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Plástico reciclado compõe coletores de energia solar

O plástico é o material com maior potencial de inovação na indústria do ônibus. As peças mais recentes, lançadas em compósitos, são as portas do bagageiro. As afirmações são de José Antonio Fernandes Martins, vice-presidente do conselho de administração da gaúcha Marcopolo, montadora de veículos de transporte de passageiros urbanos e rodoviários, em palestra promovida pelo Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do Rio Grande do Sul (Sinplast), no início de dezembro do ano passado. Segundo Martins, as peças plásticas equivaliam a 4% do ônibus. Atualmente, formam 40% de um veículo coletivo e a possibilidade de expansão só depende de soluções inovadoras da petroquímica e da indústria de transformação. Para o executivo, a madeira em pouco tempo ficará inviável e os móveis serão 100% produzidos em resinas termoplásticas. Martins lembrou a importância do processamento de plásticos para a Marcopolo. A empresa, anos atrás, formou uma razão social independente, a MVC, no Paraná, com o intuito de fornecer peças técnicas à encarroçadora de Caxias do Sul. Hoje, é fornecedora de painéis dos aviões da Embraer, dos automóveis da Mercedes-Benz e da Mitsubishi. “O mercado norte-americano despeja 260 mil motorhomes por ano e eles estão virando plástico da dianteira à parte traseira”, salientou Martins. O vice-presidente do conselho da Marcopolo assinalou que a MVC é liderança nacional na fabricação de produtos plásticos e tem sua produção voltada para os mercados automotivo, indústria leve e construção civil. Sediada em São José dos Pinhais, tem fábricas também em Catalão (GO) e Monterrey, no México. Opera os processos de extrusão, vacuum forming, RTM LIGHT (Resin Transfer Molding), RTM integrado, compressão, laminação contínua (Fiberprint) e injeção de poliuretano. Com a diversificação dos negócios, a MVC anunciou seu ingresso no mercado de construção civil com o lançamento da Casa Prática, produto desenvolvido com tecnologia wall system, por meio do qual construiu residências, escolas e condomínios populares em Angola, Moçambique e Venezuela. No Brasil, foram construídas residências de 60 metros quadrados nas regiões Sul e Sudeste. Em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, a empresa acaba de finalizar um condomínio. A Casa Prática tem estrutura metálica e as paredes internas e externas são formadas por uma estrutura sanduíche de lâminas em plástico reforçado com fibra de vidro e núcleo especial para atender às normas brasileiras e internacionais. O sistema empregado dispensa o processo de pintura, sendo fabricado em diferentes cores. As principais características da Casa Prática são a rapidez de construção, o conforto térmico e acústico, a durabilidade e a alta resistência ao fogo e a impactos.

Romper paradigmas – Convidado a falar sobre inovação empresarial para os associados do Sinplast, Martins fez uma análise detalhada sobre o tema também em nome do Instituto de Educação em Negócios – do qual é integrante – e promoveu algumas provocações ou reflexões. “Se a sua empresa não estiver experimentando um novo modelo de negócio diferente ela está no caminho da reprovação. Não brigue com o concorrente, surpreenda o inimigo ao mudar as regras do jogo.” No entendimento de Martins, as empresas que não alterarem suas estruturas irão morrer. “Estudo inovação há doze anos. Inovação não é melhoria de processo é invenção de conceitos novos e não exatamente de produtos”, ensinou o empresário. Ele citou exemplos de iniciativas inovadoras como o modelo de comercialização de computadores da Dell. Desafiou os empresários a perseguirem novos negócios, de preferência radicais, como a empresa aérea Gol, que lançou a operação de venda de passagens pela internet e telefone celular. Atualmente, conta com 80 aviões, sem contabilizar a frota incorporada com a compra da Varig.

