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Plástico na região do ABC ganha novo
fôlego
O Arranjo Produtivo Local (APL) do Plástico do Grande
ABC paulista, lançado em março, já contabiliza 38 empresas participantes.
A presença com estande na Brasilplast, expondo produtos de algumas das
integrantes do arranjo, rendeu 4 das 38 adesões. Com isso, o grupo está
muito perto de chegar aos 42 participantes, aproximando-se rapidamente da
meta de reunir 60 empresas no projeto.
Os APLs reúnem micro e pequenas empresas instaladas na mesma região. O
objetivo é aumentar sua competitividade e o acesso ao mercado, desenvolver
uma cultura de colaboração entre as participantes e elevar sua região de
atuação ao status de pólo de desenvolvimento da atividade em questão, no
caso do APL do Grande ABC, a transformação de plásticos. O comitê gestor
do APL do Plástico do Grande ABC é composto pela Agência de
Desenvolvimento do Grande ABC, pelo Sebrae-SP, pela International Finance
Corporation (IFC), pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo
(Fiesp) e pela Suzano Petroquímica.
As empresas que aderirem ao arranjo serão submetidas a diagnósticos de sua
situação quanto aos processos produtivos e aos métodos de gestão.
Detectadas fraquezas, serão tomadas medidas para reduzi-las e aumentar as
vendas das participantes. Uma das ações tomadas pelo APL do Plástico foi a
participação na Brasilplast, com a intenção de divulgar o projeto e suas
empresas, bem como gerar novos negócios para elas. De acordo com as
informações de Joelton Gomes Santos, coordenador do APL do Grande ABC,
muitas empresas de injeção da Argentina e Chile estiveram no estande do
Anhembi interessadas em comprar produtos transformados brasileiros, pois
suas fábricas locais possuem baixa competitividade diante dos produtos
brasileiros – uma oportunidade de negócio nos moldes sobre os quais o
projeto se propõe a prospectar.
O coordenador destacou como um dos pontos de maior interesse do arranjo o
desenvolvimento da cultura associativa entre as empresas integrantes, que
nada mais é que a união de forças para atender clientes que,
individualmente, as empresas não seriam capazes. A idéia é que o
empresário deixe de ver os concorrentes da região apenas como tal, e passe
a vislumbrar as parcerias com esses competidores como uma das
possibilidades de crescimento.
Em 2006, a cadeia produtiva do plástico faturou R$ 37,5 bilhões no Brasil.
A região do Grande ABC paulista, composta por sete municípios, contribuiu
com 6,3% do total, ou R$ 2,4 bilhões. São mais de 500 empresas, 94% delas
micro e pequenas. Segundo Joelton Santos, levantamentos da Abiplast
mostram que 14% dos transformadores brasileiros produzem componentes
técnicos. No ABC paulista, entretanto, o panorama é diferente: 38% das
empresas daquela região produzem componentes técnicos. Esse fato e a
presença de empresas das três gerações da cadeia petroquímica reforçam sua
aptidão para se tornar um grande pólo de desenvolvimento, transformação e
serviços em plásticos.
Na região do Grande ABC, as aplicações em pet food (alimentação animal)
ocupam 1% do mercado, mas crescem a taxas superiores a 20% ao ano. A
indústria automobilística, especialidade dos transformadores locais, ocupa
45% do mercado, mas cresce, no máximo, 4% ao ano. “As máquinas e os
processos para pet food são quase os mesmos para a indústria
automobilística, mas falta o conhecimento de mercado”, explica Santos.
Outro exemplo: a indústria de cosméticos cresce 14% ao ano, e há um pólo
de cosméticos instalado em Diadema. “Por que não se aproximar desses
mercados e crescer junto com eles?”, questiona o coordenador.
Mesmo nas aplicações de utilidades domésticas, em que há reclamações
constantes sobre a invasão chinesa, o transformador local tem algo a
oferecer, pois Santos recebeu estrangeiros na Brasilplast, entre eles
americanos e europeus, interessados em alguns dos produtos, principalmente
do segmento de utilidades domésticas.
| O comitê gestor do APL do
Plástico já definiu empresas de consultoria que realizarão
diagnósticos de chão de fábrica e de todas as áreas de gestão, exceto
marketing. |
Cuca Jorge |
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| Santos quer incentivar a associação entre empresas |
Uma proposta adequada para a área de marketing é esperada, e tão
logo seja aprovada, serão fechados os pacotes de consultorias e iniciadas
as avaliações. Essa etapa de diagnósticos deve
durar cerca de três meses, e, após sua conclusão, ocorrerão comparações
entre as empresas analisadas, e ações para chegar a soluções para os
problemas detectados. O “sonho” do comitê gestor é que em dois ou três
anos a região do Grande ABC seja vista como um centro de referência
mundial em plásticos. Resta aguardar os resultados.
Prosseguindo com as ações para ampliar a penetração das empresas do
arranjo no mercado, o APL financiará 50% dos custos de uma missão de 20
empresários que visitarão a K, maior feira de negócios da cadeia do
plástico, a ser realizada em Düsseldorf, na Alemanha, em outubro.
Márcio azevedo
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