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Diante de tais possibilidades, o conselho dos fornecedores de softwares é
para que todos os envolvidos no processo usem a simulação de forma
sinérgica. Para os especialistas, nas empresas que dominam as três etapas, a
proposta é aceita com maior facilidade. Já nos projetos envolvendo duas ou
três empresas, a falta de diálogo atrapalha e está enraizada no mercado.
“Esse é outro diferencial de quem usa o CAE. Em um mercado no qual os
participantes não gostam de se comprometer, quem tem o software agrega valor
ao seu trabalho, pode se destacar passando informações para as outras
partes”, defende Carneiro.
O quadro impulsiona as vendas de equipamentos de CAE, com maior freqüência,
entre as empresas verticalizadas. As projetistas das peças e também
responsáveis pela transformação são clientes com bom potencial. “As
ferramentarias são menos dispostas a investir, apesar dos grandes benefícios
que os softwares proporcionam para elas”, destaca o gerente da Moldflow. As
empresas mais difíceis de serem convencidas são as que só operam as máquinas
de injeção. “Elas já pegam os moldes prontos, não precisam assumir tanta
responsabilidade pelo sucesso do trabalho”, acrescenta.
Manuseio – Operar os softwares de CAE requer bastante conhecimento. Sua
execução apresenta alguns aspectos que precisam ser contornados para a
obtenção de resultados satisfatórios. Não à toa, os fornecedores garantem
oferecer toda assistência técnica e treinamento para auxiliar na formação de
profissionais especializados na técnica.
Um dos pontos críticos do processo é a transformação do design da peça, que
pode ser capturado dos softwares de CAD, nas chamadas malhas de elementos
finitos. “Não existe computador capaz de calcular o preenchimento do molde
de uma figura inteira, ‘sólida’. Temos que fazer os cálculos em cima de
modelo matemático que represente o formato da peça”, explica Guerra.
De acordo com as características da peça, chegar à malha de elementos
finitos ideal torna-se uma operação bem complexa. É uma boa hora para contar
com o apoio dos fornecedores, que garantem colaborar bastante com os
clientes neste momento difícil. “No passado era bem pior, hoje existem
softwares que ajudam a gerar as malhas com maior facilidade”, diz Carneiro.
Guerra aproveita para divulgar o software Medina, que também comercializa e
é específico para o desenvolvimento das malhas. “Caso haja interesse do
cliente, podemos ajudar na operação a um custo interessante para os dois
lados”, sugere.
A inserção no software das propriedades das matérias-primas a serem usadas
para confeccionar as peças é outra característica que requer cuidado. Cada
software conta com bancos de dados detalhados com as principais
características das resinas mais utilizadas pelo mercado. Mas não é raro o
projeto utilizar uma resina ou compósito com características que não se
enquadram entre as disponíveis nas “bibliotecas”. “Um polipropileno de
determinado fabricante apresenta características diferenciadas de um
polipropileno de outro fabricante. Se as características da matéria-prima
não forem colocadas corretamente no software, a simulação terá resultados
comprometidos”, exemplifica Carneiro.
Entre as informações carregadas no computador que permitem verificar o
comportamento exato da resina dentro do molde se encontram viscosidade,
calor específico, condutividade térmica, coeficiente de expansão térmica e
outras obtidas em testes de laboratório com equipamentos sofisticados,
difíceis de serem encontrados no Brasil.
“Nosso banco de dados conta com 8,5 mil grades de materiais, mas o
surgimento de resinas ou compostos com características diferenciadas não
pára nunca”, explica Carneiro. Se houver interesse do cliente, as empresas
fornecedoras de serviços de CAE orientam a realização dos testes. “Nós
podemos fazer os ensaios necessários para encontrar as características dos
materiais que não estejam inseridos nos nossos softwares”, informa. O
importante, para o executivo, é que a inclusão dos dados nos moldes seja
feita pela SmarTech. “Caso o proprietário do software resolva ele mesmo
inserir os dados há o perigo de ocorrerem erros que comprometam seu
funcionamento”, adverte.
