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Polietileno de álcool pode brotar no Sul

O parque industrial da Braskem em Triunfo, no Rio Grande do Sul, foi escolhido para receber a unidade de produção do polímero “verde”, desenvolvido pela empresa e já homologado internacionalmente. A notícia foi repassada pelo vice-presidente da unidade de olefínicas do grupo, Luiz de Mendonça, durante um almoço promovido pelo Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do Rio Grande do Sul (Sinplast-RS), em outubro.

Diferentemente das resinas petroquímicas, o material se origina de eteno obtido do etanol da cana-de-açúcar. O investimento previsto para a construção de novo ativo é de R$ 100 milhões para processar 200 mil toneladas/ano da nova resina. Desenvolvido no centro de tecnologia e inovação da Braskem em Triunfo, uma rede de laboratórios de altíssimo padrão, orçada em US$ 158 milhões, o polímero “verde” atualmente é produzido em escala piloto numa relação de cinco quilos por hora, mas a Braskem pretende aumentar essa oferta rapidamente para atender aos inúmeros pedidos de empresas estrangeiras interessadas em realizar testes de aplicação com o produto.

A Braskem projeta investimentos de R$ 500 milhões para o Rio Grande do Sul até 2009. Do total, R$ 130 milhões estão previstos para 2008. Segundo informou Mendonça, o Rio Grande do Sul começa a se constituir em ponto geopolítico estratégico para a Braskem. O executivo prevê uma grave crise de abastecimento de matérias-primas na Argentina por conta do apagão energético pelo qual o país vizinho começa a atravessar.

Com isso, o território gaúcho deverá formar o grande corredor de negócios com derivados petroquímicos e outras fontes de matérias-primas industriais para abastecer a segunda economia do Mercosul. Conforme informou Mendonça, o centro de distribuição da Braskem na cidade de Uruguaiana vem recebendo inúmeros pedidos do país vizinho, o que já evidencia alguma crise no abastecimento de resinas e outros derivados petroquímicos naquela região.

Fernando C.de Castro Mendonça fez ainda uma leitura do cenário internacional com relação aos negócios com produtos petroquímicos.Ele previu que a ExxonMobil deixará de ser a maior petroquímica do mundo, desbancada por grupos do Oriente Médio e da Índia.
Mendonça prevê produção de 200 mil t/ano de PE verde
Mendonça prevê produção de 200 mil t/ano de PE verde

Nessa mesma época, por volta de 2013, a Braskem alcançará sua meta de atingir a décima colocação no ranking mundial entre as maiores empresas do mundo do ramo, aposta o executivo. Para isso, o braço petroquímico do grupo Odebrecht deverá atingir 10 milhões de toneladas de produtos petroquímicos por ano.

Mendonça anunciou ainda que as operações da Braskem em Paulínia em parceria com a Petrobrás devem começar em 2008, numa absorção de investimentos de US$ 300 milhões, para produzir 350 mil toneladas/ano de polipropileno. Neste ativo, a Braskem detém 60%, enquanto a Petroquisa responde por 40%.

Para um público preocupado com a aquisição dos principais ativos de Triunfo por um grupo de fora do Estado, Mendonça voltou a afirmar que a petroquímica brasileira necessitava se consolidar em um agrupamento de classe mundial, o que demandou a compra do grupo Ipiranga por um pool formado pela própria Braskem, Petrobrás e o grupo Ultra. Esse último ficou com a área de distribuição de gasolina e demais derivados de petróleo do extinto grupo gaúcho, agora pulverizado nas três holdings.

“A Ipiranga continua com sua autonomia. Mantivemos os antigos executivos no comando. Só pedimos a eles que façam a empresa produzir negócios dentro dos parâmetros da Braskem.” O mesmo ocorre com a Ipiranga Química, a maior distribuidora de produtos químicos do País. Queremos a empresa gerando lucro sem mexer em sua gestão”, disse o executivo da Braskem.

Questionado sobre de que forma deverá ficar a rede de distribuição de resinas no País, Mendonça previu que ocorrerá uma diminuição do número de razões sociais por meio de aquisições e fusões: “Uma consolidação entre os intermediários na compra e venda de resinas e outros produtos também deverá ocorrer, mas não dá para estabelecer um tempo.”

Em 1975, ainda durante o governo Ernesto Geisel, o Rio Grande do Sul recebeu a notícia de que seu território receberia um complexo petroquímico de primeira e segunda geração para abastecer uma incipiente terceira geração, a qual progredia com o crescente processamento de plástico em componentes para calçados e automotivos. Nos anos 80, esse sistema começou a operar.

A indefinição de políticas de comercialização claras sempre foi fator de boatos de que com o tempo o controle dos negócios sairia do Estado. No começo do ano, com o anúncio da venda da Ipiranga, o que era boato virou realidade. A notícia caiu como uma bomba nos diversos segmentos da população gaúcha.

Hoje, a configuração das razões sociais no sítio de Triunfo no que toca a primeira e a segunda geração petroquímica é a seguinte: a Braskem e a Petroquisa controlam a unidade de primeira geração, denominada Companhia Petroquímica do Sul (Copesul), com predomínio sobre o capital votante em mãos do grupo baiano (70%). Em outubro, a Braskem fechou o capital da central de matérias-primas.

A Braskem passou a deter ainda o controle acionário da IPQ (Ipiranga Petroquímica). Por meio da Petrobrás Energia, da Argentina, a Petrobrás controla a unidade integrada de estireno e poliestireno da Innova, além da Petroquímica Triunfo.

A Oxiteno, uma pequena unidade de produção de especialidades já pertencia ao grupo Ultra. A Petroflex, unidade produtora de borrachas sintéticas, continua sob o controle de seus antigos acionistas, todos de fora do Estado. Com tudo isso, o sonho de uma petroquímica com identidade gaúcha se transformou em sonho de uma noite de verão.

Terceira geração cresce – Por ocasião do almoço com o vice-presidente da Braskem, o presidente do Sinplast-RS, Jorge Cardoso, previu um crescimento nominal de 8% a 10% do consumo de resinas termoplásticas. A meta da entidade é melhorar ainda mais esse desempenho em 2008, por meio da manutenção das atuais alíquotas do ICMS, diferenciadas para alguns segmentos como o de embalagens, que teve sua alíquota reduzida de 17% para 12%. “O governo vem nos ouvindo e prorrogando mês a mês esse benefício. Esperamos que consolide esse diferencial como uma política definitiva de governo”, se posicionou Cardoso.

Menos diplomático que Cardoso, o vice-presidente da unidade de olefínicas da Braskem criticou o governo gaúcho por não adotar uma política de incentivos para o segmento de transformação termoplástica. “O Rio Grande do Sul corre o risco de perder investimentos na terceira geração petroquímica, caso o governo não viabilize uma política industrial em favor do setor”, advertiu.

No entendimento do executivo da Braskem, o governo precisa com urgência colocar em vigor o Geraplast, um amplo programa concebido na administração estadual passada que prevê a ampliação do parque de transformação, com o objetivo de elevar o consumo nominal de resinas produzidas em Triunfo dentro do Estado. A terceira geração petroquímica gaúcha absorve apenas 10% dos derivados de nafta produzidos em solo gaúcho.

Com o Geraplast, a idéia é dobrar o volume com investimentos orçados em R$ 800 milhões, voltados à ampliação das atuais fábricas, construção de novas e implantação no Estado de processos ainda inexpressivos como extrusão de sacolas plásticas e manufaturados originários de termoformagem, como artefatos descartáveis. Fernando Cibelli de Castro
 

 
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