Outra aplicação na qual a presença do robô é obrigatória é a da fabricação de peças plásticas com insertos de outros materiais. O uso de operadores humanos para efetuar a operação, em determinados casos, é impossível. Um exemplo: algumas máscaras de aparelho celular contam com vários insertos de metal do tamanho de um milímetro.

Entraves – O momento é ótimo, mas podia ser ainda melhor. Alguns entraves ainda dificultam a proliferação dos robôs em velocidade mais elevada. Entre eles, talvez o mais grave seja o da falta de cultura do uso do equipamento. Uma das causas desse problema se encontra na sensação de que o equipamento “rouba” empregos em um País onde as condições sociais são muito desiguais.

De acordo com os fornecedores, esse pensamento precisa ser avaliado com cuidado. Em primeiro lugar, as máquinas substituem os operários em operações com condições de trabalho desumanas. Muitas vezes, a presença do robô não dispensa a de um trabalhador, que recebe as peças do robô e tem mais tempo para efetuar operações como o corte de canaletas ou o controle de qualidade. Além disso, a competitividade da economia globalizada impele as empresas a adotarem soluções competitivas.

Alguns entraves também são decorrentes das condições de trabalho de boa parte dos transformadores brasileiros. A idade avançada das injetoras instaladas nas empresas é um dos problemas. As máquinas mais antigas não contam com comandos para a interação com os robôs, precisam ser adaptadas a partir de reformas com custos nem sempre viáveis.

Quanto mais moderno for o equipamento, maior a eficácia da automação. Os controles das máquinas mais avançados permitem a programação de operações que vão além da simples extração das peças do molde. Com a ajuda da informática pode-se, por exemplo, programar operações automáticas de controle de qualidade e de armazenamento das peças aprovadas em locais diferentes das defeituosas.

Outro problema a ser contornado se encontra nos moldes utilizados pela indústria, a grande maioria com projetos inadequados. As ferramentas precisam ser idealizadas levando-se em conta o movimento feito pelos braços do robô durante a retirada das peças injetadas.

Muitas opções – A gama de robôs disponíveis no mercado é bastante elevada. Todos os fabricantes fornecem linhas com preços variáveis entre R$ 15 mil e algumas centenas de milhares de reais. Os modelos podem equipar injetoras com as mais variadas forças de fechamento. Eles manipulam peças de algumas gramas até outras com peso na casa de dezenas de quilos.

Os robôs oferecidos podem ser divididos em três categorias principais. Os mais simples são dotados com movimentos feitos em três eixos a partir de sistemas pneumáticos, que atuam como um “pegador de galhos”, ou seja, retiram as peças das máquinas e as colocam em locais determinados.

Os modelos intermediários contam com movimentos em dois eixos a partir de sistemas pneumáticos e em um terceiro eixo feitos por meio de mecanismo elétrico, com a ajuda de um servomotor. Esses robôs pegam as peças nas máquinas, as levam para os locais determinados e podem realizar algum tipo de operação complementar.

Os mais sofisticados são dotados com movimentos feitos a partir de servomotores nos três eixos. São os mais precisos e permitem a programação de operações diferenciadas. “Com os eixos movidos por equipamentos elétricos é possível colocar insertos e fazer outras operações”, exemplifica Milito.

A seleção feita pelo comprador depende de uma série de variáveis. Entre elas, se encontram o tipo da injetora utilizada, a duração dos ciclos, a quantidade e as propriedades das peças produzidas. Os mais vendidos no Brasil são os “pegadores de galhos”. “Os clientes sempre procuram optar pelo modelo mais barato”, justifica Gomes. Os com movimentos híbridos e os totalmente elétricos são procurados pelas empresas com maior fôlego de investimento.

Feitos aqui – Cada uma das fornecedoras conta com diferentes tipos de munição para atrair os clientes. A Dal Maschio, criada em 1973 na Itália, chegou ao Brasil no início dos anos 90 a partir de um contrato de representação comercial feito com a então fabricante de injetoras Semeraro. Ainda durante a década de 90, a marca decidiu implantar uma fábrica por aqui.

Atualmente, grande parte dos componentes dos robôs é produzida no Brasil. “Importamos apenas alguns modelos sofisticados”, informa Gomes. A empresa oferece cinco linhas básicas de equipamentos. A mais recente é a série PL, lançada na última edição da Brasilplast. “As máquinas PL têm como principal diferencial um comando numérico com terminal colorido programável, dotado com o recurso touch screen. Elas também trazem algumas melhorias mecânicas que garantem o aumento da velocidade de atuação”, explica.

