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Texto de José Paulo Sant’Anna e fotos
de Cuca Jorge |
Economia aquecida
eleva procura por máquinas
com maior
produtividade |
Produtividade
elevada, robustez, assistência técnica pós-venda, confiança na marca. Vários
são os itens avaliados pelos transformadores de plástico dentro do segmento
do sopro na hora de comprar máquinas. Para os fornecedores ou importadores
de equipamentos, cabe ficar atento às expectativas dos fabricantes de
embalagens, peças técnicas, brinquedos e outros produtos soprados. Adquirir
a confiança dos clientes é o segredo de um duradouro sucesso.
Tal cenário ganha importância no momento atual, no qual a economia aquecida
favorece os investimentos em novas sopradoras por parte das transformadoras.
A boa fase atinge tanto as empresas que trabalham com o sopro convencional
quanto as que processam o PET. Esta matéria-prima, além dos bons frutos
trazidos pelo consumo em alta, continua a conquistar mercados antes
dominados por outros materiais, em especial o das embalagens de vidro.
Quase todas as principais fabricantes de peças sopradas estão aproveitando o
momento para ampliar suas capacidades produtivas, seja pelo aumento do
número de máquinas em suas plantas, seja pela substituição dos modelos mais
antigos por outros modernos.
Não existem estatísticas oficiais que demonstrem a dimensão do mercado dos
transformadores de sopro. Alberto Gama, diretor-industrial da Allplas,
transformadora no mercado desde 1981 e que conta com duas plantas
industriais, situadas no Estado de São Paulo, uma na capital e outra no
município de Cotia, faz uma avaliação com base na grande experiência que
apresenta sobre este mercado. Ele acredita que por volta de 70 empresas do
ramo sejam responsáveis pela transformação de 70% a 80% dos materiais
soprados no País. Para ele, deve haver em torno de seiscentas empresas
pequenas que se responsabilizam pelo resto da produção. “Mas esses números
são apenas uma estimativa”, reforça.
Nacionais e importados - O perfil de empresas permite a divisão do
mercado em diferentes nichos, atendidos ou pelos importadores ou pelos
fabricantes nacionais de sopradoras. Quando o assunto é matéria-prima, a
divisão é bem nítida. Os transformadores de produtos de PET ou fabricados em
outras resinas processadas por injection-strech-blow e injection-blow não
contam com equipamentos nacionais.
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“Em geral, essas máquinas são bastante
sofisticadas e vêm dos Estados Unidos e da Ásia, em especial do Japão.
A Europa também vende equipamentos do gênero por aqui, mas em menor
número”, avalia Gama. Os fabricantes de peças de PEAD, PEBD, PP e
outras resinas têm a opção de equipamentos nacionais. “Temos alguns
bons fabricantes por aqui”, emenda.
Um outro perfil do mercado pode ser traçado de acordo com os segmentos
atendidos. As empresas que produzem para os mercados de higiene e
limpeza e de cosméticos têm características comuns. Os transformadores
que atendem as grandes companhias |
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Gama: escolha do equipamento é feita conforme o retorno desejado |
ligadas a
esses nichos e também os representantes desses produtos que verticalizam a
produção de embalagens adquirem equipamentos muito sofisticados, importados.
Os que abastecem os clientes menores, sujeitos a produções de quantidades de
embalagens mais modestas, têm a opção de escolher entre máquinas importadas
ou nacionais.
Também similares são as características dos transformadores atuantes nas
indústrias farmacêuticas e alimentícias, ou as empresas desses setores
produtoras de suas próprias embalagens. “Por serem segmentos nos quais os
produtos precisam ser fortemente protegidos contra contaminação, todos os
fabricantes de produtos soprados, quaisquer que sejam os seus portes,
precisam atuar dentro de limites de qualidade bastante rígidos”, explica
Gama. Mais uma vez, os equipamentos importados ficam com a principal fatia
do mercado.
Transformadores ligados a outros setores, como os de embalagens para
produtos agrícolas, automobilístico, de brinquedos ou fabricantes de
autopeças, escolhem as sopradoras de acordo com a característica das
encomendas de seus clientes. São setores nos quais, conforme o caso,
máquinas nacionais e importadas concorrem mano a mano.
Por enquanto, a incômoda concorrência das máquinas chinesas, que está
atrapalhando vários segmentos da indústria de base nacional – caso das
fabricantes de injetoras para plásticos, por exemplo – não perturba os
produtores nacionais de sopradoras. Há, entre os compradores de máquinas,
uma desconfiança em relação aos equipamentos do gênero vindos da terra de
Mao Tsé-tung.
Entre os entrevistados, é unânime a opinião de que o sopro exige
conhecimento técnico e proximidade para resolver possíveis problemas nas
linhas de produção. Eles afirmam que não se pode correr o risco de
paralisações por problemas como defeitos nos equipamentos e falta de peças
de reposição.
