|
Terminadas as obras no pólo petroquímico de Triunfo, 540 mil t/ano
garantirão a disponibilidade de matéria-prima para manter a fábrica de
monômero de estireno, apta a produzir 250 mil t/ano, rodando a plena
carga. Embora a empresa viesse quebrando recordes de nível de ocupação,
não podia atingir 100%, pois precisava importar parte da matéria-prima da
Argentina, explica Fernanda Schuck, da área de
planejamento comercial e marketing. Além de eliminar as preocupações com o
fornecimento de etilbenzeno, a Innova se prepara para uma possível
duplicação da planta de monômero de estireno. É outra prova de confiança
no mercado regional, uma vez que cerca de 40% da capacidade instalada de
PS no Brasil é vendida no exterior. Em volumes, o mercado nacional esteve
aquecido no ano passado, nas palavras de Fernanda, e mantém o calor em
2007. No pólo petroquímico de Capuava, na grande São Paulo, o aperto de espaço e fornecimento de matérias-primas não impediu que a Polietilenos, do grupo Unipar, enfatizasse em seu estande a nova capacidade que começa a rodar no fim de 2008. Com ela, a empresa passa de 130 mil t/ano de polietilenos de baixa densidade e EVA, para 330 mil t/ano, porém com a habilidade para produzir PEAD e PELBD. A nova instalação conta com tecnologia loop slurry da Chevron Phillips, e será suprida por gases de refinaria da PQU e nafta, em proporções próximas a dois terços e um terço. Segundo Raul Carlos de Almeida, gerente de marketing e exportação da Polietilenos, os novos produtos irão complementar a linha de grades para embalagens flexíveis com alta claridade, resistência mecânica, e processabilidade. A tecnologia escolhida resulta em polímeros do tipo easy flow, com distribuição de tamanho de cadeia mais ampla que PEs produzidos por catálise Ziegler-Natta, e é líder no mercado de PEAD nos EUA para aplicações em filmes de alto peso molecular, sopro e tubulações. Inovação tecnológica – Há algum tempo, os expositores de feiras de negócios sabem que o principal mérito desses eventos é a boa medida que eles oferecem do humor do mercado. Não soam muito convincentes os anúncios de vendas realizados durante o encontro, pois, de fato, o mais comum é que as transações apenas se sacramentem durante a exposição, após meses de testes e negociações, ou se iniciem, após uma primeira conversa mais informal. Vendas que começam e terminam na mesma semana, só para clientes antigos. O bate-papo e as especulações são quem realmente interessa. Nesses tempos de movimentos no tabuleiro da petroquímica, muito se comentou sobre a possibilidade de novas mudanças nos donos de fábricas de commodities, além da última grande aquisição do mercado nacional – a compra do grupo Ipiranga por Braskem, Petrobrás e Oxiteno. O outro propalado pilar das feiras são as novidades tecnológicas. Nesse quesito, as principais produtoras de commodities apresentaram diversos novos grades, contribuindo com a missão de atualização técnica que uma fração crescente dos visitantes pressupõe. O tom foi o mesmo de outros encontros importantes da indústria mundial do plástico, que não tem fôlego para avanços revolucionários a cada três ou quatro anos. Como resultado, os produtores de resinas termoplásticas presentes na Brasilplast apresentaram produtos que geram reduções de custos para os clientes, não no preço por quilo de resina, mas em maior produtividade. Outra vertente foram plásticos com melhores propriedades mecânicas e qualidade na aplicação final, mas que não exigem mudanças significativas de processo. Com uma gama de novos grades condizentes com o tamanho e a diversidade de seu portfólio, a Braskem apresentou diversos polímeros com o perfil citado. No PVC, os compósitos com fibras naturais, principal destaque da última edição (que ainda não são competitivos perante o baixo preço da madeira no Brasil), deram lugar ao tema processabilidade. O mais importante lançamento, segundo Antonio Rodolfo Jr., gerente de produtos e serviços em PVC, foi a resina Norvic S80SA, “sem similar na América Latina”, de elevado peso molecular e valor K 80. O polímero tem propriedades mecânicas, físico-químicas e elétricas adequadas para produtos especiais. A Braskem fabrica resinas com valor K entre 57 e 71, e para atingir um patamar tão alto, o novo produto precisou de porosidade ampliada em comparação às tradicionais para se manter processável. Mais poroso, ele absorve maior quantidade de plastificante, de modo que o aumento nas propriedades mecânicas é possível sem modificações de processo. A resina foi desenvolvida “do zero, com tecnologia 100% Braskem”, orgulha-se Rodolfo, desde a receita de polimerização, a escolha dos aditivos e a seqüência de formulação. As aplicações incluem cabos elétricos especiais, laminados de alto desempenho, filmes de espessuras menores ou aquelas que demandam resistência elétrica ou química. A ênfase à evolução em processabilidade se notou em outro lançamento recente destacado na feira, o PVC Norvic, SP 767 Processa+. Nesse caso, a porosidade do plástico foi aumentada sem redução excessiva da produtividade na extrusão, conseguida com uma temperatura de gelificação inferior. Para o cliente, o fato se traduz em menor consumo de energia para um mesmo volume extrudado, em comparação a polímeros anteriores. A outra parte dos lançamentos em PVC se direcionou aos segmentos com demanda por propriedades diferenciadas, para os quais foram apresentadas as resinas Norvic P70HAF, adequadas ao uso em espalmagem de laminados, combinando alto valor K e viscosidade à elevada processabilidade; a P75LAT, com superiores transparência e brilho, para laminados, pisos, pastas, etiquetas, brinquedos e papéis de parede, e a CS49/15VA, com solubilidade em grande variedade de solventes, para a produção de adesivos, tintas e vernizes. No portfólio de polipropilenos, a empresa apresentou novidades que Adílson da Silva, gerente de engenharia e aplicação em PP, não considera apenas pequenas evoluções de linhas anteriores. Para comprovar suas palavras, ele citou fronteiras a serem superadas no mercado de não-tecidos em termos de processabilidade, desempenho nas novas máquinas, mais rápidas, e na maciez do produto final. A resposta ao desafio foi o PP H 125, que gera menos voláteis no processamento, e inferior tempo de parada, além de fios mais finos, com melhor sensação ao toque. A poliolefina é produzida com nova tecnologia no reator de polimerização, que permitiu acertar as características estruturais da macromolécula para suportar o esforço imposto por equipamentos mais produtivos sem a degradação do material. “Esse tipo de mercado pede uma homogeneidade maior de distribuição de tamanho das cadeias, e o controle deve ser mais apurado”, afirmou Silva. Para o gerente, o mercado de ráfia é igualmente desafiador para novos desenvolvimentos, dado seu longo estabelecimento. A proposta para expandir os limites foi o H 503 HS, com produtividade na extrusão 20% superior, ganho de tenacidade entre 15% e 20%, e uma sacaria mais resistente e leve. O grade está posicionado em um segmento de maior valor agregado, e o produto anterior a ele não será descontinuado, pois Silva imagina que o H 503 HS entrará em novos projetos com necessidades específicas de peso. |
|||
| <<< Anterior | |||