Lançou mão de outro exemplo do ar, a norte-americana Southwest. O grupo se tornou a maior companhia aérea dos Estados Unidos ao introduzir o sistema de rotas longas ponto a ponto e ao eliminar os pousos e decolagens em raio central. Com essas alterações, seus aviões ficam três horas a mais no ar, lotados, e isso reflete no preço da passagem mais acessível dos EUA. A Virgin eliminou a primeira classe. A Marcopolo fez do Volare um ônibus de seis metros e meio de comprimento, a jóia da coroa. O raciocínio de Martins remete a paradigmas diferenciados. Inovadores radicais desafiam as regras. Não é vergonha descobrir absurdos que ninguém descobriu. Nem fazer pergunta idiota. Outro exemplo: há vinte anos a indústria automotiva dos EUA alimentava a mentalidade de que carro com qualidade era sinônimo de preço alto. A Toyota, com seu modelo produtivo, demonstrou que pode fazer automóveis com a mesma qualidade dos norte-americanos e vender por preço menor, porque aprendeu a cortar custos sem comprometer a credibilidade do produto. Há 150 anos não havia uma grande corporação. Tudo pode ser reinventado. “As empresas mais importantes em Wall Street não existiam há 25 anos como a Microsoft, a Wal Mart, a própria Dell, a Google”, recordou Martins. Conforme o vice-presidente do conselho da Marcopolo, não existe um modelo de produto ou serviço pré-concebido. Às vezes, aumentar o preço é a melhor saída, perder qualidade, jamais. A fábrica da Marcopolo no Brasil faz 17 mil ônibus por ano. A da Índia, recentemente inaugurada, começou com 10 mil e em 2008 irá produzir 20 mil unidades. Martins antecipou que o grupo gaúcho já tem negócios na China, mesmo sem fábrica, mas poderá este ano optar por uma montadora. O objetivo seria exportar os ônibus, já que no extremo oriente o custo do coletivo montado é de US$ 45 mil. No Brasil não sai por menos de US$ 70 mil. Além disso, a empresa conta com unidades de produção na Argentina, Colômbia, México e África do Sul.

Cenário internacional – As principais transformações no cenário da indústria petroquímica internacional. Este foi o objeto de palestra da consultora internacional Rina Quijada, em Porto Alegre, em novembro último. Nascida na Venezuela, formada em química, com pós-doutorado nos Estados Unidos, onde reside, Quijada proporcionou uma visão bem clara do ambiente de negócios no âmbito da segunda e da terceira gerações petroquímicas, principalmente com relação à influência dos EUA no mercado internacional. Por conta de sua experiência, Quijada projetou as transformações pelas quais a indústria petroquímica irá atravessar nos próximos quatro anos. Ao expor suas considerações para uma platéia de aproximadamente 50 lideranças empresariais vinculadas ao Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Estado do Rio Grande do Sul (Sinplast), ela explicou que a cadeia petroquímica dos EUA neste momento não está preocupada em gerar manufaturados de terceira geração. De outro modo, é forte o interesse pelo comércio de etano ou nafta até mesmo como tendência do mercado global. Um cracker com predominância de processamento de eteno não é tão interessante, como analisou Quijada, pois restringe a obtenção de polipropileno e poliestireno. No seu raciocínio, o mercado exige plantas multiplataforma e, por conta dessa exigência, o petroquímico básico mais interessante continua sendo a nafta, pois o produto gera propeno, butadieno, benzeno, C 4 misturado, além do próprio eteno.

.Nos EUA, com 20 milhões de barris por dia, a petroquímica absorve 7% do petróleo consumido. Portanto, exemplificou Quijada, trata-se de um setor receptor dos preços. Outra tendência: monômeros potencialmente tendem a apresentar altos custos e o ambiente de negócios com gases irá refletir nos polímeros. O polietileno de baixa densidade poderá faltar no mercado mundial, caso os projetos de novas plantas de eteno, principalmente no Oriente Médio, continuem atrasados. O polietileno de baixa densidade já é neste momento a commodity mais cara. Da mesma forma, não há novas ofertas de propeno; o polipropileno, nas aplicações que eram do poliestireno, principalmente em copos descartáveis, poderá desaparecer. O mercado de estireno está ruim e o PS será a commodity com menos força quanto à correção de preços. Quijada apresentou um quadro em que o polipropileno atingiu 19 milhões de toneladas/ano em 2001 e chegará a 33,4 milhões de toneladas no mercado mundial até 2011. O polietileno tende a saltar de 31,1 milhões de toneladas para 49 milhões de toneladas anuais.

