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Em palestra realizada no evento “Ameaças e Oportunidades para o Setor Petroquímico e Indústria do Plástico”, promovido pelo International Business Communications (IBC), o presidente da Petroquisa, José Lima de Andrade Neto, justificou a posição da Petrobrás: “No mundo, a petroquímica e o refino de petróleo têm uma interligação forte, mas no Brasil esse nível de integração começou a crescer agora, partindo quase do zero.” As plantas que estão sendo projetadas são de escala mundial e contemplam basicamente polietilenos e polipropileno, com vantagens competitivas pela integração com refino, em locais onde são obtidas matérias-primas com preços mais baixos – grande diferencial competitivo no mundo. “O modelo brasileiro ficou em descompasso com a realidade mundial. É preciso ter escala, porte e capacidade de investir para fazer frente à concorrência externa”, opina Andrade.
A Braskem consolidou as operações nas regiões Nordeste e Sul. Petrobrás e Unipar estudam, agora, a estrutura societária da Petroquímica do Sudeste. Além disso, deve se integrar a esse pólo o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, o Comperj, um projeto de 8,3 bilhões de dólares, empreendido pela Petrobrás em parceria com o grupo Ultra e o BNDES, que contemplará a produção de 800 mil toneladas de polietileno e 850 mil t de polipropileno, além de outros insumos de primeira e segunda geração (eteno, propeno, estireno etc.), com previsão de entrar em operação em 2012. Segundo o presidente da Petroquisa, a terraplenagem está programada para começar em março do próximo ano.
O projeto prevê uma nova rota para a produção das resinas: craquear óleo pesado para produzir eteno e propeno, insumos básicos para a síntese de polietilenos e polipropileno. De acordo com Andrade, a idéia é ter na primeira geração uma refinaria petroquímica que produzirá essencialmente eteno e propeno, ao lado de unidades de segunda geração, para produção de polietileno e polipropileno.
Reestruturação global – O rearranjo da petroquímica brasileira equivale a apenas uma pequena ponta de um iceberg gigante. Grandes produtores de petróleo, os países do Oriente Médio caminham rumo à liderança mundial em petroquímicos. Com matéria-prima a custos extremamente competitivos a seu favor, os projetos empreendidos no Oriente Médio são integrados e devem despejar 12 milhões de toneladas de polietilenos no mercado dentro de cerca de dois anos. Roriz ressalta que a região da Arábia Saudita e o Irã terão pólos petroquímicos enormes, que aproveitarão matérias-primas até então sem valor comercial, como gás natural abundante, que permitirá a produção de resina muito competitiva em nível mundial. O mercado global deve se preparar, ainda, para mais 15 milhões de toneladas previstas para entrar em operação mais adiante.
| O tamanho das novas capacidades assusta num primeiro momento. Mas, para o diretor de mercados internacionais da Braskem, Walmir Soller, a tendência é de equilíbrio, se o quadro for avaliado no longo prazo. Ele acredita que, apesar do aumento considerável das capacidades, não haverá uma recessão mundial. |
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| Soller prevê oferta e demanda equilibradas nos próximos anos |
As taxas de crescimento das poliolefinas, da ordem de 5% a 6% ao ano, se mantêm, e isso representa algo entre 5 e 6 milhões de toneladas por ano. “Assim, o excesso de oferta quase se anula com a demanda que haverá dos países em crescimento”, declarou para a platéia do seminário promovido pelo IBC.
O presidente do Siresp compartilha a opinião. “Há dois ou três anos se previa que o mundo sofreria uma recessão, mas a China vai crescer 12% neste ano e se falava que ela cresceria 8,5%. Então, é bom mesmo que venha boa parcela dessa capacidade nova para atender à demanda, que estará bem mais balanceada do que se esperava”, pondera Roriz.
O diretor da Braskem prevê que, tanto para os polietilenos como para o polipropileno, haverá, nos próximos anos, uma forte demanda de resinas nas regiões adjacentes ao Oriente Médio. O mercado natural para os novos projetos do Oriente Médio deverá ser essa região. De qualquer modo, vale lembrar que o mercado hoje é globalizado e produtos commodities circulam em todo o mundo, o que pode afetar, sim, o mercado brasileiro.
Na opinião de Soller, também os investimentos levados a cabo na Ásia não são preocupantes. A demanda nessa região cresce mais rápido do que a capacidade de novas unidades fabris e a tendência é de seguir como importador relevante nos próximos anos, tendo a China como a locomotiva dessa região, alimentada pelo Oriente Médio, principalmente.
