da canadense Brampton Engineering, com a linha Aquafrost de extrusora balão resfriada por câmara de

água. Com um modelo de nove camadas exposto (e vendido na feira), a Brampton revelou ter instalado há dois anos na Finlândia o primeiro sistema Aquafrost para dez camadas do mundo, para produzir filme de PP com alta barreira para embalagem alimentícia.

O mercado de balão, porém, é ainda dominado pelos filmes de três camadas. Prova foi a maior quantidade de expositores com máquinas desse tipo. Até nos estandes dos que anunciavam proezas nesse campo, como na japonesa Hosokawa Alpine, que revelou o recente fornecimento das primeiras linhas de cabeçotes e extrusoras de nove camadas Generation X, a máquina em exposição era de três camadas. Tratava-se

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Cabeçote da geração X da Hosokawa Alpine

de extrusora com cabeçote de 325 mm de diâmetro, cuja bolha era resfriada por anel duplo para facilitar o aumento de produtividade, que pode chegar nessa máquina a 150 m/min de filme.

SOPRADORAS

A ênfase na exposição do segmento de sopro foi a economia de energia, seguindo a tendência ocorrida na última década, principalmente entre as injetoras, com o lançamento de modelos totalmente elétricos ou híbridos. Todos eles bem mais econômicos em comparação às versões hidráulicas. A segunda grande atração foi a briga entre os fabricantes de sopradoras de preformas PET (stretch blowmolding) para mostrar quem conseguia produzir a garrafa mais leve do mercado.

Para começar pela questão energética, a japonesa Nissei ASB deu destaque ao seu modelo de injection stretch blown molding (ISBM) totalmente elétrico: a ASB-15N/10E. De acordo com o seu diretor, Shuhei Yokoyama, a máquina emprega 60% menos energia elétrica do que similares hidráulicas. Também com vibração e barulho reduzidos, a versão é, conforme revelou Yokoyama, a primeira ISBM totalmente elétrica do mundo. Embora tenha tido sua premier mundial de lançamento durante a K, três delas já foram vendidas no Japão em novembro de 2007. E em aplicações onde o diretor considera ser seu primeiro foco: para embalagens da indústria cosmética e médico-farmacêutica, em que há muitas exigências referentes a contaminações de óleo, o

Marcelo Furtado

Yokoyama: Nissei lançou ISBN totalmente elétrica

óleo, o que a máquina garante por não usar acionamento e fechamento hidráulicos.

Na feira, a máquina elétrica da Nissei processava um pote farmacêutico, de 38 mm e 13 g de PP, em molde de quatro cavidades. A máquina pode injetar-soprar potes desse tipo de até 2 litros. A meta de reduzir consumo de energia, segundo explica Yokoyama, não se limita ao lançamento. A sua ISBM hidráulica mais vendida mundialmente, a ASB-70DPH, foi apresentada na K em nova versão com ganhos de consumo de energia. Comparada com o modelo anterior, a máquina consome 40% menos de eletricidade. E isso com melhorias no tempo de ciclo: 13% mais rápido.

Houve mais expositores destacando sopradoras econômicas em energia, preocupação crescente em todo o mundo. A norte-americana Uniloy Milacron foi um caso especial, porque apresentou uma versão totalmente elétrica e outra híbrida. A primeira é a injetora-sopradora UMIB-100, com 100 toneladas de força de fechamento, cujo consumo de energia foi reduzido entre 40% e 60% em comparação com máquina hidráulica de mesma capacidade. Por ser oil-free, também encontra uso na produção de garrafas de uso cosmético e farmacêutico. Nessas aplicações, aliás, outro detalhe técnico ainda auxilia na prevenção de contaminações: um fluxo de ar acima do molde previne acúmulo de poeira e sujeiras. Durante a feira, a máquina processava frasco para aplicação nasal de 10 ml de PEAD em 12 cavidades. Seu projeto permite sopros de embalagens desde 2 ml até 1 litro.

