Feira acontece em meio à
reestruturação da petroquímica

Num ano atípico, marcado pela saída da única empresa gaúcha da cadeia petroquímica, o grupo Ipiranga, os transformadores de termoplásticos do Rio Grande do Sul apostam suas fichas no sucesso da primeira edição da Plastech (Feira de Tecnologias para Termoplásticos e Termofixos, Moldes e Equipamentos) como forma de melhorar o desempenho do setor, que perdeu espaço para outras regiões nos últimos anos.

O evento acontece em Caxias do Sul, de 24 a 27 de julho de 2007, e até o fechamento desta edição de PM, conforme informações oficiais da organização da feira, 80% dos espaços estavam vendidos a 250 expositores. A expectativa era de chegar perto dos 100% nos dias que antecedem a abertura, sendo que 90% da feira será ocupada por empresas brasileiras. Os 10% restantes correspondem a grupos provenientes dos Tigres Asiáticos, China, EUA, Itália e Alemanha, entre outros.

Segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplás) – entidade promotora do evento – Orlando Marin, o objetivo da Plastech em sua primeira edição é contar com representantes dos diversos segmentos da cadeia petroquímica e por conta disso consolidar um espaço do sul do Brasil onde a cada dois anos os empresários possam atualizar seus conhecimentos relacionados ao negócio, propagando uma cultura do plástico com o que há de mais avançado em tecnologia industrial.

Na opinião do presidente do Sindicato da Indústria de Material Plástico do Rio Grande do Sul (Sinplast), Jorge Cardoso, a Plastech ocorre em um momento de inserção do pólo petroquímico gaúcho no cenário de globalização do setor. Na análise de Cardoso, o ambiente de organização da Plastech é complexo porque a compra da Ipiranga pela Braskem era uma questão de tempo.

Conforme o dirigente, já não existia espaço na petroquímica para empresas sem ambições de alçar vôos ousados no cenário mundial. “
 

O cenário da petroquímica é de fusão ou aquisição e formação de grupos de classe mundial, mas ao mesmo tempo pequenas e médias empresas transformadoras começam a encontrar facilidades para a importação de insumos porque o dólar desvalorizado abaixo de dois reais permite montar esquemas de compra e logística em encomendas menores”, assinala Cardoso.

Fernando C. de Castro

Da dir. Cardoso, Marin e Eggers apostam no sucesso do evento

Gustavo Eggers, da empresa Bioplast, um dos responsáveis por uma série de reformulações gerenciais traçadas pelo Sinplast no sentido de modernizar a gestão das empresas, considera a realização da Plastech logo em seguida à Brasilplast como mais um recurso para atender às necessidades daqueles empresários do sul do País que por uma razão ou outra ficaram impossibilitados de ir a São Paulo. “A grande maioria dos que visitaram a Brasilplast comprou máquinas novas. Os que ficaram sabem que precisam investir para não perderem competitividade”, raciocina Eggers.

Em sua opinião, no entanto, o crescimento do setor proveniente dos novos investimentos será percebido em 2008, pois é preciso levar em conta o tempo de entrega das máquinas, a entrada em operação e a melhora das relações entre oferta e procura dos manufaturados. De acordo com Eggers, a indústria gaúcha precisa investir ainda mais em material de laboratório, como forma de melhorar a capacidade de injeção de peças técnicas, que exigem testes mais detalhados.

 Sobre a compra dos ativos de Triunfo pelo consórcio Braskem-Petrobrás, Eggers comenta: “O negócio está fechado. Queira ou não queira há um monopólio. Por outro lado, existe excesso de oferta de resinas na China e as facilidades ocasionadas pela desvalorização do dólar perante o real. Com isso, alguns distribuidores estão importando matéria-prima e formando estoques reguladores no Brasil. Isto vai ajudar a segurar os preços.” No seu entendimento, 87% dos transformadores gaúchos têm condições de adquirir resinas no mercado internacional por compra direta ou via intermediação das distribuidoras.

 
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