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Aditivos |
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Expositores do setor
estão
otimistas para a realização da feira, mas negócio anda pressionado por
aumentos
de custos em todo o planeta
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Texto de Márcio
Azevedo e fotos de Cuca Jorge |
O mercado de aditivos para plásticos do
Brasil tem sotaque estrangeiro. Os produtores locais são poucos e em
número decrescente, e a transformação se abastece com produtos importados
pelas grandes multinacionais do setor. Com volumes relevantes de consumo
de algumas das principais commodities do negócio, mas com vendas
freqüentemente iniciantes em especialidades estabelecidas na Europa e nos
Estados Unidos, a demanda nacional, senão de toda a América Latina, é
suprida com aperto nas margens, preços baixos e muita ginga para manter a
rentabilidade das vendas na região.
Elo da cadeia petroquímica, a produção mundial de aditivos foi afetada
pela elevação nas cotações do óleo cru. Além disso, como a China tem
desequilibrado o balanço mundial de oferta e demanda de todas as
matérias-primas industriais, muitos produtores foram pressionados também
por reajustes de até três dígitos nos preços dos metais.
Para atenuar o problema entre os aditivos mais comuns, como
estabilizadores térmicos e antioxidantes, a indústria global está migrando
para a Ásia, onde os enormes volumes de produção tornam muito atraentes
tanto a atuação local quanto a exportação. Mas, nas especialidades,
notadamente em diversos sucedâneos com apelo ecológico, europeus e
norte-americanos não prescindem do controle e produção no próprio quintal,
e nessa estratégia pode residir mais um fator de pressão de custos,
notadamente, a energia elétrica.
No quadro com essas cores, o crescimento da demanda por resinas
termoplásticas no Brasil em 2006, um pouco ofuscado pela base ruim de
comparação, de 2005, colaborou pouco para acelerar o ritmo das vendas de
aditivos. Quem não andou de lado cresceu ganhando fatias de mercado, sob o
desafio de muita labuta para manter a rentabilidade.
Brasilplast: euforia, precaução ou histeria? – O grande encontro
nacional do plástico começará exatos dois meses após a polícia militar
baiana comparecer às portas da fábrica da Ciba Specialty Chemicals, em
Camaçari-BA (no idioma ainda oficial, Ciba Especialidades Químicas), para
acompanhar trabalhadores demitidos em decorrência do encerramento da
produção de antioxidantes. Pouco alentador do ponto de vista da
competitividade do parque produtivo nacional, o fato não deve repercutir
no clima de moderado otimismo dos fornecedores de aditivos presentes na
feira. A competição feroz está na regra do jogo, todos sabem, e a maior
parte dos expositores irá mostrar as táticas para continuar crescendo em
2007. Não se fala em retração ou apenas manter volumes e faturamento. Das
estratégias mais visíveis no corpo a corpo da Brasilplast, os visitantes
conhecerão novos produtos, mas no ritmo do que significa ser novo nessa
cadeia – dois ou três anos é tempo suficiente apenas para refinar uma
mesma tecnologia e expandir linhas existentes de produtos, recordar quem
andava meio esquecido em um vasto portfólio, ou reforçar o marketing do
que era novo na edição anterior do evento.
| É o caso da Basf, que em 2005
apresentava uma postura mais agressiva em sua linha de aditivos para a
proteção a raios ultravioleta. Desde o ano anterior a empresa alemã
investia na família de produtos para ganhar mercado, e o sucesso na
empreitada explica por que os antiUV continuam sendo o destaque da
Brasilplast no segmento de aditivos. Entre 2005 e 2006, o negócio da
Basf cresceu 140% na América do Sul. Globalmente, tem crescido em
torno de 20% a 25% ao ano, e essa taxa é uma meta a ser perseguida até
2013, segundo Fábio Sanches, coordenador do negócio de plásticos no
segmento de Químicos de Desempenho. Comparada à fatia da líder de
mercado, a Ciba (que sai da produção local, mas não do fornecimento),
a da concorrente germânica ainda é pequena, o que explica o
crescimento no Cone Sul com tamanha volúpia. |
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Sanches: meta de crescer
25% ao ano até 2013 |
O segmento de proteção para poliolefinas é o principal vetor do sucesso
decantado por Sanches (o de embalagens de ráfia, em menor escala, é
outro), pois conta com grande volume e clientes de grande porte, entre
eles fornecedores de PP carregado para a indústria automotiva brasileira,
uma das papa-recordes de produção nos últimos anos.
A competição também pode ficar mais acirrada na aditivação de PVC, PBT,
ABS, SAN, e PC, pois o coordenador confia no desempenho do antiUV da Basf
para esses polímeros. Na ráfia, uma amina estericamente bloqueada (HALS)
oligomérica foi empregada para atacar o problema que os produtores
costumam ter com arraste de água. Os aditivos usuais migram para a
superfície do polímero e alteram sua polaridade. As poliolefinas são
bastante apolares, hidrofóbicas, e acabam se tornando mais hidrofílicas,
arrastando água, e se a velocidade da linha de produção não é diminuída,
pode haver conseqüências indesejáveis na etapa de secagem. O aditivo da
Basf, que migra em menor velocidade, propicia maior produtividade, e
conquistou espaço no mercado e na Brasilplast, onde serão realçados
produtos com velocidade de migração reduzida, para PP, PS e ABS, com
aprovação do órgão norte-americano de fiscalização de produtos
farmacêuticos e alimentos, o FDA.
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