Gerar energia e reaproveitar mais resinas norteiam novos programas de investimentos

Texto de Maria Aparecida de Sino Reto e fotos de Cuca Jorge

Do alto posto de um dos maiores índices de reciclagem mecânica de plásticos pós-consumo do mundo (16,5%), a despeito da falta de um sistema eficiente de coleta seletiva, o País agora busca opções para ampliar a taxa de reutilização e também de alternativas que permitam aproveitar os resíduos plásticos presentes no lixo urbano. Dois projetos recentes prometem contribuir para manter os brasileiros no pódio: o projeto Repensar, para revalorização do Isopor (poliestireno expandido), encampado pela Plastivida – Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos e por um grupo de empresas parceiras (produtoras de matérias-primas, de embalagens, de beneficiamento e de transformação); e a reciclagem energética, também incentivada pela Plastivida, que consiste em recuperar a energia contida nos resíduos sólidos urbanos na forma de energia elétrica ou térmica, tendo no material plástico a fonte combustível.

O presidente do Instituto, Francisco de Assis Esmeraldo, estima em cerca de 520 mil toneladas a quantidade de plásticos recuperados em 2006, via reciclagem mecânica, 50 mil t a mais em comparação com o ano anterior. Ainda assim, as empresas recicladoras operaram com ociosidade da ordem de 40%, segundo ele.

Projeto para o EPS – Amplamente usado em embalagens industriais e em artigos de consumo, entre outros, o poliestireno expandido (EPS) ainda constitui um produto estranho aos olhos do consumidor. Todo mundo reconhece uma embalagem de Isopor (marca hoje pertencente ao grupo francês Knauf-Isopor, que, em 1998, adquiriu o controle do negócio), mas quase ninguém sabe identificá-lo como plástico, e, muito menos, como material reciclável.

“São plásticos específicos e desconhecidos da população”, pondera Silvia Piedrahita Rolim, assessora técnica da Plastivida.

Lançado recentemente pelo Instituto, o projeto Repensar tem por objetivo divulgar a reciclabilidade do material e seus benefícios. Segundo a assessora, trata-se de uma iniciativa pioneira no País. Há, porém, ações semelhantes adotadas em outros países da Europa.A campanha foi apresentada ao setor pela Plastivida e pelas empresas nela envolvidas durante a Brasilplast, realizada em maio deste ano, no Anhembi, em São Paulo. O estande exibiu peças feitas com o produto reciclado e distribuiu ao público material informativo sobre o EPS. Segundo dados do Instituto, a produção brasileira da resina expandida e espumada alcança cerca de 45 mil toneladas anuais.
Silvia: plástico desonera
o processo de combustão

 Da mesma forma que outros termoplásticos, o poliestireno, tanto o expandido como o espumado, é um material 100% reciclável, pelos processos mecânico, energético ou químico. De acordo com as indústrias do ramo, o EPS não contém clorofluorcarbono (CFC). Portanto não agride a camada de ozônio da atmosfera.
O coordenador do Repensar, Geraldo Luis de Lorena Pires, consultor contratado pela Plastivida, conta que a idéia do projeto nasceu há cerca de um ano e meio, com a preocupação de conscientizar a sociedade de que o poliestireno expandido é um plástico reciclável e impulsionar a atividade. Uma das primeiras empresas a aderir ao projeto foi a Meiwa, de Arujá-SP, listada entre as maiores produtoras nacionais de embalagens de EPS.

Também responsável por prospectar novas fontes geradoras dos resíduos pós-consumo, como grandes redes de super e hipermercados e lojas de departamento, entre outras, Pires anuncia testes piloto em cerca de seis lojas do Carrefour e no Extra, unidade Morumbi. Segundo ele, o Carrefour constitui o primeiro usuário da ponta da cadeia a assinar o termo de parceria com a Plastivida. À instituição cabe recolher, por meio de seus associados recicladores, todos os resíduos de Isopor gerados nas lojas pré-determinadas pelo hipermercado. A fonte geradora do material reciclado se compromete a separar todo resíduo e deixá-lo, a granel ou enfardado, em local de fácil acesso para retirada pelo associado da Plastivida.
Pires articula projetos
piloto nos hipermercados

 O piloto existe há cerca de sete meses no Carrefour e dois meses no Extra e o associado da Plastivida incumbido da coleta, em ambos os casos, é a Proeco, de Guarulhos-SP.
 

 
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