Questionado se o setor fez sua “lição de casa”, buscando atualizar métodos e adotar posturas empresariais mais competitivas, Cachum responde com o fato de muitas transformadoras nacionais terem investido pesado nos últimos anos para adquirir equipamentos e tecnologia para alcançar escala e qualidade mundiais. “Nossas exportações cresceram, mas poderiam ter sido ainda melhores não fossem os problemas estruturais brasileiros”, lamentou. Ele considerou também que o comércio internacional é via de mão dupla, ou seja, importações e exportações devem conviver. Mas o setor precisa seguir aumentando a capacidade de transformação e a qualidade.

Sempre defendendo a unidade da cadeia produtiva, Cachum considerou positiva a compra do Grupo Ipiranga, grande produtor de polietilenos e polipropileno no Rio Grande do Sul, pela Braskem, com apoio da Petroquisa (ver texto na seção de resinas). “O efeito dessa concentração empresarial deve ser positivo na cadeia, por permitir reduções de custos que melhorem a competitividade de toda a cadeia do plástico”, afirmou. Além disso, o negócio evitou a transferência desses ativos ao controle de grupos estrangeiros, menos sensíveis às questões locais.

Exportação reforçada – A análise do comércio exterior do setor plástico não deve se limitar ao acompanhamento do saldo comercial. A recomendação vem de Wagner Delarovera, diretor do Programa Export Plastic, coordenado pelo Instituto Nacional do Plástico (INP), com apoio da Abiplast e da Abiquim, com participação da Apex e de todos os segmentos da cadeia produtiva, desde o petróleo até a transformação. Na sua análise, feita com base nas estatísticas da Abiplast e números oficiais da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), nos últimos dez anos, o saldo negativo do setor caiu em números brutos e, além disso, encolheu muito mais significativamente em relação ao fluxo do comércio setorial. Ou seja, embora a diferença entre exportações e importações ainda seja considerável, ela passou a representar apenas 15% do total transacionado. “Isso comprova o dinamismo comercial do setor”, explicou.

O aumento do fluxo de comércio também evidencia a maior exposição do País ao mercado mundial. Isso incentiva a evolução tecnológica de toda a cadeia, com aumento gradual da qualidade dos produtos transformados, mesmo os vendidos no mercado interno.
Delarovera: cadeia produtiva unida amplia exportação

Os números também registram a evolução da competitividade setorial. “Desde 1996, as exportações brasileiras de plásticos cresceram quase quatro vezes mais que as importações, tanto em peso quanto em valor”, acrescentou Delarovera. Ele comparou o valor médio das exportações e importações ao longo do tempo e observou que o valor adicionado dos itens feitos no País tem melhorado. No ano 2000, a média das exportações foi de US$ 3.022/t, contra US$ 3.830/t do valor médio das importações, perfazendo uma diferença de 26,7% sobre o produto local. Em 2006, os valores foram, respectivamente, US$ 3.240/t e US$ 4 mil/t, reduzindo a distância para 23,5%. Isso, apesar do câmbio desfavorável, que gera menos dólares por real produzido.

O problema cambial existe, mas Delarovera prefere observar os efeitos do valor da moeda em longo prazo. “Em 2003, por exemplo, o câmbio era muito favorável e ajudou a exportar mais, enquanto neste ano ele atrapalha um pouco”, considerou. “Como há compensações ao longo dos anos, o câmbio não é a maior dificuldade.”

A análise qualitativa das operações internacionais revela assimetrias. Em geral, produtos importados dos países do Mercosul tendem a ter valor adicionado menor. A média de 2006 foi de US$ 2.210/t. Da Europa e dos EUA vêm produtos mais valiosos, respectivamente com médias de US$ 7.780/t e US$ 7.220/t. O perfil dos importados está relacionado com carências locais de suprimento, abrangendo peças com aplicações específicas, embalagens farmacêuticas, e itens de design avançado, por exemplo.

O programa Export Plastic ingressou na sua segunda fase com a renovação de um convênio de cooperação técnica e financeira entre a Apex e integrantes de toda a cadeia produtiva, com orçamento total de R$ 9 milhões e duração estipulada até janeiro de 2008. A primeira fase durou de dezembro de 2003 a maio de 2006, tendo recebido recursos de R$ 8,6 milhões, aplicados em promoção comercial, prospecção de negócios, capacitação e sensibilização de transformadores. Nesse período, 110 empresas conseguiram aumentar suas vendas ao exterior com apoio do programa.

Delarovera explica que 70% dos cem associados são pequenas e médias indústrias de transformação, ou seja, possuem menos de 300 funcionários. Nesse ponto, ele não vê incongruências globais. “Na China, as empresas que exportam plásticos para os Estados Unidos têm menos de cem funcionários”, comentou. Segundo ele, do ponto de vista dos compradores internacionais é melhor pulverizar os negócios entre alguns fornecedores do que depender de uma única fonte de suprimento.
Com base na experiência internacional e com os contatos efetuados em feiras, congressos e encontros setoriais, ele aconselha os transformadores a abandonar a idéia de evolução por etapas, pela qual o normal é iniciar as vendas ao exterior pelos países vizinhos, para só depois pensar em destinos mais distantes. “Dá para ir direto aos Estados Unidos, desde que se encontre a possibilidade de negócio”, afirmou. Um detalhe: a alíquota de imposto de importação é de 3% na Comunidade Européia, e zero, nos EUA. Nos países da Aladi, sobe para 12%.

Um dos métodos de atuação do Export Plastic consiste na identificação de oportunidades de negócios para transformadores nacionais. Essa informação é oferecida aos associados que devem avaliá-las quanto à conveniência e viabilidade financeira. “Algumas vezes, os transformadores se consorciam para atender aos pedidos”, disse. Em outra frente de trabalho, o programa traz potenciais compradores para visitar o País e participar da Brasilplast.

Em geral, os artigos exportados são feitos com resinas produzidas no Brasil, gerando benefícios para toda a cadeia produtiva. “Os produtores de resinas têm interesse nessas operações, até porque elas melhoram a qualidade dos transformadores e impedem a entrada de materiais importados”, considerou o diretor. Nesse conceito, as grandes petroquímicas oferecem resinas com as características desejadas e também apóiam os transformadores com os testes de laboratório de aplicações para garantir a qualidade final. “Vários países têm programas similares, mas só o Export Plastic conseguiu unir a cadeia completa, desde o petróleo, passando pelas centrais, segunda geração, transformação, logística e agentes oficiais no esforço exportador”, enfatizou. Em alguns raros casos, acontecem importações de resinas e semi-acabados em regime de draw-back para a elaboração de artigos plásticos finais com destino ao exterior.

O diretor do programa insiste com os transformadores de todos os tamanhos sobre a necessidade de adotar uma cultura exportadora, até como forma de sobrevivência. “Como o mercado interno é grande, muitos preferem deixar de lado as vendas internacionais, um grande erro”, disse. A atuação global reduz sazonalidades de mercado, aumenta o índice de ocupação, incentiva a acompanhar as tendências mais modernas e adotar padrões de qualidade mais apurados.
 

 
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