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Pólo da
Bahia
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Unidade de insumos básicos da Braskem |
Maior complexo
petroquímico do País amarga o desinteresse em sua modernização
José Valverde
Desde que a Petrobrás decidiu
construir a fábrica de ácido tereftálico purificado (PTA) em Pernambuco,
um clima de paralisia estratégica passou a ser sentido na Bahia – um
sentimento de impotência diante da necessidade de assegurar novo ciclo de
crescimento e a própria sobrevivência do 2º Pólo Petroquímico, o conjunto
industrial instalado há quase trinta anos no município de Camaçari-BA,
seguindo diretriz do II Plano Nacional de Desenvolvimento Industrial (II
PND).
A cogitada e frustrada fábrica baiana de PTA, além de prevista para
demandar matérias-primas locais, como o paraxileno, produzido na Braskem,
e o monoetileno glicol, na Oxiteno (grupo Ultra), possibilitaria a
progressiva inserção de um pólo de poliéster na cadeia petroquímica.
A localização na Bahia se justificaria também, argumentam os baianos, pela
oferta de mão-de-obra qualificada – e até pela circunstância de o projeto
haver sido idealizado no Estado, com base nas vantagens comparativas
locais e com o propósito de adensar a atividade industrial na Grande
Salvador.
O ex-superintendente de Indústria, Comércio e Mineração da Bahia,
Guilherme Furtado Lopes, um dos idealizadores do projeto, imaginou que a
jusante da fábrica de PTA logo haveria produções de resinas de poliéster
nos três graus – têxtil, para a produção de fios e tecidos; embalagem,
para garrafas PET; e industrial, para fios de alta tenacidade, usados
principalmente na fabricação de pneus, ramo que já reúne na Bahia fábricas
da Pirelli, Continental e Bridgestone.
Também imaginou a formação de um cluster de empresas têxteis – fiações,
malharias e fábricas de confecções, que além de fios e tecidos de
poliéster, disporia do algodão de excelente qualidade, cultivado no oeste
do Estado. Algumas empresas destes ramos chegaram a celebrar cartas de
intenção com o governo baiano, mas fizeram meia-volta – estão se
instalando em Pernambuco.
Para atenuar o desapontamento de Furtado e dos baianos, o presidente da
Petrobrás, o baiano José Sérgio Gabrielli, declarou vagamente que uma
segunda fábrica de PTA seria construída, esta na Bahia, a partir de 2009 –
consolo que não está sendo levado a sério pelos conterrâneos, com base na
alta escala da produção que haverá em Pernambuco: 640 mil t/ano. Não
haveria mercado para mais uma fábrica, argumentam.
| Luiz Poy |
A opção por Pernambuco é
atribuída na Bahia a uma decisão monocrática do presidente Lula,
insatisfeito com os ataques do senador Antonio Carlos Magalhães ao seu
governo e desejoso de ampliar a repercussão da construção de uma
refinaria, a Abreu e Lima, em seu Estado natal – esta, uma parceria da
Petrobrás com a estatal de petróleo da Venezuela. |
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| Furtado previa a produção de resinas poliéster nos
três graus |
Antes de o projeto da fábrica de PTA ser transferido para Pernambuco,
pesquisadores, como a economista da Agência de Desenvolvimento da Bahia (Desenbahia),
Vera Spínola, e o ex-diretor do BNDES Participações e ex-presidente de
duas empresas petroquímicas, Adary Oliveira, já alertavam para a tendência
de redução da participação do 2º Pólo na produção total de resinas. Ambos
estudam este tema e já publicaram teses e livro.
Vera Spínola, na tese que está elaborando – “A indústria de transformação
plástica no contexto das transformações internacionais e locais” – enumera
sinais de que os custos de transação, notadamente os do transporte, estão
aumentando e, conseqüentemente, acentuando a tendência concentracionista
no Sudeste. “Com o começo de operação da Rio Polímeros, as regiões Sul e
Sudeste passaram a deter, juntas, quase 75% da produção nacional de
resinas”, ressalta. Ela aponta a necessidade de uma política
compensatória, que isole a desvantagem do 2º Pólo, atribuída
principalmente ao fato de ele estar distante do Sudeste.
Adary Oliveira, em tese transformada no livro “O Pólo Petroquímico de
Camaçari – industrialização, crescimento econômico e desenvolvimento
regional”, argumenta que os novos projetos, que foram ou estão sendo
instalados no Sudeste, juntamente com o duplicado pólo argentino de Bahía
Blanca, apresentam vantagens comparativas decorrentes do agravante custo
do transporte. Adverte que se não houver um crescimento da demanda dos
produtos de terceira geração, correspondente ao próprio crescimento da
oferta de produtos da segunda geração em curso, haverá, nos prazos médio e
longo, duas alternativas no 2º Pólo: exportar o excedente da produção não
comercializado no mercado interno; ou ampliar a indústria de terceira
geração na Bahia e no restante do Nordeste, com vistas a vender bens
finais nos mercados nacional e global.
É claramente percebido que a apatia no 2º Pólo destoa dos projetos que
foram ou serão instalados no Sudeste, a exemplo do Pólo de Paulínia, em
São Paulo; do Pólo Gás Químico, no Rio; da ampliação do Pólo de
Cubatão-SP; e agora do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj),
que inclui uma refinaria – a Unidade de Petroquímicos Básicos (UPB) da
Petrobrás – gigantesco craqueamento catalítico (CFF) que prevê a
transformação de óleo pesado do campo de Marlim em destilados para a
petroquímica.
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