O mercado também foi contemplado com o primeiro projeto nacional para substituição dos vidros laterais traseiros por policarbonato revestido com silicone (proteção ao risco), desenvolvido em parceria com a Fiat e a Plascar. A montadora ainda não decidiu qual modelo de carro vai estrear as novas peças.

A empresa também aproveitou a feira para apresentar ao mercado a nova linha iQ, cujo forte é o apelo ecológico, incorporada à família do polibutileno tereftalato (PBT) e da blenda PC/PBT. Os novos produtos usam como matéria-prima garrafas pós-uso de PET que passam por um processo de despolimerização, retornando às matérias-primas básicas. “Depois, essas matérias-primas são repolimerizadas na fabricação de PBT”, explica Simielli. A GE estima que o uso de dez toneladas da nova resina evita o consumo de 85 barris de petróleo.

Novas aplicações – Fabricante global presente no mercado brasileiro com produção de compostos baseados em PBT e poliacetal, a Ticona concentrou sua exposição em novas aplicações, tanto para estas formulações como para outros polímeros de alto desempenho de seu portfólio sem produção local, disponíveis para importação.

Os visitantes da feira conferiram alguns produtos desenvolvidos com fins de facilitar a atividade da cozinha industrial, de promover maior segurança, entre outras. Até então inimaginável num plástico, a empresa criou fôrmas de pão injetadas em polímero de cristal líquido (CLP). Versátil, o polímero confere à peça elevada resistência térmica e bom acabamento superficial. Utilizando resinas como o polissulfeto de fenileno (PPS), do PBT e do próprio polímero de cristal líquido, a Ticona desenvolveu não-tecidos, fibras e monofilamentos aplicados em luvas para segurança contra cortes (uso em frigoríficos, por exemplo), filtros industriais, e isolação térmica, entre outras.

Também a Degussa direcionou o foco para novas aplicações, associadas à oferta de desenvolvimentos recentes com base no seu carro-chefe, a poliamida 12. A novidade ficou por conta do novo grade Vestamid LX9020, específico para fabricar tubos de grandes diâmetros, destinados a operações off-shore em plataformas de petróleo. “Esse setor carecia de um produto do gênero”, disse o chefe de produto polímeros de alta performance, Germano Coelho. A poliamida, explica, entra em uma das camadas das tubulações. Essa camada de resina proporciona vedação química, não permitindo que os fluidos circulantes permeiem a tubulação e migrem para fora.

A nova resina assegura alta resistência à hidrólise e elevada vida útil em água e água carbonada, além de excelente desempenho em testes de tensão de escoamento, alta resistência à compressão e excelente comportamento no relaxamento da tensão de compressão. O pacote de propriedades do polímero ainda inclui alta ductilidade e baixa sensibilidade à propagação de trincas, expansão térmica baixa (relacionada a ciclos térmicos, pois reduz forças termicamente induzidas), alta cristalinidade, ótima resistência a bolhas e excelente compatibilidade com o metanol.

Coelho também destacou outro importante lançamento da Degussa, anunciado no fim de outubro do ano passado: sua entrada para o seleto grupo de fabricantes de poliéter-éter-cetona, o PEEK. (veja PM 387, janeiro de 2007, pág. 32). A empresa construiu fábrica de polimerização na China e unidade de compostagem na Alemanha, de onde distribui o produto para o mercado mundial. O polímero de altíssimo desempenho resiste a altas temperaturas, tem boa processabilidade, excelente resistência química e confere às peças elevada estabilidade dimensional.

Segundo Coelho, o produto despertou o interesse da indústria brasileira de maquinários, que pode se beneficiar da boa processabilidade e também reduzir o peso das peças, substituindo metal, pois alguns grades da resina resistem a temperaturas superiores a 300ºC.
Resina de alto desempenho vira luva de segurança

Outra empresa que também comemorou a inclusão do PEEK no portfólio foi a Solvay Química, fruto da aquisição da divisão de polímeros da Gharda Chemicals, da Índia, no segundo semestre do ano passado, que capacitou a Solvay a desenvolver, fabricar e comercializar novo elenco de polímeros de alto desempenho, entre os quais o poliéter-éter-cetona.

