Information .
A América do Sul não fica muito atrás, segundo a Songwon Industrial. A
região também deve contribuir de forma significativa com o mercado de
aditivos, pois irá crescer em vendas cerca de 5%, em um período de cinco
anos (2005/2010). Os Estados Unidos e a Europa não apresentarão, no
acumulado, muitas modificações. Mas esta estagnação é fácil de entender.
Consolidadas, essas duas regiões movimentam juntas, hoje, cerca de US$ 850
milhões. A soma das vendas da China e da Índia não chega a US$ 300
milhões.
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Atualmente,
existe uma folga entre a procura e a oferta de antioxidantes no mundo.
De acordo com dados da Songwon Industrial, a demanda deste ano é de
cerca de 160 mil toneladas para uma capacidade instalada de 175 mil
toneladas. Porém, esse cenário deve sofrer alterações. A previsão é de
que, em 2010, a procura aumentará, a ponto de quase se equiparar à
capacidade instalada do setor. “Se não houver continuidade na produção,
em 2010, demanda e oferta poderão empatar, o que deve levar a
uma explosão dos preços”, afirma Francisco Neves da Rocha, diretor da
Nexo International, empresa brasileira responsável pela distribuição e
representação da Songwon Industrial no Mercosul. Essa previsão estimulou
a Songwon a preparar, de antemão, sua mais nova planta, localizada em
Maeam, na Coréia, para, em 2010, duplicar sua capacidade instalada.
Prova do interesse em crescer no mercado de antioxidantes se vê nas
recentes ações do fabricante de aditivos Songwon International. A
companhia anunciou novos investimentos e a interrupção de acordo com a
suíça Clariant. Desde janeiro deste ano, a empresa coreana atua sem
intermediários na |
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Rocha
prevê explosão do preço dos antioxidantes |
comercialização de
sua linha de antioxidantes no Ocidente, como uma intenção clara de se tornar
uma das principais líderes de seu segmento. Outra iniciativa se deu com a
criação de uma nova
companhia para fazer seu marketing global e, dessa forma, assumir por
completo a comercialização dos antioxidantes da marca Songwon também no
Ocidente.
O objetivo da Songwon de estar na dianteira no ranking dos fabricantes de
antioxidantes também se sustenta no investimento de US$ 120 milhões, para a
construção da fábrica de Maeam. Com esse aporte, sua capacidade produtiva
total passou de 20 mil t/ano para 55 mil t/ano – são 25 mil t/ano da planta
de Ulsan, na Coréia, e 30 mil t/ano, de Maeam. Apesar do antioxidante não
configurar um setor dinâmico, há aumento de capacidade à vista. Se realmente
dobrar a produção, como previsto, para 2010,
a companhia poderá abastecer o setor com até 85 mil t/ano de antioxidantes.
De certo o que existe é o investimento de US$ 20 milhões na planta de Maeam,
para a produção de isobutileno (IBL) de alta pureza. Essa será a primeira
produção em larga escala de IBL baseada no craqueamento catalítico do
t-butanol (TBH). A atividade deve entrar em operação no início de 2009.
“Dessa forma, não dependeremos mais de fornecimento externo”, conclui Neves.
A empresa já produz alquilfenóis (matéria-prima para a produção do
antioxidante fenólico).
Desde o início das vendas dos antioxidantes da Songwon no Brasil pela Nexo
International, em setembro passado, o estoque de produtos para
pronta-entrega tem aumentado. O primeiro passo se deu com a apresentação da
empresa no mercado nacional, com o portfólio de commodities, para depois
avançar para as especialidades. Para complementar essa categoria de produtos
para aplicações especiais, a empresa lançou na K 2007 (exposição realizada
em outubro, na Alemanha) o Songnox 1290, um
antioxidante fenólico, e o Songnox 6280, um fosfito de alto desempenho
estável à hidrólise. Segundo Neves, a principal característica do 1290 é sua
excelente capacidade de prolongar a vida útil da peça transformada.
Outras novidades do fabricante coreano despontam na forma dos sistemas de
aditivação. Para este ano, a empresa reserva o fornecimento de blendas
compactadas granuladas – até o ano passado, o produto era fornecido em pó.
Com a parceria da empresa Chemson, a Songwon segue a iniciativa de outras
companhias de vender sistemas de aditivos. São formulações taylor made,
feitas sob medida para as petroquímicas, por meio das especificações das
mesmas. “As petroquímicas perceberam que é mais
econômico para elas entregar a logística do sistema de aditivação para uma
empresa”, comenta Neves. A capacidade instalada desses produtos, chamados de
OPS na Songwon, é de 3 mil t/ano.