Os softwares de cada um – Os interessados em adquirir produtos de CAE
encontram alternativas no mercado nacional. Os produtos da marca Moldflow
são divididos em duas linhas principais: a MPA, menos sofisticada, revendida
pela SmarTech e pela PTC, e a MPI. A primeira possibilita análises de
preenchimento, recalque, refrigeração e empenamento. “Essa linha permite
número limitado de resultados externados, serve mais de norte para
especialistas. Não dá respostas tão detalhadas”, explica Carneiro. Esses
softwares, no entanto, eliminam a necessidade do cálculo das malhas de
elementos finitos. Basta aos usuários incluir a imagem do design da peça
obtida no CAD para a simulação do preenchimento. “O desenvolvimento dessa
técnica da eliminação de cálculo da malha foi realizado pela Moldflow em
conjunto com a PTC. Por isso, somos autorizados a revender a linha MPA”,
informa Samora, da PTC.
A linha MPI é bastante complexa. Ela efetua todas as simulações obtidas pela
série MPA com respostas muito mais minuciosas, além de avaliar operações de
injeção a gás, de peças com insertos metálicos, e de peças cujos moldes são
dotados de válvulas para o preenchimento seqüencial das cavidades. “No caso
de peças que apresentam empenamento acima dos limites dimensionais, o
programa permite calcular de que forma o projeto do molde precisa ser
corrigido para que a peça saia perfeita”, diz Carneiro.
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De acordo com o gerente da SmarTech, a empresa faz uma análise
completa das necessidades dos clientes antes de recomendar o produto
mais adequado. “Às vezes, os recursos oferecidos pelos softwares MPA
são suficientes para atender às expectativas dos clientes”, garante.
“Os softwares da Simpoe-Mold têm desempenho similar aos da Moldflow.
Existem alguns resultados que os deles oferecem e os nossos não e
outros que os nossos oferecem e os deles não”, afirma Guerra, da
VirtualCAE. O executivo também garante total apoio para os usuários
eliminarem eventuais dúvidas durante o uso do CAE. |
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Santana: Visi-Flow permite análise total no computador |
Luciano
Assis Santana, técnico da NCS, faz declarações na mesma toada. “O software
Visi-Flow permite a análise no computador de todas as fases de produção de
peças termoplásticas”, assegura. O Visi-Flow possibilita, por exemplo, a
análise da fusão termofluidodinâmica para assegurar as melhores condições de
preenchimento e o cálculo de contração e empenamento determinados pelo
equilíbrio das tensões internas causadas pelo processo de injeção.
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Usuários recomendam o uso dos softwares |
O número de
usuários dos recursos proporcionados pelo CAE ainda é bastante restrito no
País. O software, por enquanto, vem sendo utilizado apenas por algumas
empresas reconhecidas pelo mercado por adotar recursos de tecnologia de
ponta. Entre elas, se encontram a fabricante de moldes Belga, de Caxias do
Sul-RS e a transformadora de plásticos paulistana Mueller.
No mercado há 28 anos, a Belga tem capacidade produtiva de 20 mil horas/mês
e estrutura para fabricar moldes com até 40 toneladas. A empresa começou a
adotar o recurso em 2003, quando adquiriu o primeiro software MPA, produzido
pela norte-americana Moldflow. De lá para cá, adquiriu outros módulos da
mesma linha e também da MPI, que contempla os produtos mais sofisticados da
mesma fabricante de aplicativos.
De acordo com Alberto Vebber, diretor de engenharia e qualidade da
ferramentaria gaúcha, o uso dos recursos proporcionados pelas soluções de
CAE tem sido bastante positivo para a empresa. “Nós fabricamos basicamente
moldes de médios a grandes portes, todos equipados com sistemas de câmaras
quentes. O uso de CAE nos ajuda a calcular o posicionamento e a quantidade
dos bicos de injeção. Um erro nesses cálculos nos causa grandes prejuízos”,
justifica.
Vebber explica que, mesmo antes de adquirir os softwares, a empresa já
contratava prestadores de serviços para efetuar a simulação dos moldes que
projeta. “Como a quantidade de moldes que fabricamos é grande, valeu a pena
investir na compra”, revela. A Belga utiliza a simulação em 95% dos moldes
projetados. “Nós praticamente só produzimos ferramentas de peças complexas”,
justifica. O engenheiro diz que o CAE hoje é encarado pelos projetistas da
empresa como um “colega” de trabalho. “Ele se tornou muito importante,
facilita muito o trabalho. Eu diria que com a simulação obtemos de 80% a 90%
de acerto nos projetos que desenvolvemos”, afirma.