“Nossa grande novidade na feira é a nova família de polímeros de ultradesempenho Solva Spire, introduzida no mercado no início deste ano”, informou Alexandre Guimarães, gerente regional de polímeros especiais na América do Sul. Essa linha inclui o PEEK, PEEK modificado, sulfona de alta temperatura (HTS), poliamida-imida e polifenileno auto-reforçado (SRP), assim denominado por sua altíssima resistência mecânica intrínseca.

O principal foco para o PEEK no País são as aplicações na indústria do petróleo, informou Guimarães. A nova linha de polímeros especiais apresenta bom potencial de mercado no segmento médico-hospitalar, cada vez mais exigente em seus requisitos, como maior número de ciclos de esterilização, maior resistência química e a altas temperaturas. “Existe uma empresa brasileira produzindo semi-acabados em PEEK, em PEEK modificado e em polifenilsulfona”, anuncia. Porém, prefere resguardar o nome do cliente.  Os semi-acabados se transformam depois em peças diversas, como cabos para instrumentos cirúrgicos, buchas de alto desempenho para aplicações no mercado de óleo e gás, entre outras.
Coelho aposta na PA para tubos de grandes diâmetros para offs-hore


Outra tendência exibida no estande da Solvay ficou por conta do uso da poliftalamida (PPA) em conectores. Resina de altíssima fluidez e resistente a altas temperaturas, o polímero confere melhor desempenho a peças de paredes finas. “A PPA apresenta maior resistência à temperatura em comparação com o PBT e é favorecida na eliminação do chumbo na fabricação de conectores.”

O gerente também aproveitou a ocasião para divulgar a finalização da ampliação da fábrica de poliéter-sulfona e de polifenilsulfona, nos Estados Unidos. A Solvay prevê concluir o empreendimento durante o terceiro trimestre do ano. O fabricante prefere não divulgar números, mas diz que a expansão favorecerá os mercados de iluminação automotiva, médico-hospitalar e aeroespacial.

Mais plástico no carro – Tradicional fabricante de poliamida, a Rhodia apresentou o primeiro desenvolvimento brasileiro para a linha Technyl Star, geração de resinas lançada em meados de 2000 com características diferenciadas das poliamidas convencionais. O diretor para a América do Sul, Francisco José Vallim Weffort, comemora a criação da maior peça injetada em Technyl Star em âmbito mundial, o roof rack (bagageiro) desenhado em conjunto com a Fiat e produzido pela Plásticos Mueller para o Fiat Idea Adventure. “A peça plástica pesa entre 6 kg e 7 kg, contra cerca de 17 kg da convencional, em alumínio, e suporta cerca de 250 quilos”, compara. Além da queda substancial de peso, a substituição do alumínio pela poliamida permite reduzir custos.

Essa família de poliamidas apresenta disposição radial das cadeias, permitindo o emaranhamento com cadeias curtas, o que confere menor viscosidade. A baixa viscosidade reduz o tempo de ciclo e requer forças de fechamento, pressões de injeção e temperaturas menores. Como resultado, o transformador aumenta sua produtividade e pode usar máquinas de menor porte, ou máquinas de mesmo porte para peças maiores, e menor consumo de energia elétrica.

Direto da Europa – Executivos provenientes da matriz (França) vieram à feira divulgar no País desenvolvimentos elaborados no mercado internacional, com potencial para o mercado brasileiro, como o Technyl XT, desenhado para o mercado de extrusão para tubos, mangueiras corrugadas e monofilamentos. O diferencial do produto fica por conta da janela de processamento mais ampla em comparação às PAs convencionais, o que propicia maior produtividade. Segundo os diretores franceses, o transformador ganha de 30% a 40% de aumento na produtividade.

A resina também atende com as mesmas vantagens o segmento de extrusão/sopro. Neste caso, o objetivo da Rhodia foi reduzir a espessura de parede dos tanques para motos, a fim de aumentar a capacidade de armazenamento de combustível. O produto está sendo produzido em série na Europa para atender pequenas motos tipo Scooter e as de maior porte. Essa mesma família ainda dispõe de grade liberado pela FDA (Food and Drug Administration) para uso em embalagens sofisticadas, denominadas bag in can, empregadas por fabricantes europeus de produtos cosméticos.
 

 
  <<< Anterior