Consolidar – Com 30% do faturamento vindo das exportações (e, dessa fatia, 12% de vendas para a Europa), a produtora de masterbatches Cromex participou da feira de olho nos clientes europeus e na conquista de novos mercados. “O objetivo é consolidar o que já foi feito e mostrar que a entrada na exportação não é um mero acaso, mas uma estratégia de mercado que continuará a ser adotada”, explicou Ricardo Medeiros, gerente de negócio na empresa. Sem conseguir repassar integralmente o efeito da variação cambial, a perda de competitividade da empresa não foi tão dramática quanto a desvalorização do dólar. Com apertos nos custos e algum conteúdo tecnológico superior, foi possível manter as exportações. As margens são pequenas, mas a alavancagem dos volumes de vendas contribui para a redução dos custos.

Um mapa no estande revelando a área de atuação da empresa mostrava, conforme Medeiros, uma presença realmente global por meio de distribuidores e representantes. O mesmo mapa, entretanto, indicava situação diferente nos EUA. “Os Estados Unidos precisam de uma estratégia específica. É um salto que a Cromex deve dar no segundo semestre de 2008”, disse Medeiros. Estratégia específica, nesse caso, significa maior presença local para competir com um parque fabril muito bem capacitado. A presença também é tímida na China, devido à competição com os produtores locais e seus preços tradicionalmente inexplicáveis – ou inconfessáveis. Tecnologia não é um problema, pois os masters chineses não são reconhecidos mundialmente pela sua qualidade técnica, mas a briga com seus preços é ingrata.

A Europa também é um mercado importante para o grupo Unigel, em cujo estande os visitantes foram apresentados a resinas e chapas de PC e acrílico, filmes de PC e blendas PC/ABS. A presença no continente ocorre principalmente no mercado de PC, em que um trabalho de distribuição com mais de 15 anos já fixou a marca do produtor brasileiro, além de permitir a prática de preços melhores, o que ainda não ocorre com as chapas de acrílico. Nesse mercado, de acordo com o gerente de exportação do grupo Unigel, Fábio Terzian, o risco da importação de produtos menos conhecidos implica em preços mais baixos e menores margens de venda, que viabilizem os testes de potenciais clientes.

O grupo Unigel é o único produtor local de PC e acrílico do Brasil e domina uma boa fatia do mercado nacional. Para crescer em taxas maiores que às do consumo nativo, no entanto, recorre às exportações, usadas também como forma de aprimorar seus produtos. As vendas externas entram em nova fase em 2008 com um esforço para realizar negócios também nos EUA. Segundo Terzian, atuar em ambos os mercados trará maior estabilidade à atividade de exportação a longo prazo, pelos efeitos de compensação de perdas e ganhos que afetam ciclicamente as economias. O gerente considerou a edição de 2007 da feira “muito forte”, recheada de visitas e possibilidades de novos clientes, apesar da incerteza que a venda do negócio de plásticos especiais da GE para a Sabic causa no mercado de PC.

Na K, o grupo Unigel destacou produtos que estarão disponíveis no final de 2007, entre eles filmes de PC com espessura entre 0,1 mm e 1 mm (capacidade de produção de 2,5 mil t/a), uma blenda PC/ABS (4 mil t/a) e chapas alveolares de PC (2,5 mil t/ano). Os visitantes também souberam que o grupo brasileiro passa a fabricar 5 mil t/a de SAN em 2008, e a produção de chapas extrudadas acrílicas será ampliada ainda em 2007, com o lançamento de uma segunda linha de produção. Nessa etapa, a capacidade se eleva de 5 mil t/a para 10 mil t/ano. No terceiro trimestre de 2008, a produção será novamente aumentada, com o lançamento da terceira linha de extrusão (adquirida, de acordo com Terzian, durante a K) e elevação da capacidade a 15 mil t/a. Os consumidores de resina acrílica também serão beneficiados por essa onda de expansões, completada pela duplicação da produção de PMMA, no final de 2007, de 10 mil t/a para 20 mil t/a.