Na condição de profissional de ferramentaria, o diretor da Belga lamenta o
fato de a adoção do recurso ainda não estar muito disseminada entre os
clientes que projetam o design das peças a serem injetadas. “Às vezes
detectamos problemas no formato das peças, mas não temos como cobrar a
correção dos clientes por falta de tempo”, conta. Nesses casos, os problemas
detectados são reportados para o cliente, que pode começar a pensar na
correção do problema até a realização do tryout.
Um dos problemas mais sérios enfrentados pela Belga para implantar os
softwares se concentrou na contratação de mão-de-obra. “É muito difícil
encontrar profissionais que saibam como utilizar o CAE e tenham conhecimento
em polímeros, projetos de molde e processo de transformação. A saída foi
investir na formação dessas pessoas”, resume.
Mueller - No mercado desde 1935, a Plásticos Mueller é uma das
transformadoras de plástico mais conhecidas do País. A empresa conta com
três fábricas e mais de 160 máquinas injetoras, desde 25 até 30 mil
toneladas de força de fechamento. “A adoção da simulação começou há cerca de
dois anos, quando adquirimos um módulo MPA, da Moldflow. Usamos esse módulo
para começar a aprender a cultura e também para formar pessoas nessa área”,
conta Paulo Rodi, gerente do centro tecnológico da empresa.
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No segundo semestre do ano passado, a transformadora resolveu
intensificar os investimentos em CAE. “Fizemos uma peregrinação no
mercado, consultamos alguns fornecedores e adquirimos da VirtualCAE um
software Simpoe-Mold”, explica. O novo software começou a ser usado
pela empresa em março e os resultados têm sido positivos. “Estamos
bastante satisfeitos”, conta o gerente da Mueller.
Rodi é um entusiasta do uso da simulação. “Gostaria de simular todo
tipo de peça. Por uma questão de capacidade de nosso centro de
tecnologia, priorizamos as peças grandes, de parede fina, as difíceis
de serem fabricadas. Também usamos o CAE para projetar peças que
desenvolvemos por conta própria para oferecer aos clientes”, explica.
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Rodi: gostaria de simular todo tipo de peça que produzimos |
A
colaboração do CAE ocorre, na opinião do técnico, em todas as fases do
projeto, até para elaborar o orçamento de um trabalho. “Ajuda muito a
calcular o tipo de máquina que vamos utilizar e o tempo dos ciclos”, revela.
O gerente lembra de uma peça que seria transformada na fábrica da empresa em
São Paulo em uma injetora com capacidade inferior à necessária. “Pela
simulação, descobrimos que a peça só poderia ser fabricada em uma máquina
maior, e ela acabou sendo fabricada pela nossa planta industrial de Minas
Gerais. Caso tivéssemos orçado o serviço na máquina menor teríamos tido
prejuízo”, conta.
Outro exemplo da utilidade da ferramenta ocorreu com uma peça encomendada
pela montadora Honda. A peça seria injetada na cor preta e, por meio da
simulação, a equipe da Mueller conseguiu detectar uma “linha de emenda” que
prejudicaria sua aparência. “Conseguimos corrigir o defeito antes”, diz. A
redução no tempo dos tryouts também é valorizada. “Em um teste de 30 a 32
horas de duração, conseguimos reduzir seis horas e minimizar bastante o
estresse dos profissionais envolvidos”, ressalta.
Uma das dificuldades que Rodi aponta no uso do CAE se encontra no cálculo da
malha de elementos finitos de determinadas peças. “Às vezes essa é uma
operação altamente complexa”, diz. Outra dificuldade fica por conta da
realização dos testes que determinam as características das matérias-primas
que precisam ser incorporadas aos moldes. “No Brasil, não existem
laboratórios com os equipamentos necessários para realizar os testes. Para
fazer esse serviço, enviamos os materiais para laboratórios alemães.”
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