| |
Sanches também reconhece a dificuldade para deslocar concorrentes
tradicionais e bem estabelecidos no mercado do País. O aditivo UV é um
produto de confiança, pois não pode ser testado por métodos que forneçam
resultados exatos e imediatos. É preciso estudar seu desempenho por
ensaios de envelhecimento acelerado, e eles não reproduzem a realidade
amiúde. “E não se estabelece confiança do dia para noite”, acrescenta
Sanches.
Mas há segmentos da proteção UV em que os concorrentes possuem produtos
com desempenho parelho. Nesses casos, a briga é de preço, recrudescendo a
erosão de margens, que ainda são consideradas muito boas pelo coordenador
da fornecedora alemã.
Crescer com o portfólio – Apresentar ampliações de linhas de
produtos recentemente desenvolvidos é uma das táticas da Clariant para
contornar um desempenho morno no ano passado. Ainda que do ponto de vista
tecnológico o mercado brasileiro possa absorver boa parte do catálogo da
empresa, à exceção de algumas especialidades e produtos de nicho mesmo nos
mercados maduros, as vendas de lubrificantes (ceras), antioxidantes,
antiUVs, antiestáticos, estabilizantes térmicos, retardantes de chama,
antimicrobiais e branqueadores ópticos apresentaram, no conjunto, apenas
uma leve melhora em 2006.
| Mas Paulo Ghidetti, da área
de vendas da unidade de negócio de plásticos, espera maior crescimento
nesse ano, e aposta várias fichas em novos produtos da linha de ceras
poliolefínicas obtidas por catálise metalocênica apresentada ao
público brasileiro na última edição da Brasilplast. A catálise
metalocênica permite um controle do processo de polimerização mais
refinado, e maior variedade de produtos com ajustes para aplicações
específicas. Uma a ser enfatizada durante a feira serão os compostos
de plástico com madeira, em que a cera opera como agente acoplante, um
ligante entre plástico e madeira que resulta em maior resistência
mecânica do compósito. |
 |
Ceras metalocênicas são
uma das apostas de Ghidetti |
Sem ligante, a madeira também absorve muita água, efeito que a
aditivação reduz. Os compostos de plástico reforçados com madeira estão no
foco devido à incipiência do mercado nacional, e o sentimento de que
muitos competidores de diferentes elos da cadeia andam interessados pelo
assunto. Nos EUA, o mercado desse tipo de composto gira em 600 mil t/ano,
mas apenas se inicia por aqui e há diversos projetos de aplicação em
estudo nas petroquímicas e nos transformadores.
Desde seu lançamento, o emprego das ceras metalocênicas tem crescido no
País particularmente como dispersante em masterbatches, explica Ghidetti,
por que a empresa já era fornecedora de um produto consagrado no mercado
para essa aplicação, facilitando a mudança para as ceras mais avançadas.
Outros segmentos importantes em aditivos serão contemplados com maior
enfoque durante a exposição, como os retardantes de chama para PA, PBT e
PP em aparelhos eletroeletrônicos, um absorvedor de UV com alta absorção
na faixa mais danosa aos plásticos, e um antioxidante fenólico de baixa
migração com aplicação em tubos poliolefínicos de transporte de água.
Desafio especial – Dadas as características do mercado brasileiro,
mesmo para quem atua com aditivos especiais, de maior valor agregado, o
tema das margens foi relevante nesse período de aumentos de custos em
todas as partes do mundo. A Degussa, que atua voltada à produção de
especialidades químicas, não escapou dessa situação, mas considera 2006 um
ano em que realidades desafiadoras foram superadas.
A empresa, ao contrário de grande parte da cadeia do plástico atuante no
País, já vinha de crescimentos de volumes expressivos em 2005, ano a ser
esquecido por muitos, e conseguiu expandir novamente os negócios em 2006,
motivo de comemoração face à base de comparação alta. “Os preços e margens
foram um desafio muito grande em todos os elos da cadeia, mas foram
superados”, afirma o diretor-adjunto-comercial da unidade de negócios de
Polímeros e Intermediários, Reynaldo Sanna.
| A filial brasileira da
Degussa também precisou lidar com os efeitos da diferença de preços no
mercado interno e o preço internacional. Em vários momentos se compete
dentro das empresas multinacionais com diversos sítios produtivos ao
redor do globo, por disponibilidade de material, pois os volumes
tendem a ser alocados nos mercados que oferecem retorno adequado,
seguindo as tendências da globalização. No entanto, a empresa atendeu
a todos os segmentos de mercado em que são fornecedores tradicionais
no Brasil em 2006, muitas vezes com vendas crescentes. “Quem tem
compromisso com o fornecimento na região por estratégia não sai do
mercado. Entrar e sair do mercado conforme a rentabilidade tem
conseqüências para o market share e o relacionamento com os clientes”,
diz Sanna. |
 |
Os desafios das margens
foram superados, diz Sanna |
As vendas da empresa se beneficiaram do ritmo acelerado do setor
automobilístico. A indústria de telecomunicações, que enseja a retomada
depois de grande queda, e a de eletroeletrônicos também apresentaram
números favoráveis. |
|