Nova produção dá ao País auto-suficiência para o PET

Entrou em operação recentemente, no Complexo Portuário e Industrial de Suape, em Pernambuco, a fábrica de 450 mil t/ano de resina PET grau embalagem, construída pela italiana Mossi & Ghisolfi (M&G) e apresentada como a maior do mundo, juntamente com a irmã gêmea também da M&G, essa inaugurada em 2003, em Altamira, México.
Pela ordem cronológica, a segunda fábrica do novo pólo petroquímico será a Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco (Citepe), que produzirá 215 mil t/ano de filamentos de poliéster – polyester oriented yarn (POY) – matéria-prima –, intermediária para tecidos sintéticos. A construção, na fase de terraplenagem, foi dividida em três etapas, correspondentes às três unidades que compõem o projeto: polimerização, fiação e texturização.

A texturização, que na seqüência fabril da produção é a terceira etapa, será a primeira a ficar pronta, em data prevista para o primeiro trimestre do próximo ano. O descompasso obrigará a Citepe a importar a matéria-prima intermediária, o filamento polimerizado, pelo tempo que transcorrer até a conclusão das outras duas etapas, prevista para o começo de 2009. A polimerização dependerá também do suprimento de ácido tereftálico purificado (PTA), que será produzido em outra planta.

A terceira inauguração será justamente a da fábrica de PTA, com capacidade para 640 mil t/ano – investimento de 542 milhões de dólares. O início da construção está na dependência do licenciamento ambiental. A produção, além de suprir a Citepe, deverá suprir a própria M&G, que neste começo está importando PTA do México e trazendo da Bahia a outra matéria-prima, o mono-etileno-glicol (MEG).
A produção de PTA dependerá inicialmente de paraxileno importado, provavelmente da prevista Unidade de Petroquímicos Básicos (UPB), a refinaria que a Petroquisa planeja construir em Itaboraí-RJ para suprir de olefinas e aromáticos a indústria petroquímica. Tal importação ocorreria até a Refinaria Abreu e Lima, que também será construída no Complexo Portuário e Industrial de Suape, produzir este aromático.

Petroquímica Suape - A Citepe e a fábrica de PTA, com investimentos de 320 milhões de dólares e 542 milhões de dólares respectivamente, são empreendimentos formados no âmbito da Petroquímica Suape, parceria meio a meio da Petroquisa com a Companhia Integrada Têxtil do Nordeste (Citene), esta formada há menos de dois anos por três empresas do setor têxtil – Vicunha (40%), Polienka (30%) e FIT (30%). Pelo cronograma previsto, a Refinaria Abreu e Lima, empreendimento de 4 bilhões de dólares em parceria com a estatal venezuelana PDVSA, processará 200 mil barris/dia de óleos pesados, procedentes de campos do Brasil e da Venezuela, a partir de 2011 – tempo que Lula quer que seja encurtado em um ano, suficiente para que ele e o governador aliado Eduardo Campos possam inaugurá-la. Presidente e governador assinaram um termo de compromisso, estabelecendo as obrigações de ambos os governos nos investimentos em infra-estrutura, avaliados em R$ 140 milhões. O terreno já foi desapropriado. A fase atual é de engenharia básica.

A refinaria suprirá a Petroquímica Suape de paraxileno, completando assim, de forma invertida, de jusante para montante, o Pólo de Poliéster, núcleo do 2° Pólo Petroquímico do Nordeste, como anuncia a Presidência da República. O Pólo de Poliéster impôs pesada desilusão nos planos do anterior governo da Bahia, que há pelo menos sete anos imaginava que um pólo igual seria a solução para acabar com a paralisia e assegurar importante desdobramento no 2o Pólo Petroquímico, há anos carente de grandes projetos que possibilitariam o aumento da densidade industrial e novos desdobramentos, como considerava.

O governo ressaltava que a localização mais acertada para o Pólo de Poliéster seria o próprio 2o Pólo Petroquímico, onde já há a produção das duas matérias-primas requeridas – o paraxileno, produzido na Braskem, que é transformado no PTA mediante oxidação; e o monoetileno glicol (MEG), produzido na Oxiteno, requerido na polimerização do PTA e conseqüente produção da resina PET. Para os baianos, particularmente para a Braskem, que estava em entendimento com o grupo turco Sabanci para investir, juntamente com a Petroquisa, em uma fábrica de PTA, sobrou apenas a promessa do presidente da Petrobrás, o baiano José Sérgio Gabrielli, de que em 2009 uma segunda fábrica de PTA começará a ser construída, esta na Bahia.

