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A indústria
brasileira de masterbatch começa a despontar sob um novo cenário. Os
fabricantes investem cada vez mais em tecnologia e em aplicações
técnicas, numa tentativa de oferecer mais qualidade e produtos
diversificados. A exemplo do ocorrido no setor petroquímico, o setor de
master prenuncia um possível enxugamento, a partir de fusões e do
fechamento de algumas empresas. Por isso, em prol de uma iminente
seleção natural, os investimentos se tornam necessários não mais como
diferenciação, mas como garantia de sobrevivência.
Por conta das fatias cada vez menores, as empresas buscam ampliar o
portfólio e, sobretudo, investir em nichos que embutem alta tecnologia,
como o de pigmentos líquidos e o de concentrados para os plásticos de
engenharia. Líder nacional no mercado de masterbatch, a Cromex aproveita
seus mais de trinta anos de experiência para consolidar essa postura.
Não por acaso, a empresa decidiu fortalecer sua atuação no concentrado
líquido (ou simplesmente pigmento líquido, como parte do setor o
denomina). “Estamos investindo nesse ramo”, anuncia o diretor-comercial
interino da Cromex, Cyro Galaso. O produto vem para substituir o
tingimento em pó, com benefícios como a redução da sujidade. “O processo
é controlado”, afirma Galaso. O produto que representa essa categoria na
Cromex é o Dispermix.
Líder mundial entre os pigmentos líquidos, a norte-americana ColorMatrix,
com fábrica em Itupeva-SP, ampliou sua penetração na América Latina com
a compra da DosiColor, fabricante com plantas na Argentina e no México.
Com essa aquisição, os transformadores latino-americanos passaram a ser
atendidos agora pelas três unidades. “Estamos em processo de
crescimento”, comenta o diretor-geral para a América Latina da
ColorMatrix, Célio Andrino.
Para Andrino, além de refletir a estratégia da empresa, essa expansão
traduz a força dos pigmentos líquidos. Ele argumenta que essa categoria
de produto aumenta a qualidade do transformado e reduz os custos de
produção. “Essas duas variáveis estão muito em voga hoje”, completa.
Para o diretor, se comparado ao tingimento da resina (pigmento em pó) ou
ao masterbatch granulado, o líquido proporciona vantagens de processo,
como rápida troca de cor e diminuição do ciclo e do consumo energético
da máquina, além de manter a limpeza e a organização da fábrica. Uma
vantagem técnica dá conta do fato do líquido não ter história térmica, o
que garante produtos mais estáveis.
No pigmento líquido, o veículo é um plastificante, enquanto no
concentrado de cor granulado a resina faz esse papel. “O master líquido
pode ser usado em uma gama ampla de polímeros, porque o plastificante é
o mesmo”, ratifica Sérgio José de Souza, da assistência técnica da
Cromex. No entanto, o processo tem suas restrições. O concentrado
líquido não é indicado para a extrusão de filme (sacolas), por exemplo,
além do seu preço ser superior ao do granulado. Para Andrino, as
aplicações para este tipo de produto são consideradas nobres, pois os
usuários têm grande preocupação com a qualidade e o desempenho da peça.
“O pigmento líquido é um mercado de alta tecnologia”, enfatiza.
Valor agregado - Assim como ocorre no ramo dos concentrados
granulados, entre os líquidos, a oferta de produtos com alto valor
agregado faz a diferença. A ColorMatrix apresentou uma solução capaz de
garantir a barreira ao oxigênio e ao gás carbônico, além de incorporar
cor à peça. Trata-se do SoLO2, um pigmento líquido para garrafas de
polietileno tereftalato (PET) monocamada para cerveja. “No Chile e na
Europa existem cervejas em PET. Aposto nesse mercado também aqui no
Brasil”, comenta Andrino.
No passado, o concentrado líquido era voltado, com exclusividade, ao PET.
A ColorMatrix entrou no mercado brasileiro por essa porta, no final de
2000. Hoje as aplicações se diversificaram, no entanto, sua penetração
se concentra nessa resina e no plástico de engenharia.
Novidade recente do setor fica por conta do policloreto de vinila (PVC).
De acordo com observação da ColorMatrix, o mercado dessa resina tem
migrado para o líquido, apesar de se tratar de uma commodity. “Com o
líquido, é possível reduzir custos no mercado do PVC”, enfatiza Andrino.
Independentemente dessa aplicação se confirmar, a ColorMatrix aposta no
mercado brasileiro. A empresa duplicou a capacidade produtiva da planta
de Itupeva. “Prevemos a expansão do mercado”, confirma o diretor-geral.
Souza, da Cromex, tem a mesma opinião. Para ele, as vendas dos líquidos
compõem um mercado promissor. Por isso, a Cromex investiu no aumento da
capacidade produtiva dessa linha. No entanto, um segmento não deve
interferir no outro. “O master líquido não vai pegar o mercado do
granulado e vice-versa”, afirma Galaso.
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