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Mas, há dois
anos, a Victrex acordou com sua parceira uma ênfase ao desenvolvimento do
mercado sul-americano de poliéter-éter-cetona, para delinear mais
precisamente seu potencial. Esse movimento ocorreu em outros mercados, casos
de China e Japão, em decorrência de uma nova estratégia de atuação, buscando
descentralizar o foco estrito nos Estados Unidos e na Europa.
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A nova
competidora local possui várias unidades na Inglaterra, sua sede, e,
após recente expansão, pode manufaturar até 4,25 mil t/ano. O consumo
mundial, segundo o gerente de negócios na América do Sul, Ricardo
Ehlke, é inferior a 3 mil t/ano, mas tem recebido adição de 100 t a
150 t nos últimos anos. O primeiro grande setor consumidor foi o de
petróleo (em aplicações como assentos de válvula), mas a resina
penetrou na indústria automotiva (substituindo Al e Ti em rotores de
motores turbo a diesel), de semicondutores (chips), no segmento médico
(implantes definitivos e peças esterilizáveis em autoclave), no
aeroespacial e na mineração, entre outros.
A Victrex ainda busca mais parceiros capacitados a processar seu
material na América do Sul e novas aplicações, com base em peças
aprovadas em outros mercados. Por isso, estima as vendas nesse
primeiro ano em 2 t (o mercado brasileiro é avaliado em cerca de 4 t),
mas, em 2011, o objetivo é vender entre 30 t e 50 t. Essa expansão
rápida é lastreada pela entrada da empresa em segmentos nos quais não
competia, como nos revestimentos e filmes, fazendo frente a produtos
fluorados. O material ainda é caro (há grades na faixa de US$ 100/kg),
mas possui propriedades que o posicionam no topo da pirâmide de |
Cuca Jorge
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Ehlke: consumo do polímetro aumentou |
plásticos: Tg de 143ºC;
Tf de 343ºC; HDT de 315ºC e temperatura de uso contínuo de 260ºC. A
resistência à tração pode chegar a 200 MPa, o único químico corriqueiro que
o corrói é o ácido sulfúrico concentrado e o material é graduado como UL V-0
na saída do reator, sem retardante à chama. Essa última propriedade é obra
do processo patenteado pela Victrex, que resulta em um material de alta
pureza, responsável também pelo atendimento a requerimentos para
certificações do FDA.
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Transformadores que necessitam de três de alguma dessas
características, de acordo com Ehlke, deveriam pensar no PEEK. No caso
de injeção, a matéria-prima requer molde aquecido (preferencialmente
por óleo) a 180ºC, e canhão entre 380ºC e 400ºC.
Se o preço assustar, a fornecedora criou um grade de baixíssima
viscosidade, carregável com até 60% de fibra de vidro. O custo dessa |
MONÔMERO DO PEEK DA VICTREX |
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Fonte: Victrex |
resina pode ser 40%
inferior ao do material virgem. Trocar peças inteiras feitas de outros
materiais por películas protetoras de PEEK também pode ajudar, pois o
polímero proporciona espessuras diminutas (entre 6 micrômetros e 0,75 mm),
compensando o valor alto. Outro lançamento recente da empresa é a série T,
formada pela combinação de PEEK com PBI (polibenzimidazila). O PBI se
posiciona, na pirâmide dos polímeros, acima de poliimida, e opera acima de
350ºC. Pelo seu altíssimo preço, ele só era usado na indústria aeroespacial,
mas a série T, além de elevar a resistência à temperatura do PEEK, possui
custo mais acessível que o do PBI puro.
Propriedades concatenadas – A combinação de materiais também foi a
estratégia usada na criação da série patenteada Victrex Max. A linha
inovadora entra para a família das resinas de poliéter-éter-cetona com o
objetivo de atender a aplicações que exigem uma combinação de desempenho
mecânico sob alta temperatura e estabilidade dimensional.
Os polímeros Victrex Max consistem em uma combinação do PEEK com uma
poliimida (marca Extem) da Sabic, sem preenchimento. De acordo com o gerente
global de produtos da Victrex, Mark Maddern, o produto foi planejado para
ocupar uma lacuna de desempenho encontrada na maioria dos atuais materiais
de altas temperaturas ofertados no mercado.
Segundo o gerente, esses produtos ainda oferecem como benefícios
extraordinária resistência química, alta pureza e coeficiente de expansão
térmica controlado. Podem atuar em temperaturas em torno de 150ºC a 275ºC.
O PEEK oferece excelente resistência química, estabilidade hidráulica e
térmica de longa duração, além de resistência ao desgaste. A poliimida
confere às peças estabilidade dimensional, resistência a altas temperaturas
e ao creep. A combinação dos dois permitiu ao fabricante dar um salto
significante de desempenho em termos de propriedades mecânicas sob altas
temperaturas.
Inicialmente, estarão disponíveis o Max-Series M1000 e Max-Series M2000,
cada qual com diferentes proporções das resinas combinadas. Entre as
aplicações, a Victrex tem em vista mercados como o segmento de petróleo e
gás e a indústria de semicondutores, entre outros. De acordo com Maddern, a
empresa elevou o desempenho de seus produtos, desenvolveu novos polímeros,
combinações e compostos de alto desempenho, o que permitiu dobrar o seu
portfólio nos últimos três anos.
No trem de pouso – O poliéter-éter-cetona foi homologado para o novo
sistema de monitoramento de pressão do pneu do trem de pouso do Boeing 777
pela Crane Aerospace & Electronics. Selecionado para as calotas que
incorporam o sistema de monitoramento, o polímero suporta temperaturas muito
elevadas sem perder a característica resistência mecânica e química.
