Processo abre campo às resinas em mercado de peças altamente complexas

Texto de Simone Ferro e fotos de Cuca Jorge

Tecnologias disponíveis tanto em processos quanto em insumos tornaram realidade a moldagem de peças com peso na faixa de miligramas e a inclusão dos plásticos em mercados extremamente técnicos. Das microengrenagens para relógios aos suportes de lentes para leitores de DVD até os implantes auditivos e subcutâneos, as resinas substituem ligas metálicas, dentre outros materiais, ou, simplesmente, ocupam uma lacuna inédita nas indústrias médico-hospitalar, eletrônica, de comunicação e outras.

No Brasil, a microinjeção ainda não alcançou a escala dos mercados europeu, americano ou asiático. Porém, o País, com seus 90 milhões de celulares, sinaliza demandas futuras em diversos segmentos. Além das telecomunicações, as áreas de mecânica de precisão (engrenagens em geral), de eletroeletrônicos (conectores) e de produtos médico-hospitalares, que exigem produção em sala limpa, chamam a atenção dos fabricantes de injetoras.

Precisão e repetibilidade são fatores fundamentais para a microinjeção de resinas plásticas. Por isso, a dosagem do material e o controle da temperatura estão entre os parâmetros críticos do processo, segundo especialistas do setor. “Os movimentos de abertura e fechamento podem ser hidráulicos, porém é imprescindível que a injeção seja elétrica”, afirma o diretor-presidente da HDB, de Cotia, Herbert Buschle. A empresa representa a austríaca Engel com exclusividade no Brasil.

Existem diversos sistemas dedicados à microinjeção, cujas tecnologias patenteadas estão à disposição dos moldadores nacionais. A Engel desenvolveu um sistema de injeção por compressão, denominado X-Melt, que permite velocidades de injeção de até 1.200 mm por segundo e converte a injetora em uma máquina acumuladora de alta precisão para a produção de peças de parede fina e peso reduzido.

Compressão – De acordo com Buschle, a injeção ocorre com a rosca parada. “O sistema de compressão garante volume de injeção extremamente preciso, assim como a repetibilidade do processo.” Após plastificação, o movimento axial da rosca promove a compressão da resina. Os bicos valvulados, que podem estar na máquina ou no molde de câmara quente, se abrem simultaneamente. O sistema proporciona ainda o acesso rápido do material nas cavidades, sem sobrecarregar as mesmas.
O material comprime na rosca e expande no molde. “Na injeção de alta velocidade, o mais importante não é a aceleração da rosca, mas a precisão com que esta pára, sempre no mesmo ponto”, alega Buschle.

Conforme informações do fabricante, o sistema atende à injeção de peças com pesos variados. Em geral, itens acima de 0,1 grama, com paredes de 0,1 mm a 1 mm. “É possível injetar itens muito reduzidos”, diz Buschle. Já a produção de peças de pequeno porte, acima de 50 gramas, pode ser executada em máquinas 100% elétricas, híbridas e até hidráulicas sem o sistema X-Melt.

A Engel, tradicional fabricante de injetoras sem colunas, possui vasta linha de máquinas desde 28 toneladas até 5.500 t de força de fechamento. No Brasil, o principal volume de vendas fica por conta dos modelos sem colunas até 300 t de força de fechamento e os de duas placas e grande porte até 2.700 t, principalmente para o setor automotivo.
 

 
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