Outra veterana de feiras em Düsseldorf e do mercado europeu é a Inbra, que sempre manteve entre suas prioridades o mercado externo. A produtora de aditivos destina mais de 35% da produção de óleo de soja epoxidado (usado como plastificante e principal produto de exportação) ao mercado externo, especialmente para a Europa e os Estados Unidos. As matérias-primas empregadas na síntese do óleo epoxidado são dolarizadas. Obviamente, como todo exportador, a Inbra tem sofrido com o câmbio, mas até 4 ou 5 meses atrás, seu efeito não era tão acentuado como hoje, relata o gerente de exportação e vendas, Teodoro Canossa. O preço interno brasileiro é melhor que o de exportação, mas o mercado não absorve a capacidade de produção da empresa, equivalente ao consumo europeu total, de 50 a 70 mil t/ano. Lá, a demanda por óleo de soja epoxidado cresce há cinco anos, beneficiada pelo encarecimento dos plastificantes petroquímicos e o aperto em sua disponibilidade para o fornecimento. Canossa afirma que poderia haver novas oportunidades de negócios em estabilizantes térmicos, mas trata-se de especialidades que demandam apoio técnico muito grande. O novo regulamento europeu de registro REACH, em certa extensão, protege o mercado europeu, devido ao elevado preço das taxas de registro de produtos, e também contribui para complicar a atuação no segmento de estabilizantes.

A novidade da Inbra na K para o mercado europeu foram os estabilizantes térmicos com base em Ca/Zn, para a produção de tubos e perfis de PVC. Sua maior peculiaridade é a forma de apresentação do produto, bastante frágil e com alta dispersibilidade, permitindo um novo processo de mistura mecânica e aglomeração com alta reprodutibilidade. Essa característica é a responsável por um largo sucesso no mercado do Brasil na substituição de estabilizantes de chumbo.

Mais tecnologia made in Brazil Os lançamentos mais importantes de expositores brasileiros no mercado europeu foram reforçados pela coextrusora tubular da marca Ciola, produzida pela Acmack e lançada, no País, há cerca de um ano. A máquina, a única com refrigeração a água para a coextrusão de PP, abre a possibilidade de novas características à poliolefina, pela combinação com materiais como PEs metalocênicos, dotados de maior elasticidade e melhor soldabilidade.

A Acmack é uma exportadora de longo tempo, e a marca Ciola, um nome estabelecido no mercado internacional. Seu principal mercado de exportação está na América Latina, e por conta do câmbio, as vendas ao exterior caíram de um pouco mais da metade da produção para quase um terço nos últimos tempos. Como o preço passou a ser um fator de dificuldade no mercado internacional, a feira foi uma boa chance para destacar os avanços em tecnologia. “Foi importante mostrar a diferença de qualidade do filme que produzimos em relação a outros produtores de países como China e Taiwan”, afirmou o diretor-presidente Aldo Ciola, ressaltando o esforço para evidenciar aos visitantes o foco da redução de custos baseado em tecnologia nova com melhor desempenho do filme coextrudado.

O diretor junta-se aos expositores que comemoram os resultados da participação na K, em uma edição em que a empresa não fez grandes negócios, mas preparou muitos contatos que ajudarão a girar a sua produção nos próximos dois anos.

Ciola: coextrusora diferencia Acmack de concorrentes

Se nem sempre o Brasil está na posição de líder tecnológico, as disparidades entre equipamentos nacionais e estrangeiros não é mais uma caso de favas contadas. A Primotécnica, que expôs modelos

de suas linhas de extrusoras e moinhos, já atua no mercado da América do Sul (e com maior dificuldade, na Europa, com vendas de duas ou três máquinas por ano, na maior parte das vezes, moinhos) e foi à Alemanha para reforçar laços com clientes brasileiros sempre sem tempo e com o mercado internacional. Na avaliação do gerente comercial da empresa, Dante Casarotti, com base no que pode ver na feira, o atrativo dos equipamentos da Primotécnica é o seu preço. “Produzimos máquinas similares às americanas e européias mais caras. O equipamento estrangeiro pode até oferecer um pouco mais, mas a diferença de preço é muito maior”, constatou Casarotti.

Casarotti vê vantagem em preços da Primotécnica

A fabricante apresentou produtos já lançados na Brasilplast: uma extrusora dupla-rosca co-rotante com diâmetro de 50 mm para a manufatura de compostos de PP, PE, PA, masterbatches e moinhos. Embora declare que sempre vale estar na K, o gerente comercial da Primotécnica notou que os três primeiros

 

 

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