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AVIÕES
Plástico de alto desempenho
e compósitos a bordo
Texto de José Paulo Sant’Anna e fotos de Cuca Jorge
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Modelo Phenom 100, novo jato executivo da Embraer |
O trocadilho não é dos mais engraçados, mas traduz uma realidade
inegável. Nos últimos anos, a presença de polímeros e de compósitos nos
aviões decolou. Graças ao investimento em tecnologia de grandes
multinacionais ligadas ao mundo da química, sofisticados plásticos de
engenharia e compósitos ganharam propriedades como maior resistência
mecânica, térmica, à corrosão e ao fogo, além de apresentarem menor peso e
emitirem pouca fumaça.
Essas características soam como o ronco saudável de um potente motor para
os profissionais especializados em aeronáutica, que não hesitam em
aproveitar materiais plásticos de elevado desempenho para substituir
matérias-primas outrora indispensáveis – em especial, metais. “Esses
plásticos requerem baixa manutenção e, por tornarem as aeronaves mais
leves, permitem redução do uso de combustível e maior autonomia de vôo”,
justifica Venâncio Pereira Neto, gerente de engenharia de materiais da
Embraer, representante brasileira do restrito time de companhias
especializadas na fabricação de aviões.
| Pereira destaca que a
presença dos plásticos em aeronaves pode ser dividida em duas áreas
distintas: nas aplicações feitas na estrutura dos aviões, composta
pelo conjunto formado pela fuselagem e asas, e nas voltadas para o
interior das aeronaves. “O grande salto no uso de resinas nos
últimos tempos vem ocorrendo nas estruturas”, informa. |
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| Simone: modelo A380 tem 5t de compostos de PPS |
Para se ter uma idéia de tal evolução, há vinte anos, alumínio, aço e
titânio correspondiam a entre 80% e 90% do peso das estruturas das
aeronaves. Os novos modelos “gigantes”, que vêm sendo desenvolvidos pelas
principais fabricantes mundiais de aviões para em breve transportar
milhões de passageiros pelos céus do planeta, apresentam características
bem diversas.
| Divulgação |
É o caso da série 787,
desenvolvida pela companhia norte-americana Boeing e que conta com
modelos capazes de transportar de 210 a 330 passageiros. “Os aviões
dessa linha têm em torno de 50% do peso de sua estrutura formada por
compósitos”, revela Marcos Maciel, líder de equipe de compósitos e
poliméricos da Embraer. A estréia dos modelos 787 em vôos comerciais
está prevista para o próximo ano. Estima-se que porcentagem similar de
materiais plásticos deva estar presente na linha A350, que está sendo
desenvolvida pelo consórcio europeu Airbus. As unidades A350 devem
chegar ao mercado em 2012, com modelos capazes de carregar de 250 a
340 passageiros. |
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O A380, com capacidade para transportar nada menos do que 555
passageiros, outro lançamento de grande porte da Airbus, tem 20% do peso
de sua estrutura em materiais plásticos, porcentagem bastante considerável
levando-se em conta as dimensões gigantescas do avião e os modelos
anteriores da marca. O A380 passará a ser utilizado pela aviação comercial
dentro de alguns meses.
A tendência também está presente nos aviões de menor porte. Neste caso,
porém, o fenômeno ocorre em escala reduzida, quando comparado aos modelos
que levam grande número de passageiros. A relação custo/benefício dita o
ritmo da substituição dos metais nesse nicho de mercado.
| Os aviões da Embraer são
exemplos desse avanço. O antigo modelo Brasília contava com 8% de
plásticos reforçados no peso de sua estrutura. A linha de modelos 145
(aviões para 50 passageiros) chegou ao mercado com 10%. Essa
porcentagem evoluiu para 13% nas linhas 170 (de 70 a 80 passageiros) e
190 (entre 80 e 120 passageiros). “Nossos modelos das linhas 170 e 190
são os que mais utilizam compósitos poliméricos em todo o mundo nestas
categorias de aviões”, informa Maciel.Os novos modelos da empresa, os
jatos executivos Phenom, que estão em fase final de desenvolvimento,
possuem 16%. O Phenom 100, com capacidade para seis passageiros, fez
seu primeiro vôo em julho e tem lançamento previsto para meados do
próximo ano. O Phenom 300, com capacidade para oito passageiros, chega
ao mercado em meados de 2009. |
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| Peças usadas pela Airbus com compósitos da Ticona |
A utilização de plásticos nos interiores das aeronaves é bem mais
tradicional. Revestimentos de corredores, tetos, pisos, bagageiros,
divisórias e dezenas de outros itens há anos são fabricados em resinas.
Nesta lista também podem ser adicionadas várias peças que estão fora do
alcance dos olhares dos passageiros, como dutos, conectores e itens dos
motores, entre outras.
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