Robô retira peça da máquina injetora e a transporta para o operador

Busca por qualidade e produtividade
faz as vendas de robôs dispararem

Texto de José Paulo Sant’Anna e fotos de Cuca Jorge

A indústria de base vive bom momento e deve fechar o ano com resultados acima das expectativas mais otimistas. Poucos fornecedores de equipamentos, no entanto, podem se gabar de ter alcançado crescimento tão significativo quanto os de robôs para a indústria de injeção de plástico.

Os bons resultados estão sendo colhidos pelas três principais empresas atuantes no mercado nacional: Dal Maschio, Wittmann e Star Seiki. A multinacional de origem italiana Dal Maschio (também conhecida como DM) é a única do ramo com fábrica no Brasil, localizada em Diadema-SP. A empresa comemora o desempenho obtido no ano. Suas vendas mais do que dobraram. “Em 2006, nós vendemos 45 robôs; em 2007, conseguimos vender 95 unidades”, orgulha-se o diretor José Luiz Galvão Gomes. No ano, o número de funcionários da empresa cresceu 50%.

Gomes: vendas mais que dobraram

Seus dois principais concorrentes brindam igualmente. A Wittmann, empresa austríaca com escritório de representação em Campinas-SP, apresenta desempenho impressionante. “O ano de 2007 foi o melhor que tivemos, de longe. Vendemos 75 robôs, contra 32 do ano passado”, informa o diretor Reinaldo Carmo Milito.

A japonesa Star Seiki, com escritório de representação na capital paulista, cresceu expressivos 50%. O índice percentual é inferior ao dos concorrentes, mas calculado a partir de uma base maior. “Nos últimos dois anos vendemos cerca de 100 unidades por ano. Em 2007 negociamos 150”, ressalta o gerente geral Roberto Eiji Kimura.

Apesar de ser muito positivo, o crescimento em termos de faturamento em reais não alcança os mesmos percentuais do aumento do número de unidades comercializadas. O motivo é o fortalecimento da moeda nacional. Para os importadores, a relação é óbvia. Eles receberam menos reais por robô colocado no mercado. A Dal Maschio, por sua vez, precisou espremer sua rentabilidade para se manter competitiva perante a concorrência. “Fomos obrigados a reduzir nossos preços”, diz Gomes.

Existem motivos para perspectivas positivas para o próximo ano. Por um lado, o uso dos robôs, já muito disseminado nos países avançados, começa a ganhar força por aqui. Dessa forma, um mercado ainda incipiente começa a ganhar impulso. Além disso, as projeções da economia para 2008 também são bem favoráveis.

Feliz 2007 – Os rumos da economia, em 2007, foram determinantes para deixar os representantes do setor felizes. Os robôs, cujas características proporcionam melhora da qualidade nas linhas de produção, são utilizados por setores que exigem peças plásticas produzidas dentro de rigorosos padrões dimensionais e de aparência. E alguns desses setores, neste ano foram beneficiados pelo aumento da procura de seus produtos por parte dos consumidores.

Entre os exemplos de bons clientes em 2007 se encontra a indústria automobilística, que vivenciou o ano mais produtivo da sua história no Brasil. “A venda de robôs para as fabricantes de autopeças foi o carro-chefe da Star Seiki”, explica Kimura. Os representantes da Dal Maschio e Wittmann engrossam o coro.

Outros setores que experimentaram momentos auspiciosos e provocaram o aumento na demanda por robôs, de acordo com testemunho unânime dos fornecedores do equipamento, foram os da indústria

Kimura: as montadoras impulsionam as vendas

eletroeletrônica e de linha branca. Também merece ser mencionado o setor de embalagens, em especial as de cosméticos, que exigem aparência impecável, ou as de alimentos, nas quais a presença dos robôs protege as linhas de produção de impurezas, cuidado altamente desejado pelos transformadores.

Aspectos técnicos - Economia à parte, as vendas de robôs vem se fortalecendo também pela melhora no desempenho por eles proporcionada. Com a ajuda do equipamento, os ciclos de produção se repetem com grande regularidade, assegurando peças injetadas sem alterações em suas características. A manutenção das condições de funcionamento das injetoras é impossível de ser obtida com trabalhadores manuais.

A automação ajuda os transformadores a melhorar os índices de produtividade. “Existem transformadores operando 24 horas por dia, sete dias por semana. Nesses casos, o uso de robôs garante uma produtividade bem mais elevada”, explica Kimura. Outra vantagem se encontra na queda do índice de perdas “Os clientes dos transformadores costumam rejeitar lotes inteiros caso uma amostra não seja aprovada pelos testes de qualidade”, conta Gomes.

No caso das peças que precisam de ótima aparência, os robôs também são muito úteis. Eles impedem perdas com acidentes como quedas ou manuseio inapropriado. O mesmo ocorre com as de grande porte, como pára-choques e painéis de automóveis, difíceis de serem transportadas pelos seres humanos. Sem falar nas linhas de produção com ciclos muito rápidos.

Benefícios como esses ajudam a convencer as empresas que já tiveram a experiência de comprar um robô a ampliar os investimentos na automação de suas plantas. Para os fornecedores do equipamento, no entanto, talvez o aspecto mais positivo esteja no fato de ter crescido o número de empresas interessadas em efetuar a primeira compra. “Muitas empresas que há algum tempo nem imaginavam adquirir um robô estão agora estudando essa possibilidade”, diz Gomes.

Uso indispensável - Em algumas operações, mais do que recomendado, o uso de robôs é indispensável. São os casos, por exemplo, dos fabricantes de embalagens que utilizam o processo in mold label (as peças saem com imagens gravadas a partir da colocação de etiquetas nos moldes).

O método ganhou impulso e a presença de robôs se faz necessária, uma vez que a operação requer forte descarga elétrica durante sua execução. “Estamos terminando de produzir o nosso primeiro robô para uma operação in mold label em um molde de duas cavidades. Os que fabricamos anteriormente foram para moldes de uma cavidade”, exemplifica Gomes.

De acordo com os representantes dos fabricantes do manipulador, o maior uso do processo também favorece a venda dos equipamentos de automação periféricos. “O uso desse método ainda é incipiente no Brasil e apresenta ótimo potencial. Ele nos permite vender não apenas o robô e sim um sistema completo, fechamos negócios com maior valor agregado”, informa Milito.

 

 

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