Em elevadas altitudes, a temperatura pode chegar a 54ºC negativos e no
momento do freio pode superar 200ºC. Além disso, o trem de pouso também é
exposto aos produtos químicos contidos no combustível do avião, no líquido
de freio hidráulico, em soluções de remoção de gelo e aos elementos
cáusticos presentes na pista de decolagem e pouso. Segundo o fabricante, o
PEEK mantém a resistência à tração após o uso a 200ºC até mesmo depois de um
ano. Além do Boeing 777, o uso da resina pode se estender a outros aviões
comerciais.
Márcio
Azevedo e Maria A. de Sino Reto
Plástico substitui
aço em quadro de energia
A
Cemar Legrand – filial gaúcha do grupo francês Legrand com ramificações no
país e proprietário das marcas, Pial, Lorenzetti, Ortronics e Bticino –
anunciou, em novembro, o lançamento de uma nova linha de quadros e de caixas
de passagem de energia elétrica com barramento feitos de plásticos como
policarbonato a poliestireno reforçado.
Rogério Franceschini, diretor comercial da Cemar Legrand garante que os
quadros servem à aplicação residencial em prédios e grandes residências,
aeroportos, hospitais, shoppings. Segundo ele, o mercado já oferecia quadros
pequenos com barramento, em plástico de engenharia, para pequenas unidades
residenciais e populares para até quatro disjuntores.
Para o diretor, existem duas vantagens principais com relação aos novos
produtos em relação às peças de aço: não sofrem corrosão em regiões de
litoral e a melhora do design com possibilidade de variação das cores. Além
disso, a queda do peso é de 30%, reduzindo os custos de transporte.
Como a Cemar já contava com 15 injetoras de grande porte, os custos mais
pesados ficaram por conta dos moldes. O projeto demandou dois anos entre
desenvolvimento e execução, com investimento de US$ 750 mil. A empresa
adquiriu ainda novas cabines de pintura e programas de computadores de
gestão de processo.
A Cemar Legrand processa uma série de produtos em plástico. São 750
toneladas de resinas processadas por ano. Com o novo lançamento a empresa
irá consumir mais 40 toneladas.
Conforme Franceschini, o mercado de quadros de energia está migrando aos
poucos da chapa de aço para o plástico injetado. “Muitos itens ainda são
confeccionados em chapas, porém no futuro o plástico de engenharia deverá
tomar conta do mercado”, observa o diretor comercial.
A lista de produtos da empresa engloba centros e quadros para distribuição
de energia, caixas para instalações elétricas e telefônicas, caixas de
medição, quadros e painéis para instalações elétricas, caixas e rack para
telecomunicações, perfilados, eletrocalhas, acessórios, planos e leitos,
acessórios e componentes para instalações elétricas. Ao todo são 7.500 itens
entre os produzidos no país e importados a partir da matriz na França ou de
subsidiárias.
F.C. C.
Nova tecnologia
reúne polímero e nanometal
A
nova proposta de desenvolvimento da DuPont Polímeros de Engenharia, uma
tecnologia híbrida de polímero e metal nanocristalino promete beneficiar a
produção de componentes muito leves, com a resistência e a rigidez do metal
combinadas à flexibilidade de design e ao baixo peso dos termoplásticos de
alto desempenho.
Para chegar a esse resultado, a empresa firmou uma aliança com a canadense
Morph Technologies, que comercializa sua tecnologia de nanomateriais para
aplicações automotivas; com a Integran Technologies, líder global no
desenvolvimento de nanomateriais, com operações em Pittsburgh (EUA) e
Toronto (Canadá); e com a PowerMetal Technologies, sediada na Califórnia
(EUA), líder no fornecimento de componentes de nanotecnologia para os
mercados de produtos esportivos e de consumo.
A PowerMetal já comercializa produtos feitos com híbridos de nanometal e
polímeros termofixos. Esse mesmo conceito será, agora, empregado no novo
desenvolvimento. O vice-presidente e gerente geral da DuPont, Keith Smith,
planeja revolucionar a tecnologia tradicional de híbridos plástico/metal com
uma tecnologia inovadora de metal sobre plástico que promete uma grande
transformação em termos de desempenho e oferecer um novo paradigma para os
designers de produtos. O foco da DuPont é oferecer soluções para substituir
o metal.
O MetaFuseT de nanometal e polímero resulta de um processo de aplicação
precisa de um nanometal de altíssima resistência a componentes produzidos
com os polímeros de engenharia da DuPont para criar peças mais leves e de
projetos complexos.
De acordo com Gino Palumbo, presidente da Integran, a tecnologia patenteada
usada nos híbridos MetaFuseT de nanometal e polímero produz metais com
granulação mil vezes menor do que a dos metais convencionais. Como exemplo,
menciona o níquel ou níquel-ferro nanocristalino, que considera metais duas
ou três vezes mais resistentes que o aço comum, e também mais duros e com
melhores resultados de desgaste e fricção. Segundo informa, a tecnologia
cria diretamente um revestimento de metal com uma estrutura de granulação
nanocristalina; não são criadas nanopartículas em nenhum estágio do processo
de manufatura.
O acordo prevê que a DuPont conduzirá o desenvolvimento das aplicações para
clientes mundiais e levará essa tecnologia ao mercado. Os primeiros
desenvolvimentos do híbrido de metal e polímero termoplástico devem focar
aplicações nas indústrias automotivas, de eletroeletrônicos, de consumo e
materiais esportivos.
M. A. S. R.
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