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Plantio no país
desponta
no cenário global
Previsão de aumento da produção
brasileira poderá evitar déficit
no abastecimento mundial
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José Valverde
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m século e trinta anos depois de Henry Wickham, súdito
da rainha |
Vitória, levar do Amazonas
as 70 mil sementes de seringueira de onde saíram os enxertos que
vicejaram nas colônias inglesas da Ásia e arruinaram os seringais do
eldorado extrativista brasileiro, o Brasil é apontado como o país onde
estão as melhores condições para o plantio dos pés de seringueira que
evitarão acentuado déficit na produção global de borracha natural.
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| Por conta principalmente da incontrolável demanda chinesa, o consumo de
borracha natural tende a ultrapassar 12 milhões de toneladas em 2020,
volume preocupante porque a produção, hoje no patamar de 8,6 milhões de t,
pouco tende a ser esticada. |
Divulgação |
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| Mattos: fungo prejudica ascensão do País em
borracha natural |
Em 2020, estará entre 9 e 10 milhões de t. No centro das previsões está
a impossibilidade de os três produtores de mais de 70% do suprimento
global – Malásia, Tailândia e Indonésia – aumentarem suficientemente a
produção, em razão da escassez de terra disponível e dos custos crescentes
na agricultura. Depois de 2020, o déficit tende a agravar-se, indica
também a simulação. Na Malásia, a produção já é aceleradamente declinante,
está em queda livre.
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Divulgação |
O principal fator imaginado
para reverter o déficit previsto é um ambicioso salto na produção
brasileira, hoje no modesto patamar de 110 mil t/ano, correspondente a
menos de 1,5% da produção global e insuficiente até para abastecer
metade do também crescente consumo interno. |
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| Bonfim: na Ásia, clones não resistem
ao mal-das-folhas |
Só nos dois
primeiros meses deste ano as importações somaram 30,9 mil toneladas, 28,7%
a mais do que no mesmo período do ano passado – e aumentarão ainda mais se
a japonesa Yokohama, sétima maior fabricante de pneus, eleger mesmo o
Brasil para sua fábrica na América do Sul, e não a Argentina, a outra
possível localização.
O cenário da estagnação e do potencial brasileiro, traçado pela entidade
que mais pesquisa o ambiente das borrachas natural e sintética, o
International Rubber Study Group (IRSG), já animou os centros de pesquisa
e produtores brasileiros a empreenderem o almejado salto na produção. A
escala ascendente dos preços da borracha natural, iniciada em 2002, é
indício do bom tempo que os produtores nacionais esperam.
O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) mapeou, só em São Paulo, Minas,
Goiás e Mato Grosso, 25 milhões de hectares para seringais. Uma enormidade
da crosta terrestre que, se fosse inteiramente plantada e rendesse simples
1.500 quilos/hectare, produziria 37,5 milhões de t/ano de borracha seca,
mais de três vezes o consumo projetado para 2020. No mundo inteiro, os
seringais ocupam 8 milhões de hectares.
Os produtores de látex e borracha de São Paulo entraram na onda. Com
recursos próprios e a liderança da Associação Paulista de Produtores e
Beneficiadores de Borracha (Apabor), executam o Plano Estadual de Expansão
da Cultura Seringueira – plantam 250 mil hectares, cada hectare com 500
seringueiras. Serão 50 mil hectares até 2010; mais 75 mil hectares, de
2011 a 2015; e 125 mil hectares, de 2016 a 2020 – no total, seringueira
suficiente para mais de 400 mil t/ano. Em São Paulo, os seringais hoje
ocupam 38,2 mil hectares, de onde saem 62 mil t/ano, aproximadamente 55%
da produção nacional. “O ritmo é crescente”, vibra o presidente da Apabor,
Jayme Vazquez Cortez, referindo-se ao plantio dos 250 mil hectares. Ele
calcula que já no fim de 2008, dois anos antes do prazo estabelecido, os
primeiros 50 mil hectares estarão florestados. “O Brasil é a bola da vez.
Ao contrário da Ásia, tem espaço, mão-de-obra e tecnologia de alto padrão,
tanto no campo como na indústria”, comemora. Cortez põe fé nas previsões
do IRSG: “O futuro indica que, depois de 2020, a curva do consumo será
mais forte que a curva da produção. Teremos preços cada vez mais altos.”
Os 250 mil hectares formarão o Pólo da Borracha, com três núcleos: o
primeiro reunindo os municípios de São José do Rio Preto, Votuporanga,
Fernandópolis, Jales e General Salgado; o segundo, Andradina, Araçatuba,
Buritama, Lins, Catanduva e Barretos; o terceiro, Dracena, Tupã e Marília.
Os paulistas estão plantando com o próprio dinheiro, pois não há como
recorrer à única linha de financiamento, a do Programa de Plantio
Comercial de Florestas (Propflora), que por intermédio do BNDES oferece
doze anos com carência de oito, apenas um ano a mais que o tempo
necessário para a seringueira começar a dar látex. A impossibilidade,
revela Cortez, decorre da exigência de preservar na propriedade 20% da
Mata Atlântica, reminiscência que nunca é constatada. No quesito
financiamento, a expectativa da Apabor é a ONU aprovar a solicitação, lá
protocolada há três anos, para a seringueira ser credenciada no Programa
de Seqüestro do Carbono, condição para os novos seringais obterem
financiamento internacional, a custo zero.
Na Bahia, a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac)
elaborou o Programa de Desenvolvimento do Agronegócio Borracha na Bahia e
no Espírito Santo (Prodabes), que prevê a formação de sistemas
agroflorestais – na Bahia, preferencialmente, consorciando seringueira e
cacaueiro; e, no Espírito Santo, seringueira e cafeeiro conilon. A Ceplac
propõe que em dez anos seja acrescentados 100 mil hectares consorciados –
80 mil aos 22.500 hectares da Bahia e 20 mil aos 8.600 hectares do
Espírito Santo. O investimento previsto é de
R$ 730 milhões – R$ 531 milhões na Bahia e R$ 199 milhões no Espírito
Santo. Na Bahia, a produção passará das declinantes 11.800 t de borracha
seca para 73.730 t; no Espírito Santo, das emergentes 5.772 t para 37.920
t.
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