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Segundo Pires, o Magazine Luiza também desenvolve um teste piloto há cerca
de três meses em parceria com a Termotécnica, de Sumaré-SP. “O próprio
Magazine Luiza recolhe as embalagens por sistema de leva e traz, por meio
de suas centrais de distribuição: na entrega dos produtos, a empresa pede
ao consumidor para levar a embalagem de volta para reciclagem”, explica.
Nos cálculos dele, a coleta nos hipermercados tem gerado em torno de 500 a
600 quilos mensais por loja e a do Magazine Luiza, em média, 1 tonelada
mensal.
Revalorização – Capacitada a recuperar até 300 toneladas mensais de
EPS, a Proeco, criada há cerca de um ano e meio, está ainda longe de
atingir seu limite. A produção atual gira em torno de 60 toneladas
mensais. “A grande dificuldade para aumentar o volume de resina reciclada
é a logística do consumidor; para viabilizar o transporte, o material
precisa ser reduzido”, explica o diretor Gilberto Zanetti.
A leveza do EPS, constituído de até 98% de gás, não justifica, por
questões de custo, o transporte em longas distâncias. Embora a Proeco
receba também rejeitos de indústrias, o foco da recicladora é o
reaproveitamento de resíduos de consumo, obtidos também em cooperativas de
coletadores.
Todos os resíduos do material expandido captados passam primeiro por um
equipamento de origem chinesa que os transforma em um tarugo compacto e de
fácil transporte. Essa máquina mói e retira praticamente todo o gás dos
restos de embalagens de consumo e descartes industriais, gerando o chamado
“pãozinho”, posteriormente transformado em grãos em uma extrusora.
Parceira da empresa recicladora há cerca de um ano e meio, a cooperativa
Viva Bem constitui importante fonte de material beneficiado para a Proeco.
A cooperativa funciona na Vila Leopoldina, em São Paulo, no mesmo local da
antiga usina de compostagem (os equipamentos continuam lá, intactos e
desativados).
Sua presidente, Maria Tereza Montenegro, estima processar em torno de 12
toneladas mensais de EPS, todo ele encaminhado à recicladora, que instalou
na cooperativa um dos seus equipamentos de produção dos “pãezinhos”.
“Recolhemos material em laboratórios e empresas e também recebemos Isopor
de 15 outras cooperativas”, diz. Com as novas parcerias envolvidas no
projeto, como os hipermercados, ela acredita que deva dobrar a produção.
“Achei o negócio muito bom porque o Isopor se transforma em peças bem
interessantes, como as molduras e perfis”, conta. O produto processado e
encaminhado à Proeco (que o transforma em grânulos) é classificado em três
categorias: número 1, branco; 2, médio; e 3, escuro.
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| No processo de trituração e degasagem,os
resíduos de EPS saem doequipamento no formato de um tarugo compacto |
Maria Tereza, porém, reivindica preços melhores para o produto.
Segundo ela, a máquina processadora fornecida pela Proeco tem operação
muito lenta, demanda tempo e pessoal para limpeza do material pelo qual,
hoje, recebe em torno de 45 centavos por quilo.
| “O Gilberto está tentando
tornar o produto mais competitivo pelo volume, procurando colocar mais
material na cooperativa.”Em outra ponta, diz ela, o diretor da Proeco
tem procurado sensibilizar instituições como ONGs e empresas do setor
a contribuir com uma pequena porcentagem, que seria repassada às
cooperativas, como incentivo à reciclagem. “As responsáveis pela
compra de equipamentos de proteção dos associados são as cooperativas,
enquanto a capacitação deveria ser feita pela prefeitura, que não
cumpre o convênio”, lamenta. |
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Tereza beneficia em torno
de 12 toneladas mensais |
EPS poupa madeira – Todo o material beneficiado e processado
em grãos pela Proeco segue para a Santa Luzia, empresa do grupo
Moldurarte, de Braço do Norte-SC. Na Santa Luzia, os grãos reciclados
são moldados por extrusão e se transformam em perfis para molduras,
rodapés e vistas de porta em substituição à madeira. Hoje, a totalidade
do material revalorizado pela Proeco vai para a Santa Luzia, onde
Gilberto Zanetti também é diretor.
Segundo ele, a Santa Luzia trabalha com material reciclado há cerca de
oito anos e até a criação da Proeco, atualmente seu único fornecedor,
obtinha matéria-prima de alguns pequenos recicladores. Hoje, a resina
recuperada molda cerca de 90 mil metros de perfis e compõe 30% do volume
produzido.
Os perfis plásticos para molduras tiveram por berço a Inglaterra, onde o
projeto nasceu com resinas virgens. A iniciativa de usar resinas
recicladas partiu dos coreanos, conta Zanetti, que planeja dar um salto
produtivo. Sua intenção é elevar a extrusão de reciclados para 300 mil
metros de perfis nos próximos três a quatro meses. Sua meta, no entanto,
depende de maior oferta e coleta de matéria-prima. “A dificuldade está
na coleta seletiva e na logística dessa coleta”, reitera.
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