Gomes faz questão de ressaltar as vantagens por contar com uma fábrica no Brasil. Para ele, enquanto a concorrência oferece modelos de prateleira, a empresa pode prestar assistência técnica aos clientes desde o início do projeto. “Os 95 robôs que produzimos este ano foram todos uns diferentes dos outros. Temos maiores condições de investir em soluções personalizadas, feitas sob medida para as necessidades dos clientes”, garante. A assistência técnica pós-venda e a facilidade na reposição de peças também são aspectos exaltados.

Outro serviço prestado pela empresa vinculado a instalações locais é o de reforma de antigos robôs. “Estamos sendo bastante procurados para esse tipo de trabalho”, garante Gomes. Ele conta que não é raro receber robôs com cerca de dez anos de idade, desativados por falta de assistência técnica. “Eles saem daqui novinhos”, diz.

Lançamento – A Star Seiki nasceu no Japão em 1964 e chegou ao Brasil no início dos anos 90 a partir de um acordo de representação firmado com a fabricante de injetoras Romi. Em 1997, a empresa resolveu abrir escritório próprio por aqui. Hoje conta com 1.350 robôs instalados no País.

“Até 2005, nós atendíamos no Brasil praticamente as grandes multinacionais. De 2005 para cá, estamos atendendo clientes de todos os portes”, resume Kimura. A sazonalidade dos negócios também mudou. “De novembro a março eram meses mortos, quase não fazíamos negócios. Hoje, efetuamos vendas todos os meses.” A empresa vende robôs para injetoras de 35 toneladas até 4.500 mil toneladas de força de fechamento. “O mercado brasileiro absorve mais robôs voltados para injetoras entre 150 e 300 toneladas”, revela.

A grande novidade é a linha de robôs CS, recém-lançada na última edição da K, maior exposição mundial da indústria do plástico realizada na Alemanha, no final de outubro. A principal característica da linha é a de atuar com servomotores e contar com preços 20% inferiores aos demais modelos do gênero oferecidos pela empresa. “O projeto dos CS foi desenvolvido no Japão, mas os servomotores são fabricados na China. São modelos um pouco mais simples do que os similares, que atendem muito bem ao mercado nacional”, explica.

Robô da linha CS, da Star Seike, lançado em outubro na K

O aquecimento do mercado tem feito a Star Seiki avaliar a possibilidade de instalar uma fábrica no Brasil. “Temos estudos para que isso ocorra a curto, médio ou longo prazos”, diz Kimura. No momento, em razão do real valorizado, o projeto não deve sair do papel. “Está compensando importar”, revela. Enquanto a fábrica não é construída, o executivo garante que mantém no Brasil uma equipe de assistência técnica bem dimensionada e um estoque de peças bastante completo. “Nossas máquinas não podem parar de funcionar”, afirma.

Linha completa – A Wittmann foi fundada na Áustria em 1975 como produtora de reguladores de fluxo para máquinas da indústria plástica. Nos anos seguintes, incorporou outros equipamentos e componentes em sua linha de produção. A partir de 1985, se tornou fabricante de robôs.

Com escritório de representação no Brasil desde maio de 2000, oferece, além dos robôs, sistemas de alimentação de máquinas, rotâmetros, controladores de temperatura, desumidificadores, moinhos e uma série de outros equipamentos. De acordo com Milito, o carro-chefe no Brasil é mesmo a venda de robôs. Os modelos de periféricos oferecidos são sofisticados e seus preços não atraem muito os transformadores nacionais, que contam com equipamentos feitos por aqui com preços mais atraentes.

No universo dos robôs, a empresa importa modelos com preços de R$ 15 mil até R$ 250 mil. Milito destaca a estrutura de suporte técnico. “Nossa engenharia está capacitada para dar treinamento aos clientes e até apagar incêndios pelo telefone”, orgulha-se.

Por enquanto, a Wittmann não tem planos de montar uma fábrica no Brasil. Mas, caso a demanda continue a crescer, existe a possibilidade do investimento se tornar real. “O mais importante é que o mercado está vivendo uma mudança de mentalidade. Com alguns anos de atraso, os transformadores brasileiros estão descobrindo as vantagens da automação”, avalia Milito.

Milito: transformadores descobrem os robôs

 

 

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