No informativo que circulou na cerimônia de inauguração da M&G, a Presidência da República ressalta que, desde 2004, o próprio presidente esteve empenhado em garantir a construção dessa fábrica no Brasil – e que a união de esforços dos governos federal, estadual e municipal possibilitou as condições econômicas e de infra-estrutura para o êxito do investimento, “base de um pólo de poliéster”. O texto arremata: “Investimentos ainda maiores já estão programados para o local e consolidarão o Pólo Petroquímico de Suape.”
A mesma nota ressalta que o Pólo Petroquímico de Suape faz parte do planejamento estratégico da Petrobrás, que investirá 3,2 bilhões de dólares em projetos petroquímicos até 2011, “conforme previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)”.                             José Valverde
 

Fabricação brasileira sobe 170%

Com a fábrica pernambucana, inaugurada no final de fevereiro deste ano, o Grupo M&G, que em 2006 faturou aproximados 2 bilhões de dólares, alcança o patamar de 1,7 milhão de toneladas de PET grau embalagem ou garrafa, capacidade somada de suas plantas na Itália, EUA, México e Brasil. O volume o situa na liderança da produção.
No Brasil, as 450 mil t/ano agora produzidas em Pernambuco representam a auto-suficiência e acréscimo aproximado de 170% na produção nacional, antes limitada a duas fábricas: a da ex-Rhodia Ster, em Poços de Caldas-MG, comprada em 2002 pela própria M&G, produtora de 192 mil t/ano; e a unidade da Braskem em Camaçari-BA, produtora de 78 mil t/ano. Em 2006, o total das importações de PET, incluindo os graus embalagem e têxtil como a estatística oficial é apresentada, somaram 172 mil t.

Reator horizontal – A rota do PET passa pelas reações de esterificação e polimerização do PTA com o mono-etileno-glicol (MEG), processo que na M&G ocorre em duas fases: a líquida (melt phase) e a sólida, conhecida por SSP (solid state polymerization).
A fase líquida consiste em injetar no esterificador a “pasta” de PTA e MEG para produzir o oligômero. Na seqüência, o oligômero é bombeado para o pré-polimerisador, onde, sob vácuo, a esterificação alcança nível próximo de 100%. O produto é então transferido para o polimerisador (finisher), onde, também sob vácuo, a viscosidade é elevada ao nível da especificação do chamado polímero amorfo.
Na fase sólida (SSP), ocorrida a seguir em um reator construído horizontalmente, o polímero amorfo é submetido aos estágios de cristalização, com gás inerte; reação, sob calor e gás inerte em contracorrente; e resfriamento, com ar. Cada um desses estágios é realizado em um único aparelho, diferentemente do que ocorre em outros processos, onde a fase de cristalização e algumas vezes a de resfriamento são realizadas em mais de um aparelho.
A forma horizontal e não-convencional do reator SSP, detalhe que desperta curiosidade, expressa avanços tecnológicos desenvolvidos em virtude de um perfeito plug-flow para assegurar, a todos os chips do PET em produção, o mesmo tempo de permanência e conseqüente exposição às mesmas quantidades de calor e gás inerte, ressalta a M&G. “Os reatores pertencem à geração EasyUP de reatores do estado sólido de polimerização (SSP)”, esclarece.Os engenheiros ressaltam, sempre  com sentimento de vantagem tecnológica, que neste processo não são formados “caminhos
   preferenciais” e, conseqüentemente, não ocorrem tratamentos diferenciados, chip a chip. “A melhor qualidade se reflete em maior homogeneidade de cor e de viscosidade, constatada chip a chip.”A M&G sempre apresenta sua “história pioneira e bem-sucedida no uso da tecnologia SSP, que data dos anos de 1980”. A empresa revela que essa tecnologia “reduz os custos da construção, facilita a flexibilidade na produção e melhora a consistência da resina”.
Para o mercado, a M&G apresenta com o nome de ActiTUF uma família de resinas, impermeáveis à passagem de gases e destinadas a “diversas aplicações em garrafas para refrigerantes, sucos e cervejas”. Destaca, também, que são oferecidas prontas para uso. “Cada pellet contém as adequadas propriedades de barreira e podem ser processados em equipamento padrão para PET, de injeção e sopro.”
O grupo também chama a atenção para o Bico PET, apresentado como uma tecnologia inovadora que permite “inserir propriedades no núcleo de cada pellet de PET”. E assegura: “Isso significa que resinas de barreira altamente impermeáveis são oferecidas prontas para uso, dispensando investimento, manuseio, misturas, fusão ou outras operações especiais.”

Empresa familiar - A inauguração da fábrica pernambucana foi também a apresentação da família Ghisolfi aos brasileiros – no centro das atenções, o patriarca Vitorino Ghisolfi, que em 1953 fundou em Tortona, norte da Itália, a fábrica de embalagens para detergentes e produtos de higiene pessoal que seria a semente desse grupo. Ele foi apresentado como o Chairman. Ao seu lado, os filhos Marco, o CEO, e Guido, o executivo que responde pelas atividades de planejamento, pesquisa e desenvolvimento.

Dez anos depois de fundar a pioneira fábrica de embalagens, ressaltam as publicações que contam a história desse grupo familiar, Vitorino Ghisolfi a transformou na “maior fábrica de embalagens plásticas da Itália”.
Na década dos anos 80, o grupo “estreou no ramo da embalagem PET, com nova tecnologia de produção da resina que se tornou a mais adotada”. Em 2000, com a aquisição dos negócios de PET da Shell, “consolidou-se no mercado global do polímero”. Em 2002, adquiriu no Brasil a Rodhiaco – produtora de PTA instalada em Paulínia-SP – e a Rhodia Ster, em Poços de Caldas-MG. Em 2003, lançou a planta da fábrica de Altamira, no México, e em 2006, com base no mesmo projeto, construiu a irmã gêmea em Pernambuco.

 
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