Apesar de a Brasilplast não ser uma exposição destinada à indústria de alimentos – esse segmento responde pela maior parte das vendas de flexíveis –, o evento deve coroar as expectativas de recuperação do setor. Em 2006, essa indústria apresentou crescimento de 3,5% sobre o ano anterior. Para 2007, estima-se aumento nas vendas de pelo menos 5%.

Segundo o presidente da Abief, Rogério Mani, a feira será beneficiada pelo bom momento do mercado de flexíveis. “Percebo inovações e mudanças”, destaca. A importância das embalagens para os fabricantes de máquinas se revela em números. A maior parte da indústria brasileira de transformadores de plástico se compõe de empresas desse ramo de atividade. As embalagens representam cerca de 40% do total do setor; construção civil, descartáveis, componentes técnicos e o setor agrícola respondem por cerca de 10% cada. O restante se divide entre utilidades domésticas, calçados, laminados, brinquedos e outros.

Mercado aquecido – Entre os fabricantes de máquinas, as expectativas em relação à feira são as melhores possíveis. Todos esperam vender. Na avaliação de Mani, os negócios realizados durante o evento devem representar no mínimo seis meses de trabalho. “Os clientes estão se movimentando. O mercado interno está aquecido”, argumenta o diretor-comercial da Carnevalli, Wilson Carnevalli Filho. No geral, o ano de 2006 favoreceu pouco o crescimento do setor de máquinas.

No entanto, indícios de retomada dos negócios já são percebidos por alguns fabricantes de extrusoras e co-extrusoras. Um dos principais do mercado de filmes, a Carnevalli registrou incremento das vendas de cerca de 20%, nos primeiros meses de 2007, em relação a igual período do ano passado.
Carnevalli: o cliente exige alta produtividade

Não se trata de um caso isolado. A tendência de retomada dos negócios registrada no primeiro trimestre do ano deverá se acentuar. Essa é a aposta do setor. “Existem equipamentos obsoletos que tornam o custo de fabricação economicamente inviável, obrigando a substituição”, argumenta o diretor da Rulli Standard, Luis Carlos Rulli. Para Cornelius, em virtude desse cenário, intensificou-se a procura por renovação e sofisticação do parque industrial nacional. “Em alguns casos, essa tendência já se concretizou em investimentos”, observa Cornelius. A Abimaq apresentou expectativas retraídas para o segmento de máquinas destinadas ao processamento do plástico.

Mas nem por isso o fabricante de extrusoras e co-extrusoras projeta índices apertados para 2007. “Acreditamos em crescimento de 10% a 13%”, afirma Rulli. Em tempo: o segmento de extrusão representa 18,8% do faturamento nominal do setor de máquinas para o processamento de plásticos. No ano passado, esse mercado faturou R$ 659 milhões.
Rulli aposta na substituição das máquinas obsoletas

No geral, as vendas ficaram aquém das expectativas, no ano passado. Apesar da má notícia para o setor, alguns negócios se voltaram para máquinas de alto valor agregado, evitando queda no faturamento desses fabricantes. Para driblar a diminuição das consultas, as empresas se esforçaram para desatar o seguinte nó: manter a competitividade, com a redução dos custos de produção, sem ônus nos incrementos tecnológicos de suas máquinas.

A história recente da indústria nacional de máquinas extrusoras revela alguns percalços. Altos e baixos parecem ser constantes. O período de 2001 a 2003 se configurou como época bastante difícil para esse setor. Os efeitos do apagão, no País, e do 11 de setembro, nos Estados Unidos, deixaram marcas. Esse panorama recessivo incentivou os fabricantes a buscar vias alternativas. Alguns partiram para a terceirização da produção, como a Acmack, fabricante de máquinas para filmes de polipropileno (PP) da Ciola. No campo dos tubos e perfis, houve um enxugamento. A Imacom, fundada em 1984 para a produção de extrusoras dupla-rosca para PVC rígido e flexível, deixou de ser uma empresa para ser uma marca da Extrusão Brasil.

No período, uma grande parcela do setor também manteve seus investimentos. A Rulli Standard mudou de endereço para uma área maior e a Indústria de Máquinas Miotto investiu em seu laboratório de pesquisa e na informatização de seu departamento de engenharia. Em meio a esse cenário, todos acreditavam em 2004 como o ano da renovação.

 
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