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Um
grupo de 12 produtores industriais e a Alcântara Machado, promotora da
Brasilplast, representaram a cadeia do plástico do Brasil em Düsseldorf. A
desvalorização do dólar perante o real e a conseqüente redução da
competitividade desses expositores dificultaram os negócios com o exterior
nos últimos anos, mas suas apostas no mercado externo permaneceram firmes,
como tentaram demonstrar com a presença na K.
Provavelmente, a aparição de maior impacto foi a da Braskem, pela sintonia
com a tendência marcante de lançamento de biopolímeros, obtidos de fontes
renováveis. Em uma das entrevistas coletivas mais concorridas da feira, a
confirmação do investimento de mais de US$ 150 milhões para produzir 200 mil
t/ano de PE 100% renovável com base em cana-de-açúcar ao fim de 2009
despertou grande interesse na imprensa internacional, como já causara no
mercado.
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Apresentando a empresa como uma petroquímica brasileira com pretensão
a ser uma das dez com maior valor de mercado no mundo em 2012, o
presidente da Braskem, José Carlos Grubisich, informou que o projeto
está em fase final de compilação das informações de engenharia básica
e refino da estrutura financeira de alocação de recursos. A tecnologia
está pronta para o implemento industrial, após a solução de
dificuldades como a purificação do etileno obtido da desidratação do
etanol renovável. Essa etapa é essencial à nova tecnologia, porque o
etileno petroquímico dispõe de uma série de métodos de purificação já
disponíveis, mas o alcoolquímico, não. Como a partir da obtenção do
etileno a tecnologia de polimerização é a mesma, Grubisich afirmou que
a Braskem pode produzir todos os PEs que já sintetiza, e eles podem
ser usados nos equipamentos de transformação existentes, sem
modificações. O foco inicial serão PEADs para recipientes plásticos e
PEBDLs metalocênicos para filmes e sopro de embalagens com alto
potencial de agregação de valor. |
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Grubisich: mercado mostra forte interesse por PE verde |
O interesse
do mercado em desenvolver produtos com a matéria-prima certificada pelo
laboratório Beta Analytics USA, especialista em análise de carbono 14, foi
comemorado pelo presidente: há desejos por acordos de fornecimento de longo
prazo, investimento conjunto em projetos de desenvolvimento e licenciamento
da tecnologia para outros competidores – muitos presentes na feira. O
potencial de venda do produto é maior que o inicialmente estimado, para a
alegria da Braskem, cuja posição é muito confortável, pois o novo PE já tem
preço competitivo em relação ao concorrente petroquímico. Conforme se
comporte o preço do petróleo, ele pode se tornar mais barato, e os clientes
pagariam felizes, atualmente, por um produto mais caro e com o carimbo
verde, disse Grubisich. A pesquisa em alcoolquímica também abriu novas
fronteiras de desenvolvimento tecnológico, que devem levar à criação de
monômeros (propeno e buteno) e um PP também 100% renováveis – as primeiras
amostras já estão sendo testadas na indústria automotiva. A Braskem ainda
converterá sua capacidade de produção de MTBE (metil-t-butil-éter, obtido de
metanol) para ETBE (etil-t-butil-éter, feito de etanol de cana). Ao fim de
2008, 300 mil t/ano de ETBE estarão disponíveis para o fornecimento ao
mercado internacional, principalmente da Europa e do Japão.
Marcar presença – Mas os expositores brasileiros nem sempre possuem
novidades tão retumbantes a serem anunciadas, e a maior parte deles foi à
Alemanha mais interessada em encontrar clientes brasileiros visitando a K,
reforçar laços com clientes do exterior ou ampliar as exportações.
A Suzano, outra petroquímica nacional na feira, buscou a proximidade com os
brasileiros necessitando de apoio para alavancar projetos ou buscar
oportunidades no mercado internacional, e também foi para o corpo-a-corpo
com consumidores responsáveis por um grande volume exportado para a América
Latina e, em menor escala, para Europa, a África e a Ásia. Cerca de 20% da
produção de PPs da empresa é vendida no exterior.
Quem visitou o estande pode ter estranhado a apresentação ainda como
Polibrasil. A expositora não se chamará mais Suzano Petroquímica após a
venda à Petrobras, e como Polibrasil é a marca de seus produtos e um nome
muito conhecido fora do País, não havia sentido em usar um nome que se
extinguirá.
Mas qual é a força de uma petroquímica brasileira para exportar para
mercados como o europeu?
“O grade de BOPP de referência mundial é produzido pela Suzano”,
disse o gerente de vendas Marcelo Fornereto. Há casos em que a competição se
dá com outras commodities, aí é uma briga por custo, mas o portfólio de
grades é muito grande, e há situações em que a produtora desenvolve
especialidades a tal ponto de conquistar uma preferência como a pelo BOPP.
Além disso, produtores europeus líderes de mercado podem se recusar a
produzir quantidades menores de determinados polímeros. Em alguns casos,
explicou Fornereto, a Suzano, que também tem grande escala, mas um mercado
menor, pode se adequar para produzir essas resinas com determinadas
características especiais.
O gerente relatou diversidade de novos contatos na feira. “Se optássemos por
exportar 50% da produção, os contatos realizados na feira poderiam absorver
esse volume”, afirmou. Esses contatos aconteceram com potenciais clientes da
Índia, da Turquia, de diversos países da África e do Oriente Médio, além de
muitos europeus da Alemanha, Itália, Espanha e Portugal. A Europa, em
particular, vive um momento de balanço entre oferta e demanda de PP muito
apertado, abrindo espaço para produtores de outros mercados.
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A Suzano
apresentou alguns produtos na feira, como PPs randômicos em fases
experimentais de pesquisa e pré-marketing, além de grades
lançados na Brasilplast, até então em testes e agora disponíveis
comercialmente.
Os visitantes da K interessados em commodities petroquímicas
brasileiras também puderam conhecer os produtos da Petroquímica União,
pelas mãos de um distribuidor na Europa, a C. H. Erbslöh. A colaboração
dessa empresa com a PQU ocorre desde 1994, com momento de altos e
baixos, segundo Karl-Heinz Dudenhausen, diretor de vendas internacionais
da C. H. Erbslöh. As oscilações aconteceram, sobretudo, de acordo com
Dudenhausen, devido aos problemas de fornecimento da fábrica brasileira,
mas também pela dificuldade inicial do próprio distribuidor para fincar
os pés no mercado. Hoje, a distribuição das resinas da PQU está bem
estabelecida no mercado alemão, e também há vendas para a Áustria,
Polônia e Suíça. No momento, entretanto, o mercado está travado, porque
a PQU utiliza ao máximo a sua capacidade instalada. |
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Táticas
brasileiras deve melhorar, crê Dudenhausen |
O diretor de
vendas crê que as empresas brasileiras pecam por enfatizarem seus bons
produtos, focados na produção de artigos de boa qualidade, sem dar maior
valor ao marketing, como deve ser feito na Europa. Os produtores vendem em
toda a América Latina, mas têm dificuldade para atravessar o Atlântico e
desembarcar no Velho Continente, e quando o fazem, erram ao não optarem por
vendas a um setor do mercado mais amplo e estável, formado por vários
clientes médios e pequenos, além de alguns poucos grandes.
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