Na projeção de Quijada, ocorrerá ainda uma modificação de liderança entre os players. A Exxon Mobil cede lugar à Dow Química em polietilenos. O terceiro lugar hoje ocupado pela Chevron Phillips será da Sabic, da Arábia Saudita. A Basell, hoje colocada como quarta maior processadora de polietilenos no mundo, não constará entre as dez maiores do segmento; em compensação, irá consolidar sua liderança mundial no processamento de polipropilenos. A BP Química deverá ceder lugar para a Sinopec, da China. Os preços do gás dependerão das importações de GNL e das reservas do Alaska. Os EUA não têm capacidade adicional prevista, pois não construíram novas unidades. Venderam muito em 2007, em período de baixa do produto. Há questões de fronteira, como o gasoduto do Alaska, que para abastecer os Estados Unidos atravessa o Canadá. Os terminais para gás liquefeito são complexos e de alto custo e o transporte em porões refrigerados também é demasiadamente caro. A Argentina terá aumento de demanda sem oferta de produção. Se constituirá em uma forte importadora. Com relação aos plásticos, os principais consumidores corporativos, notadamente Carrefour, Wal Mart e Tesco, já pressionam os preços dos manufaturados de resinas para baixo. Existe uma repressão em cima dos produtos chineses por conta de sua qualidade questionável, como os brinquedos, e o pouco caso em cima de aspectos como a saúde dos consumidores, além da indiferença com relação aos aspectos ambientais. “O Brasil está dentro do processo de reestruturação da petroquímica mundial”, sublinhou Quijada, por conta das megaaquisições patrocinadas principalmente pelo casamento da Braskem com a Petrobras. Ao finalizar, reforçou que os principais negócios nos EUA serão as matérias-primas. Os plásticos serão o esquema de faturamento adicional, ou complementar, favorecendo a transformação em outras regiões do planeta.

Fernando Cibelli de Castro

Evento gaúcho discute temas como liderança e resultados

Por ocasião de uma reunião no final do ano passado, o presidente do Sinplast, Jorge Cardoso, agradeceu o apoio dos industriais associados, que passaram a se movimentar em favor do fortalecimento da entidade. “Continuaremos trabalhando, por exemplo, na busca de diferimento permanente de ICMS a todo o setor plástico, um dos objetivos do Geraplast”, afirmou ele. Cardoso lembrou que em 27 de novembro, o Comitê Setorial – Indústrias do Plástico do Sinplast promoveu a Manhã da Qualidade. Mais de 60 pessoas estiveram presentes no evento, que teve como tema Liderança e Resultados. Na ocasião, foram diplomadas no Sistema de Avaliação 2007 do PGQP dez empresas da terceira geração do plástico gaúcho: Bianchini, Lugi Plast, Plastécnica, Plásticos Vipal, Mantova, Neoform, Plasfilm, Poloplast, Sanremo e Zandei. A Manhã da Qualidade contou com a palestra da diretora do Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade (PGQP), Débora Giacomet, e do diretor-presidente da Anjo Tintas e Solventes, Beto Colombo. Para Débora, os resultados são o reflexo de seus bons líderes. “Os resultados são o auge da felicidade, da conquista”, afirmou. Segundo ela, o PGQP prioriza o comprometimento com os valores, princípios e

estratégias de uma organização. Débora enfatizou a importância do sistema de gestão para a conquista da excelência, por meio de um ambiente organizacional estimulante. Considerada pelos especialistas a empresa mais inovadora do ramo petroquímico, a Anjo Tintas e Solventes compartilhou com o público dicas de como construir e manter uma empresa com sucesso. “A pessoa tem que definir qual é o negócio da sua empresa, alvo e foco, para não perder tempo e principalmente dinheiro”, ressaltou o empresário Beto Colombo. A programação contou ainda com a apresentação do trabalho Reciclar e Reutilizar, de Francine Morales Tavares, da Universidade Federal de Pelotas, vencedora do Prêmio Sinplast de Inovação. O presidente do comitê, Gustavo Eggers, apresentou aos participantes a capa da segunda edição da revista Plast-X. “É um catálogo das empresas para o mundo”, disse ele. No encontro, foi lançado o software desenvolvido pelo comitê com o objetivo de facilitar o controle dos indicadores de desempenho das empresas. “Para 2008, lanço o desafio ao comitê de reunir 200 empresas neste processo de gestão pela qualidade”, afirmou o diretor do Sinplast, Julio Roedel, ao encerrar o evento.