Transformação

Apesar dos juros e da taxa cambial, alguns segmentos
conseguem crescer até nas exportações
 

Texto de Marcelo Fairbanks e fotos de Cuca Jorge

A indústria de transformação de plásticos ocupará área significativa da Brasilplast expressando sentimentos contraditórios sobre o desempenho setorial. Empresas ligadas ao fornecimento de peças e partes para as poderosas montadoras de automóveis exibirão sorrisos largos ao lado da linha de produtos, ladeadas pelos produtores de artigos para embalagens. Nos demais casos, com poucas exceções, o sorriso será amarelo.

 

Levantamento estatístico da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) estudou o setor em 2006 e o quadro final não é exatamente animador. “Nosso faturamento em reais encolheu 3,17% em relação a 2005, embora tenhamos aumentado a produção física em quase 11%, após converter mais de quatro milhões de toneladas de resinas”, disse Merheg Cachum, presidente da entidade.

O dirigente espera dias melhores em 2007, muito dependente da manutenção do desempenho automobilístico que promete quebrar recorde de produção no País. “Ainda esperamos as reformas essenciais do País, como a tributária, e uma reorganização fiscal, para que o governo gaste menos e com mais eficiência os recursos arrecadados dos cidadãos e das empresas”, criticou Cachum. Do ponto de vista prático, a Abiplast entabulou diálogo com o novo Ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, para conhecer as diretrizes que pretende imprimir à frente da pasta. A convivência com o ministro anterior, o empresário Luiz Fernando Furlan, foi classificada como proveitosa e amigável por Cachum.

O desejo imediato do setor é a manutenção da equipe de apoio ao esforço exportador brasileiro, concentrada na agência Apex e na Camex, com destaque para Juan Quirós e Mário Mugnaini, cujos trabalhos têm rendido frutos. “O presidente Lula diz ser desenvolvimentista e o setor plástico quer colaborar”, afirmou.
Cachum: setor precisa de proteção contra chineses

Ao mesmo tempo, o aumento das importações de produtos plásticos transformados representa ameaça real ao setor. “O governo precisa nos dar alguma proteção contra os produtos chineses que são produzidos em condições diferentes de mão-de-obra, impostos, subsídios e até de suprimento de matérias-primas”, defendeu. Além disso, ele recomenda verificar se os importados seguem as mesmas normas de qualidade exigidas da indústria brasileira, o que poderia configurar concorrência desleal. Os segmentos de brinquedos e de filmes plásticos impressos para embalagem sofrem concorrência severa dos similares chineses, reforçados pela taxa cambial.
 

 
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