Já a extrusora-sopradora híbrida, a primeira construída pela Uniloy, era o modelo UMS 16H.S. Todos os movimentos da máquina, com exceção do fechamento, passaram a ser acionados por motores elétricos. Isso permitiu economia de energia de 22% em comparação a similar hidráulica. A Uniloy ainda ressalta outras qualidades do acionamento híbrido: menos ruído e possibilidade de operação em salas limpas. A máquina em exposição processava um frasco de 10 litros com 350 g. Muito rápida, por contar com moldagem resfriada e duas estações pós-resfriamento, a máquina produzia aproximadamente 180 peças por hora.

O sopro elétrico também foi o centro das atenções do estande da alemã Bekum. Desenvolvida e produzida em sua unidade de Berlim, a nova série Eblow foi representada pelo modelo 206D, o qual soprava pote de iogurte de 200 ml. Por contar com motores independentes, o ciclo da máquina se tornou mais rápido, garantindo também maior precisão e, é lógico, redução no consumo de energia de até 25%, isenção de óleo e vazamentos.

Briga de garrafa – O segundo grande assunto na área do sopro foi, sem dúvida, a continuação das brigas de concorrência entre os fornecedores de máquinas de stretch blowmolding (SBM), empregadas no sopro de preformas de garrafas PET. Se no passado recente, sobretudo a partir da K 2001, a disputa maior entre os fabricantes-líderes era pela máquina mais produtiva, desta vez o motivo da briga foi outro. As competidoras agora destacavam em seus estandes a possibilidade de suas sopradoras produzirem as garrafas mais leves do mercado.

O conflito ficou evidente nos estandes de alguns fabricantes. A alemã Krones criou uma chamativa “vitrine”, na qual garrafas de 0,5 litro, para água mineral sem gás, flutuavam com a injeção de ar comprimido. O objetivo era mostrar aquela que a Krones considerava a garrafa mais leve do mundo: com apenas 8,8 g. O tom era de provocação a um dos destaques da francesa Sidel, anunciado antes da feira (ao contrário da Krones, que guardou o segredo) e que tinha atingido, com o mesmo tipo de garrafa, o peso de 9,9 g.

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UMIB-100: sopradora elétrica reduziu 60% do consumo de energia

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Sopradora híbrida da Uniloy: 22% de economia

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Elétrica Bekum economiza 25% e não tem vazamento

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Krones destacou garrafa PET de 0,5 litro mais leve do mundo

Na verdade, esse foi apenas mais um round da briga que ainda envolve os outros importantes fabricantes de máquinas de SBM, que desenvolvem para o cliente todo o ciclo produtivo da garrafa PET, desde os projetos das pré-formas injetadas até o sopro final com suas máquinas SBM. Isso porque a suíça SIG Corpoplast, em uma feira alemã de tecnologias de bebidas (DrinkTec, em 2005), havia lançado uma garrafa de 0,5 l com 12 g. Essa atitude, por sua vez, havia provocado a reação do fabricante italiano

de máquinas de sopro, a Sipa, também expositora da K, que logo em seguida criou a sua versão com 10,9 g.

A leveza das garrafas significa também ganhos ambientais e econômicos, visto que o consumo de resina PET cai e a necessidade de reciclagem futura também diminui. Mas há também quem aponte um aspecto negativo: essas tecnologias diminuem a rigidez das garrafas, quando se remove suas tampas, afetando o nível de aceitação dos consumidores. Apesar dessa perda de rigidez não ser uma restrição técnica para impedir a aplicação, é também esse o motivo de, por enquanto, essas garrafas serem

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SBO 24 processava as garrafas leves da Sidel

 voltadas apenas para água não-carbonatada, para evitar o efeito do gás na menos resistente estrutura da garrafa. No futuro, a percepção do mercado é de mais projetos e desenvolvimentos expandirem o conceito de garrafa leve em outros tipos de bebida.

Mesmo com as limitações, segundo informou Sylvie Ory, da Sidel, a garrafa NoBottle apresentada na K (processada na feira em uma máquina SBO 24 de alta velocidade) foi concebida com os propósitos de aliar a leveza de 9,9 g com a aparência atrativa para o consumo. Para tanto, o grupo criou uma tecnologia flexível denominada Flex, para permitir à embalagem retornar para a sua forma original depois de levemente amassada pelo contato com o consumidor ou na sua manipulação em transporte.

