Um dos polímeros mais consumidos no País, o polietileno representa um mercado anual de 1,9 milhão de toneladas (2006), segundo dados do Siresp, com seis fabricantes locais: Dow, Polietilenos União, Rio Polímeros, Solvay, Triunfo e o conglomerado Braskem, que, tão logo concluiu o processo de incorporação da Politeno, englobou também a Ipiranga. Na ativa, com produção própria desde abril do ano passado, a Rio Polímeros, caçula do setor, adicionou ao mercado brasileiro capacidade anual de 540 mil t de PEAD/PEBDL e provocou uma superoferta temporária.

A capacidade produtiva brasileira deverá dar novo salto no próximo ano. Se cumprido o cronograma, a Polietilenos União, de Santo André-SP, inaugurará em 2008 fábrica multipropósito com capacidade nominal de 200 mil t/ano de PEAD/PEBDL.
O polipropileno, consumo anual de 1,1 milhão de t (2006) e um dos polímeros com maior índice de crescimento, só conta com dois produtores domésticos, que disputam palmo a palmo o posto de líder: Braskem e Suzano Petroquímica. A competição promete ficar ainda mais acalorada nos próximos períodos, sobretudo após a questão da compra da Ipiranga pela Braskem, que herdou a planta de 150 mil t de PP da empresa incorporada e assumiu a liderança do mercado.

O mercado de policloreto de vinila (PVC) também dispõe de apenas duas fabricantes nacionais: Braskem, na liderança, e Solvay. Juntas, elas somam capacidade de quase 800 mil t anuais, para um consumo de aproximadamente 770 mil t (2006). A julgar pelas promessas de expansão, a relação de oferta e demanda apertada deve perdurar por pouco tempo.

Ambas anunciam projetos de ampliação de capacidade. Os da Braskem contemplam aumento de 150 mil t, até 2010, e consideram as fábricas da Bahia e de Alagoas. A Solvay planeja concluir atualização e ampliação da unidade produtiva de Santo André-SP, atingindo oferta de 300 mil t/ano de PVC em 2008. Além do incremento de capacidade, a empresa do ABC paulista prevê expandir o mix de produtos, a fim de acompanhar o crescimento do mercado sul-americano. Considerando também a capacidade instalada em Bahía Blanca, Argentina, a Solvay Indupa somará capacidade instalada total de 540 mil t/ano de PVC.

O poliestireno constitui uma das resinas com maior folga na oferta, dividida entre quatro fabricantes com capacidade bem acima da necessidade doméstica. Suprem a transformação a Basf, a Dow, a Innova e a Videolar que, juntas, dispõem de mais de 600 mil t da resina, para um consumo da ordem de 320 mil t (2006).

Mapa redesenhado – A petroquímica brasileira foi totalmente redesenhada ao longo dos últimos dez anos, como resultado de processos de incorporações, aquisições e mudanças nas composições acionárias. Dos diversos fabricantes nacionais que compunham o parque de resinas termoplásticas no passado, hoje restam alguns poucos nomes, fortalecidos pelas altas escalas de produção e cardápio variado de produtos ofertados, em pé de igualdade com o mercado internacional. Três grandes grupos sobressaem com produções individuais acima de 500 mil toneladas: Braskem, Rio Polímeros e Suzano.

De olho no potencial de crescimento doméstico e na conquista de competitividade em âmbito global, as petroquímicas brasileiras empreendem diversos projetos de expansão. Aquisições estratégicas também constam dos programas de crescimento, a exemplo das últimas investidas da Braskem.

A empresa realizou diversos investimentos em ampliação de capacidade produtiva e aumento do portfólio, no ano passado. Graças à aquisição da Politeno, adicionou 210 mil t à sua capacidade e reforçou a já gorda carteira de polietileno linear, da qual já constavam os tipos metalocênicos e quaterpolímeros, adicionando copolímeros de octeno. Além disso, aumentou em 30 mil a oferta de polietilenos de base metalocênica (marca Flexus), de maior valor agregado.

A intenção declarada da Braskem é escala e competitividade globais. Para tanto, planeja elevar sua capacidade de produção instalada para além das 5 milhões de toneladas anuais. Com esse propósito, iniciou 2007 com fôlego para assumir a Ipiranga, incorporando cinco plantas petroquímicas, equivalentes a 730 mil toneladas anuais de resina.

Nos projetos da Braskem ainda constam: uma nova fábrica de 350 mil toneladas de polipropileno de Paulínia-SP, também em parceria com a Petrobrás, com início de operação previsto para o primeiro trimestre de 2008; mais uma outra fábrica de PP a ser construída no Pólo Petroquímico de Camaçari-BA, com começo de operação agendado para 2011; além de projetos de aumento de capacidade nas plantas existentes de polietileno e de PVC, já mencionados.

Além disso, a empreendedora acalenta planos de construir na Venezuela uma fábrica de 400 mil toneladas de PP, em parceria com a Pequiven – a intenção seria iniciar as operações no fim de 2009 –, e o Complexo de Olefinas de Jose, uma unidade de produção de eteno com capacidade de 1,2 milhão de toneladas integrada à produção de polietileno e outras resinas, idealizada para começar a operar no fim de 2011.
 

Briga pelo pódio – Na disputa pelo atraente mercado do polipropileno, resina das mais versáteis e em franca expansão no mercado brasileiro, a Suzano alarga os passos para recuperar a liderança e toca projetos para expandir sua capacidade produtiva nas unidades de Mauá-SP e Duque de Caxias-RJ. Pelo cronograma, até o fim deste ano, a empresa adiciona 100 mil t à unidade de Duque de Caxias, e, em meados de 2008, conclui o segundo estágio de ampliação da fábrica paulista, elevando-a de 360 mil para 450 mil toneladas anuais.

Dois outros grandes projetos caminham para elevar a petroquímica brasileira ao topo mundial, ambos em parceria com a Petrobrás: o megacomplexo petroquímico Comperj, no Rio de Janeiro, e a Petroquímica do Sudeste. Com início de operação previsto para 2012, o Complexo Petroquímico Integrado do Rio de Janeiro, um negócio de US$ 8,5 bilhões de dólares, contempla a produção de 800 mil t/ano de polietilenos e 850 mil t de polipropileno, além de outros insumos de primeira e segunda geração (eteno, propeno, estireno etc.).
Com vários interessados no negócio, os únicos parceiros definidos pela Petrobrás até o momento são o Grupo Ultra (já aliado da Petrobrás e da Braskem nos negócios envolvendo a Ipiranga) e o BNDES. O complexo promete atrair cerca de 200 indústrias de transformação em seu entorno.

“A velocidade com que esses projetos irão sair do papel dependerá de fatores que extrapolam as fronteiras do País e das condições de competitividade, porque concorrerão com os projetos da Arábia Saudita, do Oriente Médio”, opina o presidente do Siresp. Para ele, esse será o novo espelho para avaliação da competitividade brasileira. “É com eles que vamos disputar mercado.”
 

Em reação a esses movimentos, emerge mais uma integração: a Petroquímica do Sudeste, resultado da provável parceria entre Petrobrás, Suzano Petroquímica e Unipar (proprietária da Polietilenos União, de Santo André-SP). As duas petroquímicas são parceiras da Petrobrás na composição acionária da Rio Polímeros e da PqU. A Unipar também detém participação na central de petroquímicos básicos da Petroquímica União (PqU). No fim de março, a Petrobrás declarou intenção de acelerar o processo de consolidação do setor petroquímico na Região Sudeste. Um empreendimento desse porte, porém, dificilmente se resolve antes de um ano.
 

 
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