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Resinas |
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A feira promete muitas inovações tecnológicas,em meio a debates sobre
a reorganização da
indústria petroquímica
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Texto de Maria
Aparecida de Sino Reto e fotos de Cuca Jorge |
A ala das resinas promete fervilhar nesta
edição da Brasilplast. Primeiro, pelas vitrines recheadas de novidades,
desenvolvimentos recém-saídos dos reatores e tecnologia de ponta. Depois,
pela discussão dos caminhos que a segunda geração petroquímica brasileira
planeja seguir no curto e longo prazos. Ainda não muito bem digerido pelo
setor, o anúncio da compra da Ipiranga pela Braskem, Petrobrás e Grupo
Ultra, em março, será a tônica das conversas e justificativa para acelerar
o processo de outras alianças, com propostas para conferir ao mercado
equilíbrio e concorrência saudável.
A reorganização do setor petroquímico traz na pauta de discussões a
possível união de participações acionárias na Região Sudeste, envolvendo
Petroquímica União (PqU), Suzano e Unipar. Outra possibilidade inclui
nessa aglutinação o Comperj, complexo integrado do Rio de Janeiro, e
aportes da Petrobrás. Porém, há muitas suposições e poucos fatos.
Esses assuntos devem acalorar os debates nos corredores e estandes da
Brasilplast, opina José Ricardo Roriz Coelho, presidente do Sindicato da
Indústria de Resinas Plásticas e co-presidente da Suzano Petroquímica.
“Deve-se discutir muito na feira, pois o fato de ter concentração bloqueia
a concorrência, que impulsiona a inovação e o desenvolvimento de novos
mercados, incita a busca de menores custos e preços competitivos e gera
uma corrida das empresas para melhor atendimento aos clientes. Além disso,
a cadeia vai até a terceira geração, composta por oito mil empresas que
precisam ter opções para escolher seus fornecedores”, declarou.
A propósito, a Brasilplast promete opções de sobra em resinas derivadas de
novas tecnologias e com propriedades que incentivam competitividade e
melhor qualidade na transformação. Nesse aspecto, as conversas devem girar
em torno da nanotecnologia, biotecnologia, metalocenos e plásticos
biodegradáveis, entre outras.
Os novos produtos tendem a valorizar propriedades como alta transparência,
resistência ao impacto e deflexão, características muito apreciadas pela
indústria automobilística, uma das maiores demandas da indústria do
plástico. “O visitante da feira está ávido por novidades e a feira é uma
excelente oportunidade para as empresas mostrarem inovações aos seus
clientes e os benefícios que eles terão com os novos produtos”, ressaltou
Roriz.
Sob o ponto de vista dele, o mercado brasileiro amadureceu e hoje conta
com empresas de transformação capazes de competir em qualquer lugar do
mundo, dispõe de um parque de fabricação de máquinas tecnologicamente
bastante avançado, e capacidade de produção de resinas que abrange ampla
variedade de tipos.
Todos os elos da cadeia, porém, precisam olhar para uma nova realidade
internacional que começa a se desenhar, comentada pelo presidente do
Siresp no início deste ano (ver PM 387, janeiro de 2007, página 8) e
ressaltada como um dos temas relevantes a serem discutidos nos corredores
do Anhembi.
Favorecido pelo baixo custo da matéria-prima, o Oriente Médio desponta
como forte candidato a concentrar a produção global de resinas, enquanto a
alta escala de produção e o baixo custo da mão-de-obra e dos tributos
beneficiam a China como centro produtivo de transformados plásticos.
“Esta feira será uma excelente oportunidade para se discutir e avaliar
como poderemos estar mais competitivos perante o novo cenário que coloca
Oriente Médio e Ásia com produtos extremamente competitivos nos principais
mercados do mundo. A Brasilplast será um bom momento para avaliação e
busca de alternativas a fim de que a cadeia do plástico no Brasil continue
avançando”, comenta Roriz.
Salto significativo – Quando a Brasilplast ganhava seus primeiros
contornos, em 1986 (a primeira edição da feira ocorreu no fim de junho de
1987), o consumo brasileiro de resinas termoplásticas mal se aproximava de
1,5 milhão de toneladas anuais. Mesmo assim, já àquela época se desenhava
um quadro de gargalo na relação oferta/demanda, com capacidade instalada
de produção da ordem de 1,6 milhão de t, precipitando diversos
investimentos em ampliações.
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Dez anos depois, em 1996, o consumo nacional tinha praticamente dobrado de
tamanho, atingindo 2,7 milhões de toneladas. Outros dez anos e mais um
pulo extraordinário: a despeito das turbulências domésticas e das
influências do mercado externo, o consumo aparente brasileiro das
principais commodities atingiu, em 2006, a marca dos 4,1 milhões de
toneladas.
A julgar pelas projeções divulgadas em pesquisa da Associação Brasileira
da Indústria Química (Abiquim), o crescimento promete manter ritmo
acentuado nos próximos anos. Tendo como base um PIB conservador, estimado
em 3,1% ao ano, as previsões são bem otimistas. Indicam que o consumo
aparente de resinas termoplásticas no País deve superar as 10 milhões de
toneladas em 2015.
Para que esses números se concretizem, porém, é preciso antes estimular o
consumo interno e aumentar o volume brasileiro de plástico per capita,
mantido em patamares próximos a 22 kg desde 2000. “Sem resultados bons,
não há condições de investir”, lamenta o presidente da Associação
Brasileira da Indústria do Plástico, Merheg Cachum.
Os investimentos injetados na segunda geração petroquímica ao longo dos
últimos anos reverteram em uma posição confortável para o parque
transformador brasileiro ir às compras, tanto em relação à oferta de
resinas em volume como em tecnologia. Em quantidade, a indústria doméstica
comporta capacidade produtiva de quase 6 milhões de toneladas anuais de
resinas, segundo dados do Siresp, o que posiciona o País como o maior
fabricante de resinas da América do Sul.
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