A América do Sul assume papel importante nesse novo contexto. Nas projeções do diretor da Braskem, a região entra no mapa como alternativa competitiva fora do eixo Oriente Médio-Ásia, como fonte de abastecimento dos déficits dos continentes americano, africano e europeu.
Construção e PVC – Punido por um persistente baixo consumo nos últimos anos, o policloreto de vinila parece finalmente entrar em um período de vacas gordas. A construção civil se reergueu e segue de vento em popa. A resina está vendendo muito bem, posicionando-se com grande destaque no período de janeiro a agosto deste ano: sua demanda somou 545,7 mil toneladas, equivalente a um aumento de 11,3% sobre 2006. Vale lembrar que 65% das vendas de PVC para o mercado brasileiro se destinam à construção civil, segundo informações da Solvay, fabricante da resina. “É muito positiva essa volta do PVC”, comemora Roriz.
Além da construção civil, a indústria automotiva também passa por um dos seus melhores momentos, a agricultura deve bater recorde de produção e a linha branca deslanchou, impulsionada pela construção civil. A linha branca contou com dois aspectos positivos: os juros mais baixos e os lançamentos da construção civil.
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Esses segmentos são muito atrelados, a mudança para novos imóveis impulsiona a compra de artigos como geladeiras e fogões novos. “Uma coisa puxa a outra”, diz Roriz. Os produtos eletrônicos (linha marrom), porém, sofreram por conta das importações. “No máximo, os produtos são montados aqui”, lamenta. |
| Tarantino acredita em alta crescente na construção civil |
A fabricante Solvay Indupa colhe frutos do bom momento do PVC. Para seu gerente-comercial, Gibran Tarantino, existe um cenário muito positivo para a cadeia de construção civil no País. Ele prevê que o setor imobiliário deverá crescer fortemente em relação ao ano passado, sustentado em dados divulgados pelo IBGE recentemente, que apostam em 9,6%, ante 4,6% de 2006.
Segundo informações dele, outro fator importante reside nos financiamentos imobiliários, cujos recursos acumulados até agosto deste ano atingiram 10 bilhões de reais, montante que ultrapassa o acumulado de todo o ano de 2006. “A previsão é de que chegue em 16 bilhões de reais, o que dará um cenário de crescimento sustentável para os próximos anos. Temos como expectativa crescer 5% ao ano até 2012.”
As boas perspectivas, no entanto, vão além da construção civil. Tarantino prevê crescimento ao longo deste e dos próximos anos também para outros setores relevantes no portfólio da empresa, como calçados, laminados e filmes para embalagens, baseado nos investimentos que os clientes vem realizando com constância, para desgargalar suas capacidades produtivas. Ele também espera colher os frutos das ações do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), na área de saneamento básico. “O Governo Federal tem demonstrado interesse e divulgado a importância de investir nesse setor, o que representará forte demanda de PVC.”
Sustentado nessas avaliações promissoras, Tarantino projeta para a Solvay crescimento de 5% ao ano até 2012. No ano passado, a empresa vendeu 280 mil toneladas de PVC. “Para 2007, nossa expectativa é de crescer entre 6% e 8%.” A fábrica da empresa, em Santo André-SP, tem capacidade para produzir até 270 mil toneladas anuais da resina. A da outra unidade na América do Sul, em Bahía Blanca, Argentina, alcança 240 mil toneladas.
Com a proposta de seguir de perto o crescimento da demanda e também fortalecer sua competitividade, a Solvay recebeu aval do BNDES para um financiamento de R$ 313,7 milhões destinado a projetos de modernização e ampliação da produção de soda-cloro, de 100 mil toneladas para 170 mil toneladas anuais, e de PVC, de 270 mil toneladas para 320 mil toneladas anuais. Segundo Tarantino, os investimentos têm por objetivo incrementar as capacidades produtivas e converter as fábricas em unidades com tecnologia de última geração e alta competitividade, a fim de acompanhar a evolução prevista para o mercado sul-americano, principalmente o Mercosul. A proposta é de também expandir o mix de produtos.
Se cumpridos os cronogramas, as novas unidades produtivas de Santo André entram em operação no último trimestre de 2008. Concluído o projeto, a capacidade anual instalada será de 560 mil toneladas de PVC e 350 mil toneladas de soda cáustica, considerando as unidades brasileiras e argentinas.
As resinas ofertadas pela Solvay abastecem diversos setores, entre os quais brinquedos e artigos médicos. |
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