A produção de PE 100 no Brasil é recente, teve início em 2006 por meio da Ipiranga Petroquímica. Segundo Fábio Pinheiro Franck, responsável pelo Departamento de Mercados Especiais da Ipiranga Petroquímica, a resina, entre produção local e importação, já foi responsável por 30% das vendas
de PEAD para tubos no ano passado. A expectativa de evolução do mercado é promissora. “Em um cenário conservador, de poucos investimentos em infra-estrutura, o crescimento esperado é de 100% em cinco anos”, diz o executivo.

Franck acredita que hoje o avanço do PEAD no mercado de tubos depende mais da conscientização dos usuários, sejam eles, empresas de saneamento, construtoras, engenheiros e mesmo empresas produtoras de tubos, do que da evolução tecnológica. As resinas PEADs, informa o executivo, garantem flexibilidade, resistências química, à abrasão e à propagação de fissuras, além de
baixos índices de perda nos efluentes transportados. “Um tubo em conjunto com um sistema de conexões em PE 100, permite a obtenção de perda zero em sistemas de distribuição de fluidos”, afirma.

O setor de distribuição de gás é um que vislumbrou as qualidades do PEAD e migrou para a solução nas tubulações das redes urbanas de distribuição. Segundo o técnico da Congás, Carlos Bratfisch, em países como EUA, França e Inglaterra, não se utilizam mais tubulações para redes até média pressão que não sejam de polietileno. “É um material que veio para ficar, passando das redes nas
ruas, para redes internas de indústrias e redes de instalações prediais em breve”, diz o técnico.

No Brasil, informa Bratfisch, o uso do PE em redes de gás está no início, em virtude da baixa participação do gás natural na matriz energética do País e também da pequena rede de gás canalizado para usuários urbanos, limitada basicamente a São Paulo e Rio de Janeiro.

As normas ABNT permitem o uso do PE na distribuição de gás no Brasil em redes que operam com pressão de até 4 bar, para o PE 80, ou 7 bar, para o PE 100, com espessura SDR 11. O técnico informa, porém, que a avaliação de redes em PE 100 está em fase final de estudos em vários países, com a perspectiva de uma grande mudança nas normas.
Cruz considera o polietileno mais vantajoso e econômico

Bratfisch informa ainda que o PE é fator de economia. Em redes de distribuição, com o uso do método construtivo direcional, que prevê a abertura de dois pontos distantes e a introdução do tubo no solo, de um ponto a outro, sem a abertura do solo, o PE permite uma economia em torno de 30% em relação ao ferro fundido.

Edson Cruz, gerente-comercial da Brastubo, uma das principais fabricantes de tubos de PE no País, também traça um paralelo entre o PEAD e o ferro fundido, mas no mercado de adutoras. “Em tubulações com até 20 kg de pressão, o PE 100 chega a ser 30% mais econômico que o ferro fundido”, diz o executivo. Outra desvantagem do ferro em adutoras, diz Cruz, é que, com o tempo, o material apresenta incrustações internas, fato que não ocorre com o polietileno. Um segmento de mercado ainda pouco explorado que a empresa considera promissor para o PE 100 é o de tubulações para usinas de açúcar e álcool, por conta da alta resistência química do material.
 
Gadotti acredita que o PE 100 substituirá o PE 80 gradualmente

Roberto Gadotti, diretor-superintendente da fabricante de tubos FGS Brasil, acredita que nos mercados de tubulações para água, saneamento, gás e mineração, a migração para as soluções em PEAD seja irreversível.

 
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