China comparece em massa a evento gaúcho

A forte presença de empresas da Ásia, em especial da China, marcou a quarta edição da Feira de Tecnologias para a Indústria do Plástico, Borrachas, Moldes e Matrizes (Tecnoplast), realizada no Centro de Eventos da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), em Porto Alegre, de 20 a 23 de novembro, promovida pela FCEM Feiras e Congressos. Com a presença dos chineses em terra gaúcha, é forte também o interesse de empresas importadoras em prospectar o mercado de

equipamentos para transformação de termoplásticos no extremo sul do País.

É o caso de Nilton Ubelino, da Montex, revenda autorizada de injetoras da marca Shuangma, produzidas em Taiwan. O representante comercial ressaltou o interesse do grupo asiático em conquistar novos mercados para vender os seus equipamentos. No momento, o foco da Shuangma é ocupar o nicho de injetoras para pré-formas e tampas de garrafas de PET. Em um segundo, a idéia é expandir na área de autopeças técnicas. “O que a indústria da Ásia oferece é preço competitivo”, desafiou Ubelino.

Fernando C. de Castro

Ubelino: vantagem asiática está no preço competitivo

Como forma de atender às necessidades básicas dos transformadores e transcender a venda de máquinas, Ubelino reconhece que os compradores de bens de capital brasileiros são exigentes quanto ao quesito assistência pós-venda e garante que um importador – de fato interessado em vender máquinas – precisa cuidar desse aspecto. Por conta disso, ele garante que as injetoras vendidas pela Montex contam com assistência técnica a partir de um contrato firmado com uma empresa especializada em manutenção e reposição de peças. “Os fabricantes de Taiwan estão de fato preocupados. Eles querem transmitir confiança aos compradores”, sublinhou Ubelino.

Outro ponto importante na sanha asiática pelo mercado brasileiro é manter as revendas e os possíveis clientes conectados com seus lançamentos. No caso da Shuangma, sua revenda no País é constantemente abastecida com catálogos, prospectos e informações sobre a atuação da empresa no mercado de injetoras da Europa, de tal forma a transmitir imagem de credibilidade aos equipamentos. São máquinas de 90 toneladas até 1.600 toneladas de força de fechamento.

As injetoras para pré-forma variam de 16 a 32 cavidades e a força de fechamento fica entre 200 t e 400 t. As encomendas para máquinas de linha podem ser atendidas em 60 dias. A Shuangma, garante o representante, pode ir muito além e fornecer máquinas voltadas à confecção de peças técnicas como pára-choques automotivos, pára-lama de bicicletas, embalagens rígidas, entre outros. Com o boom da máquina chinesa, as importadoras buscam cada vez mais conquistar a confiança dos transformadores.

Na óptica de Ubelino, contratar uma empresa familiarizada com esses equipamentos é fator de segurança para o transformador na hora de fechar o negócio. “O importante é procurar empresas especializadas. Em uma importação mal conduzida, o preço final de uma máquina pode subir de R$ 100 mil para R$ 150 mil em impostos, multas e despacho aduaneiro”, avisou Ubelino.

Experiente no segmento de bens de capital para a indústria de termoplásticos, o empresário Edson Vogel também pegou carona na onda importadora de injetoras provenientes da indústria do Extremo Oriente. Ele responde no Brasil pela marca FCS e garante: “Todo mundo consegue vender bem. Ninguém reclama de ninguém. Tem lugar para todos.” Ele gostou da idéia de tentar revitalizar as feiras do setor em Porto Alegre, embora entenda que a Tecnoplast precisa crescer mais para se consolidar.

Segundo Vogel, o Rio Grande do Sul é um bom mercado, pois existem transformadores espalhados por todo o Estado. A FCS oferece injetoras de 300 toneladas de força de fechamento até 5 mil, convencionais, ciclo rápido, injeção bicolor, a gás e injeção BMC para carcaças de lanternas de automóveis. O seu ponto forte é atender à indústria automotiva, em especial às fábricas de pára-choques e painéis. Ainda assim, considera também interessante a indústria de linha branca. Vogel calcula ter colocado 1.300 máquinas no mercado brasileiro, nos últimos anos.

Fernando C. de Castro

Vogel: feira precisa crescer para se firmar

Com o grande interesse dos fabricantes chineses e de Taiwan pelo mercado brasileiro, tem até transformador de termoplásticos alçando vôos rumo à diversificação dos negócios. Fernandez Ferreira, de São Paulo, é agora representante da YJ. Ele conta que sua atividade se origina da injeção de carcaças de telefones, centrais telefônicas, centrais de alarme e segurança. Comprou duas injetoras da marca e gostou tanto que resolveu revendê-las no mercado daqui.

“As injetoras são fabricadas na China, mas o capital é inglês e a principal vantagem é que vêm de fábrica com um software operacional completo”, observou Ferreira. A baixa demanda de energia é outro atributo das injetoras YJ, as quais chegam ao mercado global a partir das 230 toneladas de força de fechamento até 1.200 t. De acordo com Ferreira, o alvo da YJ é a região de Caxias do Sul, onde há um pólo metal-mecânico e de produtos eletrônicos – o qual emprega injeção de termoplásticos em acabamento e peças técnicas. Por conta disso, ele quer participar da Interplast de Joinville, onde pretende abrir um posto avançado para comercializar as YJ na Região Sul.

Clécio Azevedo, gerente comercial da Haitian, marca consolidada em solo brasileiro, com fábrica desde 2004, é um entusiasta do mercado gaúcho para a venda de injetoras. Garantiu ter colocado 81 delas, só ano passado, nessa região e não faz por menos. Projeta mais cem até o final de 2007. Azevedo ressaltou a atual estrutura da Haitian montada em São Paulo, a qual engloba 5.600 m² construídos em uma área de 15 mil m².

“É um mercado interessante. Os contatos são muito importantes. O gaúcho é muito cortês e honesto”, salientou o gerente comercial da Haitian. Azevedo afirmou que a empresa ocupa entre 32% e 36% do mercado brasileiro de injetoras vendidas no período recente, o equivalente a 6 mil máquinas no mercado nacional, e disputa a liderança mundial com uma média de 18 mil máquinas por ano.

Diretor comercial da Star Shini, de Taiwan, um dos maiores fabricantes de periféricos do mundo, Klaus Vogel aproveitou a Tecnoplast para fazer contatos. Em sua opinião, o Rio Grande do Sul tem grande potencial para a empresa vender projetos de instalação completa de periféricos porque a Shini também presta serviços. A idéia é montar centrais de alimentação de máquinas com todos os periféricos, desde as individuais para uma pequena linha de produção até centrais completas para alimentar dezenas de máquinas.

“Tem muita gente que vende aparelhos da Shini, mas somente a Star Shini traz ao Brasil

Fernando C. de Castro

Klaus Vogel: participação serviu para fazer contatos

os desenhos das peças de reposição e importa componentes eletrônicos em separado para a manutenção”, sentenciou Klaus Vogel. A Star Shini opera como representante oficial há mais de um ano e oferece diversos itens de periféricos como alimentadores, granuladores, cristalizadores, misturadores, moinhos, circuladores e recicladores de ar, um equipamento simples ligado a um secador que retira o ar do secador, extingue a umidade e devolve ar quente e seco em um ciclo fechado.

 

 

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