“Recebemos propostas de empresas chinesas, coreanas, mas achamos preocupante
adquirir essas máquinas, não podemos correr o risco de paralisar o
fornecimento de peças para os nossos clientes”, resume João Carlos Bobadilla,
gerente de qualidade da transformadora Farmaplast. “Existem algumas máquinas
da China e da Coréia do Sul com boa aparência. O preço é bom, mas elas não
nos transmitem segurança, não sabemos se no final a economia valerá a pena.
No Brasil, existem boas máquinas, com qualidade e assistência técnica
satisfatórias, que compramos de olho fechado”, reforça David Perez, gerente
de marketing da transformadora Poly-Blow.
Soluções tecnológicas – O impressionante avanço da tecnologia
transformou de forma significativa a capacidade de produção das sopradoras.
Hoje, um equipamento de qualquer marca ou modelo fabrica um número de peças
muito acima dos similares fabricados há dez anos. E com repetibilidade de
ciclos mais eficiente.
Como as soluções técnicas continuam sendo incorporadas nas máquinas, suas
vidas úteis se tornam a cada dia mais curtas para os transformadores que
queiram se manter competitivos. É lógico que o custo/benefício da
substituição de um equipamento deve ser avaliado caso a caso; e depende de
quesitos como os níveis de produção necessários para a transformadora,
capacidade de investimento e outros. Mesmo nos casos nos quais a
substituição se mostre muito vantajosa, nem sempre ela é possível. A compra
pode ser atrapalhada por fatores como as dificuldades de financiamento
enfrentadas por empresas que não se encontram em dia com o pagamento de
impostos.
Ainda no campo da tecnologia, vale a pena ressaltar que sopradoras com
diferentes propriedades são procuradas de acordo com os clientes atendidos
pelas transformadoras. As empresas com atuação mais versátil, que atendem a
vários clientes, optam por equipamentos mais flexíveis, com capacidade, por
exemplo, de efetuar rápidas trocas de molde. No caso das empresas que atuam
para um cliente só ou verticalizam suas produções, a busca é por unidades
com ciclos mais rápidos.
Maior do mundo – O Brasil é um dos países onde atua a Amcor PET
Packaging, multinacional de origem norte-americana. A empresa afirma ser a
maior transformadora do mundo do ramo de embalagens PET. No Brasil, mantém
oito unidades de produção, quatro instaladas dentro das fábricas de clientes
e quatro independentes, uma delas a maior do gênero instalada no Hemisfério
Sul.
Entre as marcas atendidas, se encontram nomes como Coca-Cola, Kraft Foods,
Hellmann’s e Unilever. “Somos a única empresa do Brasil com patente de
tecnologia de envase a quente, aplicada para embalar produtos como maionese
e bebidas energéticas, como o Gatorade”, informa Rodolfo Salles, gerente de
engenharia e desenvolvimento da Amcor.
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De acordo com Salles, não está sendo
fácil equipar as plantas da empresa para poder acompanhar a crescente
demanda dos clientes. “Temos investido vários milhões de dólares nos
últimos anos e tudo indica que vamos continuar em um ritmo forte no
ano que vem”, informa sem revelar números. O motivo dessa estratégia
tem sido o aquecimento da economia. “Nos últimos anos, estávamos
trabalhando com previsão de crescimento vegetativo de 6% ao ano, mas a
demanda tem crescido acima dos 10%”, diz.
Na hora de comprar as máquinas necessárias para a ampliação da Amcor,
segundo Salles, a empresa faz diversas |
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Salles: tecnologia e relacionamento pesam na hora da escolha da marca |
análises.
“No nosso caso, não podemos pensar de maneira isolada. Precisamos levar em
conta toda a infra-estrutura da fábrica, todos os equipamentos periféricos
que vão trabalhar em conjunto com a sopradora”, diz.
O raciocínio vale tanto para as peças sopradas com a tecnologia
injection-blow quanto para as de sopro convencional. No caso da fabricação
de embalagens para produtos alimentícios, o equipamento precisa levar em
conta detalhes como a precisão da pressão do ar soprado. Para evitar
contaminações, o ambiente também tem de estar isento de partículas de óleo.
Os fornecedores capazes de oferecer equipamentos apropriados para a operação
da Amcor são fabricantes instalados no exterior. “Entre os quesitos básicos
que procuramos ao investir na compra de máquinas se encontram a plataforma
tecnológica, a capacidade de serviços de assistência técnica, a experiência
que temos com a marca tanto no Brasil quanto em nossas fábricas no exterior
e a relação de confiança que temos com os fornecedores”, resume Salles. As
marcas com as quais a empresa investe com assiduidade são a alemã Krones e a
francesa Sidel, no caso dos processos de injeção e sopro, e as japonesas
Aoki e ASB, quando a aquisição é de sopradoras de um único estágio.
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