|
|
|

Indústria
destaca alternativas para os plásticos de origem fóssil
Texto
de Márcio Azevedo e fotos de divulgação |
 |
Plástico
Moderno foi à Alemanha e trouxe algumas das novidades lançadas em
Düsseldorf. A cobertura se dividirá em duas edições, a começar pelas resinas
e aditivos, passando, na próxima edição, às máquinas e aos expositores
brasileiros.
Nos estandes dos produtores de polímeros, além da incessante busca por
aumento de desempenho combinada com redução de custos, identificou-se
claramente a preocupação com o desenvolvimento de alternativas baseadas em
fontes renováveis para os polímeros descendentes da cadeia petroquímica.
Além dos produtos mais antigos destinados a embalagens, as resinas de
engenharia começam a se tornar mais conhecidas, algo impensável há algum
tempo em virtude dos requerimentos técnicos necessários a esses materiais.
|
A Arkema, criada em 2004 oriunda da
Atofina Chemicals, é “a líder indiscutível em poliamidas de alto
desempenho com base em fontes renováveis”, nas palavras do
gerente-geral do negócio de poliamidas, Thomas Grimaud. “Não se trata
de PA 6 ou 6.6, plásticos de engenharia, com maiores volumes de
vendas, mas de especialidades com alto desempenho e valor agregado”,
diz.
A Arkema se abastece de óleo de mamona no Brasil, Índia e China (é a
maior compradora do mercado) e refina-o no sul da França,
polimerizando as matérias-primas obtidas. Toda a produção da PA 11
Rilsan já é baseada em carbono renovável e |
 |
|
Grimaud: Arkema lidera produção de
PA renovável |
a aplicação
típica são os dutos para combustíveis em automóveis, incluindo
biocombustíveis. A companhia alega que a produção do plástico emite 40%
menos CO2 que a de poliamidas convencionais e ainda consome menos energia.
Grimaud apresentou duas novas séries de produtos renováveis. São marcas já
conhecidas do mercado – Pebax (elastômero termoplástico de alto desempenho,
muito utilizado em roupas esportivas) e Platamid (adesivo hot melt com
grande uso em têxteis) –, mas as primeiras com base em óleo vegetal. O Pebax
Rnew é produto da química das aminas de 11 carbonos, usa a PA 11 Rilsan como
bloco poliamida e suas propriedades mecânicas e de processamento são muito
próximas das do polímero fóssil. Os mercados em que a demanda por
renovabilidade está mais acentuada são o esportivo e o de eletroeletrônicos,
segundo Grimaud, e é neles que a resina estará posicionada. O adesivo
Platamid Rnew, também obtido integralmente do óleo de mamona, é destinado à
indústria automobilística, pois
|
atende a
restrições quanto à emissão de compostos orgânicos voláteis (VOCs) do
padrão de teste VDA 278 e possui propriedades semelhantes ao Platamid
fóssil. O portfólio de polímeros técnicos também passa a oferecer o
elastômero e a poliamida Pebax Clear e Rilsan Clear, em versões de alta
transparência, em resposta à demanda crescente, em particular do mercado
esportivo. |
 |
 |
|
PA usada em artigos
esportivos (ao lado) ganhou versão renovável (acima) |
A expositora
francesa de fato atentou para essa tendência e lançou, por outra unidade de
negócios, um PVC clorado (cPVC) obtido por pós-clorinação iniciada por
radiação ultravioleta. Ele mantém as propriedades clássicas do cPVC (menor
emissão de fumaça, maior resistência ao fogo e ao calor), além de alta
transparência – uma qualidade nova para esse polímero, segundo Frédéric
Loussayre, gerente do negócio de cPVC. As aplicações possíveis são
embalagens para alimentos adequadas para pasteurização, ou cartões de
créditos, entre outras.
Melhorando o PLA – A Arkema, além de suas próprias biorresinas, ainda
lançou aditivos para o ácido poliláctico (PLA). O material tem sido
considerado um dos principais candidatos à substituição de resinas de origem
fóssil como PET, PS, PE e PVC, principalmente em embalagens de alimentos
(filmes e chapas). Mas suas propriedades mecânicas (baixa resistência ao
impacto, baixa temperatura de distorção ao calor, baixa elasticidade do
fundido e elevada sensibilidade ao cisalhamento) impedem que atenda a
requerimentos técnicos, a menos que seja aditivado. A companhia lançou a
linha Biostrenght
|
de aditivos específicos para PLA. Há
modificadores de impacto que melhoram as propriedades do plástico em
temperatura ambiente e temperatura baixa e não prejudicam as
características de transparência. Em breve, de acordo com Stéphane
Girois, gerente de desenvolvimento de novos mercados, a linha será
completada com soluções de alto impacto e alta transparência e também
já estão disponíveis aditivos que duplicam a elasticidade do fundido,
permitindo até a reciclagem do bioplástico. Esse grade, Biostrenght
700, também ataca os problemas de absorção de |
 |
|
Aditivo melhora
propriedade do PLA |
água e
degradação durante o processamento comuns a poliésteres como o PLA,
minimizando a necessidade da etapa de pré-secagem. São características,
conforme Girois, muito desejáveis para as aplicações às quais o PLA se
propõe, em particular em sopro e termoformagem.
A DuPont deu grande destaque para a expansão do portfólio de polímeros com
base em fontes renováveis na K. Além do apelo ambiental, a empresa tem
descoberto, segundo o líder global da área de tecnologia, Dr. Nandan Rao,
que as novas opções, em muitos casos, oferecem desempenho igual ou superior
aos plásticos fósseis.
A base para alguns desses desenvolvimentos foi a criação de um substituto
renovável para o 1,3-propanodiol (PDO) e o 1,4-butanodiol, denominado
Bio-PDO. Ele é utilizado nos termoplásticos reforçados com fibra de vidro da
linha Sorona EP, com propriedades semelhantes às do PBT, porém com melhores
estabilidade dimensional e acabamento da superfície. O Bio-PDO também entra
na composição dos polióis usados na fabricação do TPE Hytrel RS, disponível
apenas em amostras para testes, por enquanto, e o Biomax RS 1001, um
politrimetil tereftalato (PTT) para a injeção de embalagens rígidas em
substituição ao PP. O portfólio de biopolímeros ainda conta com o Selar VP,
usado na produção de filmes permeáveis para embalagens em contato com
alimentos que precisam “respirar”, como peixes frescos.
|
|