Em 2008, a intenção do grupo Star Shini é introduzir no Brasil a linha européia construída de aço inoxidável. Atualmente, 25% da produção da Shini é vendida no mercado asiático, 45% na Europa e 30% na América. Vogel calcula que existam 750 periféricos Shini no Rio Grande do Sul, entre os mais de 13 mil instalados no País. Um aparelho com bastante aceitação é o moinho vertical.

Apesar da presença agressiva de empresas e representações do Extremo Oriente, marcas tradicionais de equipamentos para a transformação de termoplásticos se fizeram presentes na Tecnoplast 2007. O gerente comercial da Sandretto do Brasil, Antônio Lopes, afirmou ter comparecido à Tecnoplast porque faz parte da política da empresa prestigiar todos os clientes.

“Veio bastante gente da serra e da região metropolitana de Porto Alegre também. Como a empresa fabrica injetoras em variados modelos, desde as concebidas para processar peças simples até as máquinas para peças técnicas, dos pequenos aos grandes formatos, o contato direto com compradores de máquinas é sempre importante”, avaliou o executivo.

Luciano Miotto, da LGMT, enfatizou os 44 anos de atuação no mercado. A empresa produz linhas de extrusão, roscas e cilindros. O diretor destacou que na reciclagem a extrusão elimina a necessidade de aglutinação. O mercado da grande Porto Alegre é expressivo. Ele lamentou a ausência de empresas como a Jasot e a Himaco.

Fernando C. de Castro

Lopes: Sandretto vende modelos bem variados

“As minhas peças atendem os processos de extrusão, injeção e sopro. Esse tipo de coisa é importante porque o parque de transformação de plásticos do Rio Grande do Sul perdeu muito nos últimos anos em consumo de resina, mas as empresas continuam em atividade e precisam modernizar as máquinas, ou adquirir novas”. Na Tecnoplast, a LGMT ele exibiu uma linha de laboratório para a granulação de filmes com corte na cabeça, pois tudo o que havia de moderno dentro do estande chamava a atenção, na opinião de Miotto. “A LGMT é uma marca de respeito no mercado e encontra grande prestígio entre os transformadores gaúchos.”

Fernando C. de Castro

Para Miotto, transformador gaúcho necessita se modernizar

O diretor da empresa Microjett, de Piracicaba-SP, Otair Carlos Moya, comercializa micronizadores de polímeros (máquinas de reciclagem de plástico). Ele saiu satisfeito da Tecnoplast. “Boas oportunidades de negócios surgiram aqui na feira. A busca pela novidade foi constante neste mercado e estamos encontrando isso”, afirmou o empresário. Em sua opinião, o volume de negócios foi positivo também a partir das consultas sobre modelos e preços de equipamentos periféricos, normalmente comercializados após a compra de injetoras e extrusoras de grande porte.

Palestras técnicas – Dentro da programação paralela à Tecnoplast 2007, Rubens Zolar da Cunha Gehlen, professor do curso de engenharia de plásticos da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra/RS), ministrou uma palestra sobre elastômeros termoplásticos (TPEs). Classificados como polímeros, podem ser processados como termoplásticos, em equipamentos convencionais de injeção, extrusão e sopro. Conforme Gehlen, inúmeros tipos de material são classificados como TPEs e utilizados em diversos ramos de atividades, como as indústrias automotivas, de artigos esportivos, elétrica, construção civil, entre outras. “Eles são necessários em produtos onde a elasticidade e o toque suave são exigidos, ao contrário dos materiais de natureza dura”, explicou.

O professor ressaltou ainda que, entre as vantagens dos TPEs, está o fato de permitir trabalhar com diferentes cores em um mesmo artefato de forma econômica. Devido a essas qualidades, os TPEs são considerados essenciais à tecnologia moderna. “O cenário do setor de elastômeros é muito positivo, pois com a entrada de novos materiais e o fortalecimento por meio da fusão de várias empresas, o mercado interno se tornou aquecido e competitivo”, ressaltou Gehlen.

Reciclagem foi o tema principal das palestras realizadas no Seminário Tecnologias do Plástico, outro evento paralelo à Tecnoplast. Foram apresentados exemplos de trabalhos inovadores na área, com destaque para a importância dessa atividade no âmbito econômico, social e ambiental. O palestrante José Osvaldo Mattos Filho, gerente industrial da Tamborsul, de Gravataí-RS, contou que é especializado na recuperação de embalagens plásticas contaminadas desde 1990.

“Esse tipo de resíduo pode criar graves problemas ambientais, além de gerar riscos para a saúde dos trabalhadores e para as empresas. Para tanto, os empresários necessitam possuir parceiros licenciados e qualificados, os quais visam a recuperação de embalagens contaminadas”, destacou. Mattos apresentou o trabalho desenvolvido pela Tamborsul na moagem de recipientes que não seriam reaproveitados, mas, graças a sistemas de descontaminação, podem ser reutilizados em algumas aplicações, sem risco de contaminação química.

Outra palestra teve como tema as experiências de reciclagem desenvolvidas na Ásia. O presidente da Câmara de Comércio Brasil-China do Paraná, Tony Chiu, apresentou casos de empresários de Taiwan que se especializaram na reciclagem de poliestireno expandido (isopor), madeira e pneus, produtos que, até recentemente, eram considerados de difícil reaproveitamento.

Fernando Cibelli de Castro

Compósito confirma potencial para crescer

As vendas de materiais compósitos apresentam um enorme potencial de crescimento. O raciocínio vale para os quatro cantos do planeta, em especial para o mercado nacional, em que os índices de consumo ainda se encontram distantes da média mundial. Dois setores merecem destaque especial, os de construção civil e transportes. Mas esses materiais também conquistam clientes em vários outros segmentos da economia.