De acordo com Neves, quando as patentes da Ciba, sobretudo da linha Irganox,
começaram a cair, a Songwon foi a primeira empresa a produzir os
antioxidantes em grande escala. Ele conta que há cerca de dez anos, quando
as patentes expiraram, houve uma avalanche de fabricantes. No entanto,
abarrotado, o mercado passou por uma depuração natural, desde a qual só
permaneceram algumas empresas. “Houve muitos casos de empresas asiáticas que
não conseguiram se firmar”, lembra Neves. Para Lopes, desde então, o setor
também sofreu mudanças quanto aos valores dos aditivos. Com o
desenvolvimento das cópias, o preço caiu, por causa do aumento da oferta.
Evolução – Ao longo dos anos, também houve mudanças em relação à
quantidade do aditivo nas formulações. A título de comparação, segundo o
gerente de vendas da Polymer Additives Brazil da Cytec, Cássio Martins,
enquanto se usava, no passado, até 2% do hidroxitolueno butilado (BHT) em um
produto, hoje, é possível usar 0,15% de um antioxidante de alto desempenho.
Para o gerente, esse mercado pode ser visto sob o ponto de vista de uma
linha evolutiva. O BHT vendido sob a marca Ionol remonta ao passado. Esse
fenol trissubstituído caracterizou a primeira geração entre os primários. No
entanto, apesar de eficiente contra a temperatura, apresentava muitos
problemas em relação à geração de cor. Para corrigir essa falha, surgiram os
antioxidantes primários fenólicos da família Irganox 1010, desenvolvidos
pela Ciba Geiger, na época, e em seguida, do mesmo fabricante, o Irganox
1076.
O desenvolvimento das moléculas, segundo o parecer de Martins, veio a
culminar com a quarta geração, composta por aditivos de alto desempenho, no
que se refere, sobretudo, à inibição da geração de cor.
Como se vê, os fabricantes se esforçam, cada vez mais, para melhorar o
desempenho do antioxidante. A idéia é atender às necessidades de
estabilização térmica e de processamento, sem comprometer a aparência do
plástico, pois, sujeitos à quebra das ligações, os polímeros precisam de
substâncias estabilizadoras para evitar a degradação. Seu principal
consumidor são as poliolefinas: o polietileno e o polipropileno representam
90% do mercado de antioxidantes.
Por definição, esses aditivos são capazes de reduzir a degradação
termooxidativa das resinas durante e após a sua transformação. Existem duas
classes de produtos: os primários e os secundários. A primeira categoria age
no ciclo de propagação e reage com os radicais livres, como os fenóis
estericamente bloqueados ou aminas secundárias, e a segunda tem a finalidade
de atuar sobre os produtos da degradação, como os hidroperóxidos, por um
mecanismo iônico para formar não-radicais. A sinergia está na combinação
desses dois produtos.
A proteção do antioxidante, no entanto, não se refere à ação da luz.
Teoricamente, o fenólico, por exemplo, poderia ser um estabilizante à luz,
se não fosse o fato de também se romper sob a ação da radiação UV. Por isso,
a necessidade do HALS (abreviação de hindered amine light stabilizer), ou
seja, da amina com impedimento estérico, para estabilizar o polímero contra
a luz UV.
A eficiência do antioxidante fenólico pode ser comprovada em uma faixa de
desempenho comparada. As aminas bloqueadas funcionam até cerca de 130ºC. Por
isso, não agem como estabilizantes de processo. O fenol bloqueado, assim
como a difenilamina – produto à base de amina –, vai de zero até 300ºC. Os
antioxidantes secundários tioésteres possuem uma faixa relativamente curta,
pois atuam em torno de 160ºC, sendo assim, não estabilizam o processamento.
Já os fosfitos, a hidroxilamina e a lactona não estabilizam em longo prazo,
agem a partir dos 150ºC.
Apesar do bom desempenho dos fenóis e dos fosfitos, para o gerente de Novos
Negócios Plastic Additives da Ciba, Francisco Lopes, a batalha dos
fabricantes, em curto prazo, será substituí-los pelos antioxidantes livres
de fenol. Se fosse vislumbrar como serão os próximos passos do mercado de
antioxidantes, no entanto, Lopes apontaria para o desenvolvimento de
produtos de fonte renovável. Ele se baseia no polietileno verde, fabricado
com eteno obtido do etanol de cana-de-açúcar pela Braskem. “Estamos de olho
nesse mercado para saber aonde vai”, conclui.
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