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Nova linha de EPDM suporta até 160ºC
O grupo DSM, com matriz e linhas de produção em Geleen, na Holanda, e
uma segunda planta industrial em Triunfo, no Rio Grande do Sul, anunciou a
introdução no mercado de uma nova geração de borracha EPDM (etileno-propileno-dieno)
com metalocenos incorporados à estrutura química, por ocasião das IX
Jornadas Latino-Americanas de Tecnologia da Borracha, evento realizado em
Porto Alegre, de 13 a 15 de junho último.
| O uso da tecnologia metalocênica
em catálise de borracha não chega a ser uma novidade. No entanto, o
que parece diferenciar o polímero da DSM dos demais é sua alta capacidade de
produzir barreira térmica e suportar até 160ºC de temperatura. |
Fernando C. de Castro |
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| Oliveira vê revolução nos segmentos de alta
temperatura |
Segundo Herman Dikland, gerente-corporativo da DSM mundial, a tecnologia
resultou da compra de patentes da Nova Chemicals, a qual engloba um novo
sistema de catálise, denominado Advanced Catalyst Enhanced (ACE), capaz de
gerar o monômero VNB, que pode ser adicionado em teores altíssimos durante
o processo catálise-polimerização, diminuindo drasticamente a incidência
de peróxido na cura da borracha.
O diretor-comercial da DSM no Brasil, Marcos de Oliveira, aponta os
produtos com os quais o novo EPDM poderá interagir, como mangueiras para
radiadores automotivos, cabos elétricos de grande isolamento, como os
utilizados em plataformas marítimas, e como aditivo de óleo lubrificante
na proporção de 1% dissolvido, correias para esteiras mineradoras e
automotivas, perfis automotivos, todas as borrachas de porta, mangueiras,
correias em V, selos de isolamento entre outros. “A tecnologia atual de
cura do EPDM permite resistência térmica de até 145 graus centígrados.
Esses 15 graus fazem uma diferença imensa. É uma revolução para segmentos
de alta temperatura”, resume Oliveira.
Outra aplicação está relacionada com as indústrias da construção civil dos
Estados Unidos e da Europa. Elas usam EPDM como impermeabilizante de pisos
e lajes de concreto em lugar de asfalto. Segundo o executivo da DSM, é um
mercado fortíssimo. Somente uma empresa fabricante de manta
impermeabilizante norte-americana emprega 40 mil toneladas por ano da
borracha em seus produtos. Para se ter idéia do tamanho do negócio,
levando-se em conta todas as aplicações, a América do Sul não consome mais
do que 50 mil toneladas de EPDM/ano.
Mais uma vantagem é a economia de peróxido durante a cura, um produto
considerado caro dentro da planilha de custos de borrachas. Pelo novo
processo estão abertos caminhos para o surgimento de uma blenda EPDM/SBR.
A empresa conhece a rota correta para processar o produto, o que
dependeria apenas das necessidades ditadas pelo mercado transformador,
declara Oliveira. A DSM produz 40 mil toneladas por ano de EPDM na planta
gaúcha, sendo que 25 mil correspondem às vendas na América do Sul. A
produção do novo polímero ocorrerá na unidade de Geleen.
A jornada latino-americana da borracha debateu mais de 30 temas
relacionados com o desenvolvimento de elastômeros. Os assuntos com mais
pontos de interesse estiveram relacionados com o aperfeiçoamento de
blendas de borrachas sintéticas e termoplásticas, melhoria de propriedades
físico-químicas, ensaios de viscosidade, entre outros. Foram apresentadas
experiências realizadas no Brasil, Argentina, Colômbia, Venezuela, Espanha
e França, entre as quais se destacaram os estudos de João Cláudio Sanches
Pocos, Moisés Werlang e Maria Madalena de Camargo, denominado Modificação
de Polipropileno com Elastômeros Termoplásticos à Base de Estireno.
Segundo a pesquisa, o PP é um polímero com propriedades mecânicas e
térmicas bastante interessantes, com um porém: “Sua resistência ao
impacto, particularmente em amostras entalhadas, não é suficiente para que
seja considerado um plástico de engenharia.”
Borracha melhora PP – Apregoam os pesquisadores a possibilidade
considerável de melhora das propriedades do PP por meio da presença de uma
fase elastomérica dispersa. Uma análise comparativa das diversas formas de
reforçar o polipropileno foi realizada e, conforme os estudos, o
aprimoramento dessas características pode ocorrer com a colocação da
olefínica nos elastômeros na forma de aditivo durante a polimerização,
diretamente no reator, ou em fase posterior como mistura na extrusão.