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      Sylvie: garrafa da Sidel, de 9,9 g, tem tecnologia "antiamassado"   

 “Tipicamente, quando se reduz o peso da garrafa, os produtores criam nervuras para sustentar as paredes da embalagem. Com a tecnologia, responsável pela criação de uma espécie de memória da forma da garrafa, as nervuras não são necessárias”, explicou. “Com isso, o designer de embalagem fica livre para dar formatos mais graciosos à garrafa.”

Além da tecnologia melhorar as condições de transporte e manuseio, os ganhos ambientais com a garrafa são evidentes. Isso porque uma convencional de mesma capacidade, ou seja, 0,5 l, pesa de 13 g a 16 g. “A NoBottle pesa de 25% a 40% menos, resultando em muito menos material para ser reciclado”,

disse Sylvie. Como o mercado-alvo da garrafa é o de água mineral, o futuro se torna ainda mais animador. Trata-se do maior consumo mundial dentro da indústria de bebidas, de cerca de 160 bilhões de litros em 2006, com taxa de 5,7% de crescimento anual pelo menos até 2010.

Já a Krones comemorava a façanha de ter ultrapassado a Sidel, divulgando com orgulho germânico o recorde mundial de produzir a garrafa com apenas 8,8 g. De acordo com Stefan Hauke, do gerenciamento de produto da divisão de plásticos da Krones, a empresa conseguiu reduzir muito do peso no chamado bocal da garrafa (mouthpiece). “Normalmente, essa área pesa 3,5 g, na nossa, apenas 1,959 g”, revelou Hauke.

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Hauke: projeto da Krones reduziu 45% do peso e chegou a 8,8 g

Também no anel-pescoço (neck ring) da garrafa a espessura da parede de 0,1 mm representou uma redução entre 20% e 30%. O técnico ressaltou que a Krones empregou PET standard para o projeto, representando ganhos ainda mais expressivos para uma garrafa com peso até 45% menor do que a convencional. Como perspectiva do projeto já em escala comercial, a Krones anuncia ter recebido pedido para desenvolver projeto similar, com redução de espessura de anel e de peso no bocal, de uma garrafa de água mineral de 0,6 litro, incluindo uma linha completa de produção. Aliás, a empresa colocou em operação na K a máquina SBM Contiform S14, com capacidade para produzir 22 mil garrafas por hora, com consumo de energia 10% menor do que a versão anterior.

As outras da área de SBM, embora tenham começado a briga das garrafas leves em feiras, na K 2007 tiveram exposições menos agressivas e se esquivaram do conflito. A italiana Sipa destacou modificações em suas sopradoras rotativas, com o modelo SFR 12 EVO com desempenho melhorado, representado pelo baixo consumo de energia e menor necessidade de manutenção. A nova versão pulou de uma capacidade anterior de 1.800 garrafas/h/cavidade para 2 mil garrafas/h/cavidade, chegando a

uma produção total de 24 mil garrafas por hora. O suprimento de ar foi reprojetado para usar sistema de recuperação via tanque auxiliar, reduzindo os tempos de sopro, o consumo de ar e o consumo de energia.

Já a SIG preferiu uma exposição de cunho mais institucional, mostrando nova estratégia de agregar valor ao cliente, criando o slogan Value Added Bottling. Segundo o gerente de vendas da filial brasileira, Renato Boscaine, trata-se de uma forma de dizer ao mercado de bebidas que o grupo não quer apenas vender suas máquinas de sopro, mas desenvolver projetos em conjunto, otimizando a embalagem. “Queremos nos envolver mais, visto que ganhos em economia de energia, de matéria-prima e na maior rapidez na produção são também serviços que podemos vender”, disse o gerente. Aliás, com a

Marcelo Furtado

Boscaine: SIG começou a disputa das garrafas, com versão 12g

estratégia, a SIG só confirmou o que os outros produtores demonstraram indiretamente ao destacarem as garrafas mais leves em seus estandes.

 

 

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