O otimismo se deve às características dessas matérias-primas. Elas têm propriedades que as tornam vantajosas em dezenas de aplicações quando comparadas a outras matérias-primas hoje ainda aproveitadas em muito maior escala, como aço, madeira e alumínio, por exemplo. Para o cenário positivo se transformar em realidade, no entanto, é preciso haver maior união entre as empresas ligadas ao setor. Ao invés de concorrerem de forma feroz entre si, elas devem trabalhar em parceria no sentido de divulgar as vantagens dos produtos que oferecem. Todas ganham se conquistarem novas fatias de mercado a partir da conscientização dos clientes.

O panorama foi apresentado na primeira edição do Seminário Internacional de Compósitos, organizado pela Associação Brasileira de Materiais Compósitos (Abmaco), no último dia 23 de novembro em São Paulo. O encontro reuniu representantes de tradicionais empresas do ramo que atuam há anos no mercado nacional.

Em 2006, o segmento de compósitos no Brasil movimentou R$ 1,6 bilhão, de acordo com dados da associação. O valor representou um crescimento em torno de 5,5% em relação ao ano anterior. Ao todo, foram produzidas cerca de 120 mil toneladas, das quais em torno de 95 mil foram de resinas e 25 mil de reforços. O setor gerou 100 mil empregos diretos e 260 mil indiretos. Para 2007, a expectativa é de que a taxa de crescimento seja próxima à do ano passado. Em todo o mundo, o consumo de materiais compósitos é avaliado em 3,6 milhões de toneladas.

De 1981 a 2010, o crescimento médio anual do consumo mundial está previsto na faixa entre 5% e 6%.
Fenelon Chaves dos Santos, gerente de vendas de aditivos para a América Latina da BYK Additives e Instruments, fornecedora de insumos para o setor, ressaltou em sua palestra que entre os compósitos, os mais utilizados em todo o mundo são os fabricados a partir de resinas termofixas. Entre essas resinas se encontram as de poliéster, as éster-vinílicas, os epóxis, as fenólicas e os amino plásticos. “Os compósitos de poliéster insaturado respondem por 77% do comércio mundial”, revelou.

Ainda conforme Santos, o consumo per capita nacional em 2006 foi de cerca de 0,68 kg/habitante ano. O índice é menor do que a metade do consumo médio mundial, que está na casa dos 1,7 kg/habitante ano. Nos Estados Unidos, país de maior consumo, ele atinge os 12,3 kg/ habitante ano. Na Europa, chega aos 6,5 kg/habitante ano, número próximo ao do verificado no Japão, que é de 6,3 kg/habitante ano.

Potencial – Para se ter uma idéia do potencial de crescimento das vendas de compósitos, vale ressaltar que o consumo mundial ainda é bastante tímido quando comparado com o dos materiais tradicionais. Em todo o planeta, o aço, com 50% de participação, lidera o mercado de matérias-primas, seguido pela madeira, com 31,5%. A seguir vêm os plásticos (8%) e o alumínio (6%). Os compósitos detêm apenas 1,5% de participação.

“Há um espaço enorme para crescer”, garantiu o palestrante Sergio Falcão, líder de vendas para a América do Sul da Owens Corning, empresa especializada no fornecimento de fibras de vidro e outros reforços para a produção de compósitos. O executivo apontou algumas propriedades muito positivas dos compostos que devem ajudar a conquistar mercados hoje ocupados por outros materiais.

“Em relação ao aço, de acordo com o reforço utilizado, eles podem apresentar desempenho mecânico superior. Além disso, não sofrem corrosão, são mais leves, permitem a produção de peças com design flexível e apresentam maior resistência térmica”, destacou. Isso explica a crescente participação dos compostos em aplicações no passado impensáveis, caso de componentes presentes nas estruturas ou nos motores de aviões. Em relação à madeira, muitas vantagens dos compósitos também podem ser destacadas. Uma delas vai ao encontro de um tema presente em todas as discussões atuais, a proteção ao meio ambiente. “Ao substituirmos a madeira por materiais compósitos, podemos reduzir muito o corte de árvores”, lembra Falcão. Com os compósitos podem ser fabricados móveis, portas e centenas de outros objetos feitos em larga escala em madeira.

O momento de crescimento pelo qual passa a economia foi apontado por Falcão como um fator que potencializa a chance de bons negócios no Brasil. Não se pode esquecer que o setor de construção civil em todo o mundo é o principal consumidor de compósitos, e por aqui vive um momento efervescente. Uma ótima chance para fabricantes de caixas d’água, piscinas e dezenas de outros produtos. Outros segmentos que passam por momentos de resultados expressivos são os da indústria automobilística e o de agronegócios.

Um nicho que merece ser olhado com muito carinho pelas empresas do ramo de compostos é o de geração de energia. Nesse campo, grandes oportunidades devem ser oferecidas a partir dos pesados investimentos que prometem ser feitos pelas companhias ligadas à prospecção e à produção de petróleo e gás natural, sem falar no promissor negócio de produção de etanol. “Nas plantas desses segmentos, os compostos podem ser de grande utilidade para a produção de tubulações, chaminés, tanques e outros componentes”, ressaltou Falcão. Também precisa ser citado o crescente mercado de geração de energia eólica, que se utiliza de pás com dimensões gigantescas feitas em compósitos.

Casas completas – O grupo Marcopolo, há 58 anos no mercado, é bastante conhecido como um dos maiores produtores mundiais de carrocerias para ônibus. Ao todo, a operação produz cerca de 70 ônibus por dia, em sete unidades industriais, três no Brasil, duas na índia e duas na Rússia. Ela reúne 11,7 mil profissionais.

 

 

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