A pesquisa aponta o copolímero etileno-propileno (EPR), o terpolímero
etileno-propileno-dieno (EPDM) e os copolímeros em bloco de estireno como
os mais interessantes:
| “A natureza da fase elastomérica, bem como outros
fatores como o tamanho das regiões de dispersão, são alguns dos pontos
importantes a definir a eficiência da modificação da resistência ao
impacto.” |
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Ainda de acordo com o estudo, a compatibilização do PP e dos elastômeros
em alguns casos é facilitada por enxertia ou por adição de agentes de
compatibilização, que funcionam como elementos interfaciais capazes de
interações específicas ou reações químicas com os componentes da blenda. A
pesquisa mostra alternativas de blendas, tais como o
poliestireno-bloco-polibutadieno-bloco-poliestireno (SBS) e o
poliestireno-bloco-poli (eteno-co-buteno-1)-bloco-poliestireno (SEBS), os
quais apresentam melhor resistência química e temperatura de serviço
superior à dos elastômeros à base de butadieno usados como modificadores.
“Isso torna esses elastômeros promissores no sentido de propiciar às
blendas com eles realizadas um campo de aplicação mais amplo do que as
blendas de PP com elastômeros convencionais”, resumem os pesquisadores.
Segundo eles, as blendas de PP com SBS e SEBS têm sido estudadas desde
1982.
A reciclagem de materiais, visando a preservação do meio ambiente, foi
outro ponto importante nas Jornadas Latino-Americanas da Borracha. Nesse
aspecto, chamou atenção o trabalho sobre aproveitamento de óleo de fritura
para a fabricação de factis, realizado em conjunto por um grupo de
pesquisadores da Universidade Luterana Brasileira e da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul. Os factis são aditivos empregados na
fabricação da borracha.
A proposta consistiu em purificar a gordura para reaproveitamento na
obtenção do material. Diferentes procedimentos de purificação passaram por
avaliação. O método com terra clarificante natural em pressão ambiente na
ausência de vácuo foi o que apresentou melhor relação custo/benefício na
purificação.
De acordo com os pesquisadores, os óleos foram caracterizados por
diferentes técnicas e os purificados apresentaram propriedades físicas e
químicas semelhantes ao óleo vegetal virgem. Estabeleceram-se as condições
de polimerização e vulcanização para a obtenção de factices com base nos
óleos. “A polimerização é importante, pois além de diminuir o tempo de
reação e a quantidade de enxofre ou qualquer outro agente de reticulação
no processo de vulcanização contribuirá para que o factis obtido tenha
ação plastificante e possa auxiliar na processabilidade de compostos de
borracha natural e/ou sintética.”
Dois dígitos – Depois do baixo crescimento verificado no último
biênio, a indústria de artefatos de borracha gaúcha projeta retomar níveis
de expansão na casa dos dois dígitos, fechando 2007 com um incremento de
atividade na faixa de 10% a 12%, em comparação com o ano passado. A
previsão é do presidente do Sinborsul (Sindicato da Indústria dos
Artefatos de Borracha do Rio Grande do Sul), Geraldo da Fonseca.
Fonseca apontou algumas dificuldades de segmentos exportadores como a
indústria calçadista, mas por outro lado avalia que segmentos como
transporte, automotivo, máquinas agrícolas, construção civil e algumas
áreas da indústria eletroeletrônica entrarão num período de plena
recuperação. De acordo com ele, as encomendas de artefatos de borrachas
provenientes dessas indústrias no primeiro semestre deste ano motivam o
cenário otimista.
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PRODUÇÃO E CONSUMO
MUNDIAL E DO BRASIL DE BORRACHA NATURAL E SINTÉTICA |
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Além disso, Fonseca enfatizou que as indústrias de artefatos de
borracha gaúchas estão obtendo resultados positivos decorrentes de
investimentos realizados para a modernização de seus parques produtivos.
| Um fator positivo
apontado pelo presidente é a crescente internacionalização da
atividade como resultado da participação do Sinborsul e de seus filiados
em feiras e exposições no exterior, além de missões para a abertura de
novos mercados e a realização de parcerias empresariais. |
Fernando C. de Castro |
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| Fonseca aposta em crescimento entre 10%
e 12% sobre 2006 |
Sobre a Jornada Latino-Americana, no entendimento de Fonseca, trata-se
de evento com ambiente ideal à difusão do conhecimento e inovação, uma vez
que, em sua ótica, o Rio Grande do Sul é o centro de excelência na
produção da borracha por contar com o Cetepo, o Centro de Tecnologia de
Polímeros do Senai de São Leopoldo, considerado o principal laboratório
para desenvolvimento, ensaios e química analítica de elastômeros da
América Latina. Há dois anos o Cetepo passou a operar na área de
termoplásticos.
Além disso, diz Fonseca: “O Rio Grande do Sul conta com um cluster de
elastômeros, porque num raio de 150 quilômetros reunimos este centro de
desenvolvimento tecnológico, universidades voltadas à formação de
profissionais até o nível de pós-doutorado, escolas técnicas voltadas à
formação de mão-de-obra de nível médio e chão de fábrica, a indústria de
matérias-primas desde o refino de petróleo até a segunda geração
petroquímica, e a indústria de máquinas e equipamentos, ligada a uma rede
de transformadores e consumidores, principalmente a indústria de calçados,
de implementos agrícolas e de autopeças.”
