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A apatia se deve também à não-implantação de anunciados projetos que
deveriam inaugurar novo ciclo de investimento, logo na pós-privatização da
petroquímica – projetos como a fábrica de 500 mil t/ano de estireno,
empreendimento no âmbito de imaginada joint venture Dow Química-Basf; a
fábrica de 350 mil t/ano de polipropileno (PP) que a Petrobrás e a própria
Braskem, donas de 40% e 60% do empreendimento, decidiram por fim instalar
em Paulínia-SP; e a planta de ácido acrílico que a Petrobrás,
impositivamente, decidiu construir em Minas Gerais para melhor aproveitar
o propeno da Refinaria Gabriel Passos –, e não na Bahia, como queriam os
outros dois sócios.
Empresas de segunda geração, que já deveriam estar duplicadas ou ampliadas
há vários anos, salvo desgargalamentos e reformas, permanecem com a mesma
produção inaugurada há quase trinta anos. São exemplos a Acrinor (Acrilonitrila),
e a ex-Suzano (polipropileno) e agora Petroquisa, ambas consumidoras de
propeno, olefina ainda fartamente disponível na unidade de insumos básicos
da Braskem – e, por isso, largamente exportada. O fechamento iminente de
outras plantas de segunda geração é sempre comentado.
Há também a percepção de desinvestimento, causada pelo encerramento, nos
dois anos recentes, de várias produções de resinas e matérias-primas
intermediárias para a indústria de plástico. São apontadas: a fábrica de
compósitos de PP da Basell; a da Lanxess, ex-Bayer, formuladora de resinas
ABS e SAN; a da Ciba, produtora de aditivos diversos; a da Metanor, de
metanol; e, por último, a planta da Braskem, que produzia resina PET, a
ex-Proppet, paralisada, juntamente com a produção de DMT, em razão da
inauguração da concorrente M&G, em Pernambuco.
Por fim, o próprio desejo da Braskem de transformar-se em petroquímica
global, com investimentos na produção de polietileno (PE) e polipropileno
(PP) em países como Bolívia e Venezuela, onde há oferta abundante de gás
natural/etano, restringe a expectativa da terceira ampliação do 2º Pólo,
com a instalação de um terceiro cracker na unidade de insumos básicos.
A escassez de matéria-prima em condições adequadas ao suprimento do
terceiro cracker é a principal fragilidade à tal expansão, antes tão
cogitada para reverter o obsoletismo e a decorrente queda de indicadores
de competitividade; restaurar o poder de atrair novos empreendimentos; e
ampliar as atuais unidades produtoras de resinas e outras matérias-primas
intermediárias.
Em razão do terceiro cracker, engenheiros e consultores que fizeram
carreira no 2º Pólo, entre eles o ex-superintendente da Copene (atual
unidade de insumos básicos da Braskem), Ary Silveira, imaginam soluções
como a integração de toda a cadeia de hidrocarbonetos no Estado para
assegurar a matéria-prima. Silveira há vários anos aponta algumas
possibilidades:
1. Segregar toda a faixa pesada (C2+) do gás natural (GN) produzido na
Bahia, incluindo as correntes procedentes das reservas históricas do
Recôncavo (5,5 milhões de metros cúbicos/dia com 8% de etano) e o da
emergente produção do campo de Manati (6 milhões de metros cúbicos/dia,
com 3% de etano).
2. Instalar no porto de Aratu uma unidade de recebimento e liquefação de
gás natural liquefeito (GNL), preferivelmente rico em C2+, acoplada à
unidade de separação de C2+ das correntes locais de GN – acoplamento que
possibilitaria a recuperação do frio gerado na regaseificação do GNL.
3. Ajustar o processo da Refinaria Landulpho Alves de Mataripe (RLAM) para
converter, por meio de craqueamento por hidrogenação (HCC), o excesso de
óleo pesado (fuel oil) lá produzido e exportado a preço gravoso, em
destilados médios, como querosene, nafta e gasóleo.
Sobre a RLAM, em recente carta ao jornal A Tarde, alusiva a uma reportagem
sobre a tendência à concentração da petroquímica no Sudeste, José Sérgio
Gabrielli indicou que estariam em curso providências para fortalecer o 2º
Pólo. Anunciou a possibilidade de revisão no plano de negócios da
Petrobrás no Estado, onde seriam investidos em torno de 1,5 bilhão de
dólares, até 2010, e 2,9 bilhões de dólares até 2011, incluindo a
modernização da refinaria, possivelmente via instalação do craqueamento
por hidrogenação.
PP e PET – A estagnação no 2º Pólo Petroquímico pode ser
simbolizada na fábrica de polipropileno (PP), que recentemente passou para
o controle da Petrobrás, juntamente com todo o ativo da Suzano
Petroquímica – uma velha fábrica que, desde 1978, quando foi inaugurada,
produz as mesmas 125 mil t/ano. Não foi duplicada como quase todas, embora
as vendas do PP sejam as que crescem mais explosivamente.
| E, apesar de recente reforma
no sistema catalítico, não produz grades de alto desempenho, alto
fluxo etc. Permanece à margem do progresso e do desenvolvimento do
mercado.A penúria de polipropileno no 2º Pólo contrasta com a fartura
no 3º Pólo, o do Rio Grande do Sul, onde a produção alcança 800 mil
t/ano – 650 mil t/ano na Braskem e o restante na ex-Ipiranga. É para
sua produção no Rio Grande do Sul que a Braskem envia parte do enorme
excedente de propeno que há em Camaçari, situação que promete reverter
a partir de 2009, data estabelecida para a construção de sua primeira
fábrica de polipropileno no 2º Pólo, anunciado projeto de 300 mil
t/ano. |
Fred Passos |
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Oliveira sugere ampliar a 3ª
geração na Região Nordeste |
Além de propeno, outros dois petroquímicos de primeira geração também
são enviados para fora do Estado: o paraxileno, que poderia ser usado na
fabricação de PTA; e o benzeno, que viabilizaria a implantação da
fábrica de poliestireno que chegou a ser imaginada, no âmbito da joint
Dow-Basf.
Há quinze anos houve a primeira baixa na produção de um termoplástico no
2º Pólo: a Estireno do Nordeste desativou a unidade de polimerização e
desde então envia o monômero para o Guarujá-SP, onde é polimerizado –
procedimento que persistiu mesmo depois de a empresa ser adquirida pela
Dow Química, no leilão de privatização.
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