Como importante usuário de compósitos, presente em grande escala nos veículos coletivos, o grupo investe há um bom tempo no desenvolvimento de novas aplicações desses materiais. Há dezoito anos conta com a MVC Soluções em Plástico, que possui uma planta com 670 colaboradores no Brasil e outra com 80 profissionais no México. Em 2007, ela estima produzir 16 mil toneladas de componentes para os mais variados mercados. “Nós executamos projetos desde o design até a execução final das peças”, explicou Gilmar Lima, diretor-geral da MVC.

Na opinião de Lima, uma das iniciativas da empresa que pode se tornar a coqueluche no futuro é o da CasaPrática, que tem como objetivo aproveitar o potencial de mercado residencial brasileiro, que conta com déficit habitacional de 8 milhões de unidades. A linha CasaPrática é formada por modelos de imóveis pré-fabricados, construídos com paredes feitas de compósitos e montadas em estruturas de aço. Em 2008, a MVC quer lançar residências sem as estruturas de aço, totalmente fabricadas de compósitos.

“As principais características do projeto são a rapidez de construção, conforto térmico e acústico, durabilidade e a alta resistência ao fogo e a impactos. O sistema dispensa o processo de pintura, as paredes são fabricadas em diferentes cores”, revelou o diretor. As casas podem ser construídas em até três dias, dependendo da área desejada.

A empresa oferece modelos padrões, que vão de 37 a 140 m². Mas também oferece propostas diferenciadas de residências e outros tipos de prédio.

A CasaPrática começou a ser desenvolvida em 2003 e, por enquanto, as vendas se concentram em maior número no mercado externo. Em Angola, por exemplo, a empresa construiu vários imóveis, entre eles, uma escola que foi erguida no prazo de 37 dias. A MVC também conta com ações em Moçambique e na Venezuela.

No Brasil, o projeto começa a ganhar adeptos. Na cidade de Pindamonhangaba-SP, por exemplo, ela já construiu 44 casas. a tecnologia também foi utilizada para a construção de condomínios na Região Sul, galpões industriais e de postos de manutenção de aeronaves da companhia aérea Gol e até um quartel do Exército, entre outros.

Reciclagem - A reciclagem dos compostos ainda apresenta desafios para o setor. A operação requer refinada tecnologia e não são poucas as empresas em todo o mundo que estão investindo na pesquisa e desenvolvimento de distintas técnicas. As iniciativas ocorrem principalmente na Europa, onde as exigências ecológicas são bastante rigorosas e as ações de recuperação de materiais bem-sucedidas podem ajudar muito na adoção desses materiais pelas indústrias.

O tema foi abordado no evento pela pesquisadora Maria Inês Ré, diretora do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), entidade que tem um acordo de parceria com a Abmaco para desenvolver, entre outras iniciativas, processos de reciclagem de compósitos. A pesquisadora contou que a idéia do projeto alinhavado pelas duas entidades teve início em 2006 e tem como objetivo inicial avaliar a viabilidade econômica de se recuperar os cerca de 10% de materiais perdidos durante o processo de fabricação dos compósitos, que ela estima serem da ordem de 13 mil toneladas por ano.

A pesquisa se fundamenta na técnica de triturar e moer os rejeitos de forma a reaproveitá-los em futuras operações. Ela está em uma fase inicial de levantamento de dados. “Estamos conhecendo as empresas envolvidas com a produção de compósitos, mapeando o mercado com maior precisão, definindo a estrutura do laboratório que será utilizado nas pesquisas, caracterizando os materiais a serem analisados”, explicou.

Maria Inês também resumiu algumas iniciativas do gênero em curso nos países avançados, projetos esses que contam com recursos de consórcios de empresas interessadas em tornar algumas soluções viáveis. Um dos trabalhos que destacou foi o do consórcio francês Recicomp, que iniciou os estudos em 2001 e, atualmente, conta com conclusões mais avançadas sobre algumas técnicas. Além de avaliar as possibilidades de reciclagem de materiais moídos, as pesquisas do projeto francês também analisam a utilização de rejeitos como combustíveis de fornos de cimento e de sistemas de recuperação de energia. As possibilidades desses estudos se transformarem em realidade são boas.

José Paulo Sant’Anna

MaxiQuim elabora o mapa da distribuição

Um ano depois de constituída, a Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas (Adirplast) dá mostras a que veio. Uma das principais bandeiras da entidade era a de dimensionar com exatidão o tamanho da atuação da distribuição no País. A proposta foi cumprida e a entidade divulga inédito mapeamento do setor, estudo elaborado pela MaxiQuim.