Estatísticas – Uma pesquisa realizada pelo Sinborsul, com base em
estatísticas de entidades internacionais e do IBGE, aponta que a indústria
da borracha compreende os subsetores: matérias-primas; indústria pesada
(composta pelos pneumáticos); e indústria leve, notadamente artefatos de
borracha. Este último se divide em diversos segmentos: componentes para
autopeças, calçados e revestimentos de pisos, entre outros.
Com relação à borracha natural, o Brasil produziu cerca de 110 mil
toneladas e consumiu 314 mil toneladas. A indústria pesada, ou de
pneumáticos, é o subsetor com o maior nível de produção e faturamento. Já
a indústria de artefatos leves, apesar de estar bem abaixo dos pneumáticos
no faturamento, possui um número muito maior de estabelecimentos e também
uma grande variedade de produtos (que vão desde artigos hospitalares até
componentes para a linha automotiva), a qual se ajusta às características
do mercado de cada região do Brasil.
Essa variedade se dá, entre outras razões, pelo fato de este setor ser,
via de regra, produtor de insumos e se localizar primordialmente em São
Paulo e no Rio Grande do Sul, Estados especializados na fabricação de
pneumáticos e autopeças, por contarem com forte indústria automotiva, de
máquinas agrícolas e de material de transporte. Por outro lado, em Minas
Gerais, percebe-se uma maior concentração de empresas que fabricam
produtos para mineração, segmento característico daquele Estado.
A América Latina processa anualmente 848 mil toneladas de elastômeros
sintéticos e naturais, representando 4% do total mundial. O Brasil tem a
participação relativa de 2,3% na produção mundial e de 57,8% na
latino-americana. As principais regiões produtoras são: Ásia e Oceania com
63,4%, União Européia com 12,8% e América do Norte (sem considerar México)
com 11,6%. A borracha sintética representa 57,5% dos elastômeros
produzidos.
A borracha natural é obtida em três regiões do mundo: Ásia (93,3% do
volume mundial), África (4,5%) e América Latina (2,2%). A América Latina
produz anualmente 195 mil toneladas de borracha natural, deste total a
participação brasileira representa 54% na região e 1,2% da
industrialização mundial, com 105 mil toneladas. Os quatro países
produtores de borracha no continente são: Brasil, Guatemala, México e
Equador.
O estudo mostra que a borracha sintética da América Latina representa 5,4%
do volume mundial (653 mil toneladas). As principais regiões produtoras
são: Ásia e Oceania com 41,4%, União Européia com 22,2% e América do Norte
(sem México) com 20,2%. Na América Latina somente três países mantêm
parque fabril de borracha sintética: Argentina (58 mil toneladas), Brasil
(385 mil toneladas) e México (210 mil toneladas). O Brasil responde por
3,2% da borracha sintética em âmbito mundial.
O consumo latino-americano de elastômeros é de 1 milhão e 300 mil
toneladas/ano e representa 6,2% do total mundial, sendo que a borracha
natural equivale a 43,1%. O Brasil, com 690 mil toneladas, detém 3,3% do
estoque mundial e 52,9% do latino-americano. As principais regiões
consumidoras, a exemplo das produtoras, são: Ásia e Oceania com 51,6%,
União Européia com 18,7% e América do Norte (sem México) com 16,7%.
O consumo de borracha natural da América Latina responde por 6% da demanda
mundial. A Ásia e Oceania são os maiores consumidores com mais de 60% do
total mundial. Na América Latina, o Brasil, com 295 mil toneladas, detém
55,5% do consumo na região e 3,3% do mundial. A origem da borracha natural
importada pelo Brasil é a Tailândia (58,4%), Indonésia (26,1%), Vietnã
(13,0%) e Malásia (2,6%).
Quanto aos sintéticos, a demanda da América Latina é de 766 mil toneladas
de elastômeros sintéticos, representando 6,4% do total mundial. O Brasil
tem a participação relativa de 3,3% na demanda mundial e de 51% na
latino-americana. A pesquisa usa como indicadores o consumo per capita de
elastômeros. A média mundial é de 3,2 kg por habitante/ano e o Brasil
apresenta um consumo de 3,6 kg/hab/ano, superior ao da Ásia e Oceania.
As principais regiões produtoras apresentam um consumo de 2,9 kg/hab na
Ásia e Oceania, de 8,5 kg/hab na União Européia e de 10,6 kg/hab na
América do Norte (sem México). “Para poder melhor distribuir sua produção
para as demais indústrias, a um preço eficiente, a indústria da borracha
precisa se localizar próxima aos seus consumidores com o objetivo de
manter os custos de frete baixos. Portanto, a característica fornecedora
da indústria da borracha tem um papel determinante em sua localização”,
finaliza o estudo.
Fernando Cibelli de Castro
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