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O interesse na produção de filmes de BOPP vai além das fronteiras
brasileiras. Segundo anúncio do grupo industrial chileno Sigdo Koppers, sua
filial, a Sigdopack, instalou uma moderna fábrica com capacidade anual de
37,5 mil toneladas do filme. Localizada em Campana, na província de Buenos
Aires, Argentina, a planta atende também o Brasil. Com investimentos de US$
50 milhões, a companhia busca ser uma das três mais importantes fabricantes
de filmes para embalagens entre os latino-americanos. A produção teve início
em agosto e hoje opera com 80% de sua capacidade instalada.
O investimento tem um porquê. Para os executivos do grupo, o uso dos filmes
de BOPP tem aumentado na última década, especialmente na América Latina.
Nessa região, eles constataram crescimento médio de 10% nos últimos anos.
Entre os fatores que favoreceram esse avanço, destacam-se a mudança do
hábito alimentar da população latino-americana, que incorporou em sua dieta
os alimentos envasados. Outro ponto a favor do BOPP é a substituição de
embalagens de papel pelo filme termoplástico. A Sigdopack iniciou suas
atividades em 1997 e hoje tem capacidade de produção de BOPP de 30 mil
toneladas/ano, no Chile, e de 37 mil toneladas anuais, na Argentina. A
empresa se volta para as embalagens flexíveis nos alimentos e nas etiquetas.
O tradicional fabricante argentino de filmes de polipropileno biorientado, a
Votocel, do grupo Votorantim, desde 2005 pertence à Vitopel. De acordo com o
presidente da Vitopel do Brasil, Plínio Musetti, após a aquisição, a empresa
pôde competir com quaisquer produtores locais e estrangeiros. Com esse
negócio, segundo seus executivos, a Vitopel tornou-se a quinta maior
companhia de BOPP do mundo, com nove linhas de produção. “Temos a
flexibilidade de direcionar mercado e produtos para obtermos a melhor
performance e atender os nossos clientes”, afirma Musetti.
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A
história desse fabricante remonta para 1988, na Argentina, onde
iniciou a produção do filme. Em 1997, chegou ao Brasil com a aquisição
da Koppol, empresa localizada em Mauá, São Paulo. Hoje, tem capacidade
para produzir 127 mil toneladas ao ano, das quais 70% representam a
demanda nacional. A Vitopel atua em três áreas: embalagem, rótulo e
etiqueta, e ingraf (filmes de BOPP para laminação de produtos gráficos
e produção de fitas adesivas); cada segmento representa para o
faturamento da empresa: 65%, 19% e 16%, nessa ordem.
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Divulgação
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Vitopel comprou a planta em Mauá há dez anos |
Para Musetti,
hoje a Vitopel é líder em BOPP no Brasil e na Argentina, com mais de 50% de
participação. A intenção é crescer. “Em 2008, seremos impulsionados pelos
novos projetos e aplicações com taxas acima da média dos últimos anos”,
prevê Musetti. Apesar de não definir as novidades, ele antecipa que a
empresa está investindo no desenvolvimento de novos produtos e em inovação
tecnológica.
Flexível – O mercado de filmes de BOPP acompanha de perto o da
indústria de embalagens plásticas flexíveis. Esse setor faturou cerca de US$
3 bilhões e registrou produção em torno de 680 mil toneladas, no ano
passado. Esse cenário tem potencial para crescimento. Segundo estudo da Pira
International, divulgado pela Associação Brasileira de Embalagens Plásticas
Flexíveis (Abief), até 2010, a demanda mundial desse tipo de embalagem
aumentará 30%. As expectativas para o Brasil apontam que, até 2009, o
consumo será elevado em 20%.
Os fabricantes de BOPP têm muito a faturar. No Brasil, os segmentos de
biscoitos representam o maior consumo entre os flexíveis plásticos. O fumo
vem em seguida. No quesito inovações, os desenvolvimentos apontam para os
produtos personalizados e em doses individuais, assim como as embalagens
interativas e aquelas que embutem um apelo ecológico, de acordo com a Abief.
“Para a indústria do BOPP, vislumbro o desenvolvimento de embalagens
biodegradáveis e laminação com outros substratos, como não-tecidos,
polietileno, poliéster, papel e outros”, comenta Musetti.
BOPP no mundo - Estudo divulgado pela Abief anuncia um cenário pouco
positivo para o BOPP nos próximos anos. As expectativas dão conta de que o
crescimento desse filme será de 5,9% ao ano até 2010. Segundo diagnóstico de
pesquisa realizada pela consultoria PCI Films, a Ásia, sobretudo a China,
representa o principal player deste mercado, estimado em torno de 6 milhões
de toneladas, para daqui a três anos.
Como referência, o estudo utiliza o mercado europeu de filmes flexíveis,
estimado em 3,6 milhões de toneladas em 2009. O BOPP corresponderia a 25%
deste volume. Em tempo: o consumo per capita de BOPP no mundo é de 0,65 kg
por habitante.
Hoje, 68% dos filmes de BOPP são usados na indústria mundial de alimentos.
Desse total, 15% se destinam às embalagens de biscoitos e produtos de
panificação. O restante se divide entre massas, confeitados e outros
alimentos.
O estudo revela, no entanto, uma oportunidade para o mercado de BOPP: o
segmento premium. Além de garantir a proteção, crocância e o aroma dos
embalados, o filme oferece a excelente aparência do metalizado, assim como
oferta possibilidades diversificadas com o aspecto mate. “Em virtude do alto
brilho, é possível colocar o BOPP em aplicações nobres, mesmo em embalagens
rotuladas, como de populares”, diz Sandra, da Polo Films. Entre as vantagens
do filme, ela considera também o alto brilho, a transparência e a boa
opacidade em películas brancas, além do rendimento e do valor agregado.
A PCI Films aponta ainda que os fabricantes de BOPP devem buscar estratégias
de competitividade, baseadas nas tecnologias de processamento de alto nível
e know-how. No rumo dessa proposta, os filmes de altíssima barreira surgem
como uma boa oportunidade de vendas. O foco para os próximos anos está
voltado para a substituição das folhas de alumínio, do papel, dos
revestimentos de polivinilideno clorado (PVDC) e das mangas de policloreto
de vinila (PVC) pelos filmes de BOPP.
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