São consideradas distribuidoras oficiais aquelas filiadas à Adirplast – atualmente 19 empresas, responsáveis por um faturamento anual da ordem de R$ 2,1 bilhões. Segundo o presidente da entidade, Wilson Cataldi, a comercialização autorizada abastece mais de 6 mil transformadores de pequeno e médio portes, enquanto 1.500 recebem a resina diretamente das petroquímicas. Em termos de participação, a revenda responde por 10,9% do mercado total, com cerca de 460 mil toneladas comercializadas no ano passado.

Segundo o estudo, as duas principais commodities, polietileno e polipropileno, figuraram no topo das vendas em 2006: 263 mil t de PE e 136 mil t de PP. Distante em volume, o poliestireno aparece em terceiro lugar, com cerca de 35 mil t. O PVC tem pouca representatividade para a distribuição: apenas 2.640 t. As especialidades e resinas de engenharia comercializadas pela distribuição atingiram da ordem de 23 mil toneladas.

De acordo com a pesquisa da MaxiQuim, a distribuição autorizada detém a maior fatia do abastecimento via varejo ao transformador. A revenda informal respondeu, em 2006, pelo comércio de 124,7 mil toneladas, somadas todas as resinas. O estudo prevê crescimento de cerca de 13,4% no faturamento do setor em 2007.

Reestruturação – O rearranjo petroquímico brasileiro chegou a um termo e a produção brasileira das duas principais commodities ficou restrita agora a dois grandes grupos: Braskem e Unipar. Fruto das consolidações de ativos com a Petrobras, a Braskem incorporou a Ipiranga Petroquímica e seu braço distribuidor, a Ipiranga Química. O grupo Unipar também dispõe de empresa distribuidora: a Unipar Comercial.

Assim, a fusão entre a Piramidal, Ruttino e Polimarketing, anunciada no início de dezembro, não causou surpresa. Trata-se de um fluxo natural e previsto pelo setor (ver PM 393, julho de 2007, pág. 43), como reflexo do redesenho da segunda geração petroquímica.

Embora com atuações independentes, as três empresas já eram de propriedade de Wilson Cataldi. Somados os ativos, formou-se, agora, uma única empresa: a nova Piramidal, maior distribuidora de

resinas da América Latina, com uma operação de 100 mil toneladas anuais e carteira de 6 mil clientes ativos. “A busca é por maior competitividade e o que vai determinar o sucesso da distribuição no mercado são fatores como porte, estrutura de serviço, escala e maior proximidade com o cliente”, pondera Cataldi.

A empresa conta com um escritório corporativo em São Paulo e unidades de distribuição em Santana do Parnaíba-SP, São José dos Pinhais-PR, Cachoeirinha-RS e Caxias do Sul-RS. Mantém laboratório de última geração e frota própria com mais de 50 veículos. Sua carteira de produtos engloba resinas termoplásticas e outros insumos petroquímicos de fabricantes brasileiros e do mundo como Braskem, Dow, Bayer, Borealis, Huntsman, Kepital, Lanxess, Unigel e Formosa.

O mercado varejista de resinas padece de excessivo número de concorrentes e as empresas que quiserem ser competitivas precisam ganhar músculo. “O pioneirismo da nossa ação será referência para que os players atuais da distribuição se reorganizem rapidamente, em sintonia com as novas diretrizes do mercado global”, sentenciou Cataldi.

Maria A. S. Reto

Abastecimento de PEEK ganha força no País

São claros os sinais de crescimento do consumo regional de poliéter-éter-cetona (PEEK). Depois da Solvay e da Evonik (antiga Degussa) apresentarem suas versões do polímero ao País, a inventora do termoplástico e primeira no ranking mundial, Victrex, passa a atuar diretamente no Brasil.

A líder, com fatia de 90%, está operando em escritório próprio, na zona sul de São Paulo, há cerca de seis meses. Porém, seus produtos – PEEK e derivados: em pó, em pellets, na forma de fitas, filmes, espumas ou revestimentos – já eram processados no mercado brasileiro e nos outros países da América do Sul, indiretamente. A fabricante de semi-acabados Ensinger, maior processadora da resina e parceira global da Victrex, está há quase uma década no Brasil, e liderou o desenvolvimento de aplicações para alguns plásticos de alto desempenho entre os transformadores da região. Nesses anos, o nome conhecido era o da Ensinger, produtora de tarugos, chapas e tubos, e não o da fornecedora de matéria-prima.

 

 

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