Injetoras



Alta nas importações de manufaturados e queda das
vendas internas emperram rentabilidade do mercado


Texto de Simone Ferro e fotos de Cuca Jorge
 

Pressionada pelo aumento das importações de produtos plásticos manufaturados e pela forte concorrência das máquinas asiáticas, a indústria brasileira de injetoras teve poucos motivos para comemorar em 2006. Nem mesmo a ligeira queda das importações, em torno de 16%, trouxe o alívio esperado. Na verdade, o resultado reflete a retração das vendas internas de máquinas para o processamento de plásticos, cujo faturamento nominal ficou 18,3% abaixo no comparativo com o ano anterior, passando de R$ 807 milhões para R$ 659 milhões.

As vendas de injetoras representam 38,6% do faturamento nominal do setor, seguidas pelas extrusoras, com 18,8%; pelas sopradoras, com 5,1%; e outros equipamentos com 37,5% de participação. Os dados foram obtidos por meio de pesquisa por amostragem realizada pela Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico (CSMAIP) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Conforme dados da Secex, as exportações de injetoras recuaram mais de 9%, e comprometeram a rentabilidade das empresas com parte do faturamento atrelada às vendas externas. “Além da desvalorização do dólar, que favorece a entrada de máquinas estrangeiras e prejudica as exportações, o segmento de injetoras sofre com a importação fraudulenta e com a concorrência desleal”, diz a diretora de financiamento da Abimaq e vice-presidente da CSMAIP, Maristela Simões.

Segundo ela, a Abimaq trabalha no combate às importações fraudulentas, o que inclui apresentação de ação antidumping, cujo estudo ocorre sob sigilo. Em 2005, a entidade recorreu ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior com pedido de salvaguarda, porém sem resultados.
Heinen lamenta falta de apoio à produção nacional

A queixa dos fabricantes recai sobre o sigilo das importações, com a omissão do nome do fabricante, da descrição comercial da mercadoria, dos detalhes da documentação e do pagamento dos impostos. A passividade das autoridades e, principalmente, os preços irreais também geram grande descontentamento.

De acordo com as empresas do setor, as máquinas asiáticas entram no País com preços entre 25 centavos e US$ 2,5 o quilo, valor inferior ao custo dos insumos. “A desvalorização cambial, aliada aos impostos nacionais, está provocando um desestímulo ao desenvolvimento industrial do Brasil. Estamos mais inclinados a importar insumos do que fabricá-los no País”, lamenta o gerente-comercial da Himaco, Cristian Heinen.
 

 
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